Revelações de militares perseguidos pela Ditadura no Brasil


55 anos do golpe militar: a história dos 6,5 mil militares perseguidos pela ditadura

Dezembro de 2018


O general Pery Constant Bevilacqua (à esq.). o brigadeiro Rui Moreira Lima e o brigadeiro Francisco Teixeira (à dir.)
Image captionForam mais de 6,5 mil oficiais e praças presos, perseguidos ou torturados. Na fota, da esquerda para a direita, o general Bevilacqua, o brigadeiro Moreira Lima e o brigadeiro Francisco Teixeira

Piloto de caça do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, o então tenente Rui Moreira Lima, do Rio, participou de 94 missões na Itália entre novembro de 1944 e maio de 1945, como membro da Força Expedicionária Brasileira.

Mas a artilharia dos aviões nazistas não foi o único ataque que precisou enfrentar em sua carreira a serviço da Aeronáutica brasileira.

Mesmo sendo um condecorado membro das Forças Armadas, tendo voltado ao Brasil como herói de guerra, escrito um livro sobre a atuação brasileira na Segunda Guerra e mais tarde tendo se tornado brigadeiro, Moreira Lima foi perseguido, preso e torturado pelo governo durante a Ditadura Militar.

Em 1964, o brigadeiro foi deposto do comando da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, por ser considerado um democrata e ter abertamente se oposto ao golpe militar – que, em 31 de março daquele ano depôs o presidente João Goulart e estabeleceu um regime autoritário que durou até 1985. Moreira Lima foi preso, aposentado compulsoriamente e teve a família perseguida.

Ele já trabalhava na iniciativa privada, nos anos 1970, quando seu filho, Pedro, foi sequestrado pelos agentes da repressão. “Meu filho ficou apavorado, tinha 20 anos”, contou Moreira Lima em um depoimento emocionado à Comissão da Verdade em 2012 , quando tinha 93 anos.

Logo em seguida o brigadeiro foi sequestrado por sargentos do Exército a mando do Doi-Codi. Ficou três dias preso e foi submetido à privação de sono. “Passei três dias nessa masmorra lá. Para ir fazer as necessidades os soldados ficavam me olhando, apontando a metralhadora”, contou.

Rui Moreira Lima no caça Thunderbolt P-47, que pilotou durante a guerra
Image captionRui Moreira Lima participou de 94 missões na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, pilotando um caça modelo P-47

O caso de Moreira Lima não foi o único: em mais de duas décadas de ditadura no Brasil, o regime perseguiu, prendeu ou torturou 6.591 militares. Os dados foram compilados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), instituída pelo governo brasileiro em 2011 para investigar violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988 por agentes públicos e outras pessoas a serviço do Estado.

A CNV foi feita no molde de comissões feitas no Chile e na Argentina, que fizeram as investigações muito antes do Brasil, logo após o fim de suas ditaduras – e usaram os relatórios para julgar centenas de pessoas e condenar mais de 700 por crimes cometidos durante os governos autoritários.

O relatório final da CNV foi publicado em dezembro de 2014, com um número oficial de 434 mortos e desaparecidos – e sem um número final de pessoas torturadas, cujos casos não foram investigados um a um.

Como era feita a repressão?

A repressão aos militares começou logo após o golpe, com a cassação, prisão e constrangimento de oficiais e militares que divergiam do grupo que tomou o poder.

“Os militares foram perseguidos de várias formas: mediante expulsão ou reforma, sendo seus integrantes instigados a solicitar passagem para a reserva ou aposentadoria; sendo processados, presos arbitrariamente e torturados; quando inocentados, não sendo reintegrados às suas corporações; se reintegrados, sofrendo discriminação no prosseguimento de suas carreiras. Por fim, alguns foram mortos”, descreve o relatório da CNV .

“De fato a grande ‘cirurgia’ foi realizada em 1964”, explica o cientista político Paulo Ribeiro da Cunha, professor da Unesp e membro da Comissão da Verdade, referindo-se à remoção dos militares que se opunham ao regime. “Mas foi uma perseguição continuada, que se manteve e se intensificou na fase posterior.”

E foi o Ato Institucional número 5 (AI-5), assinado pelo general Artur da Costa e Silva há exatamente 50 anos, que deu instrumentos para o regime intensificar ainda mais a repressão – inclusive aos militares.

O AI-5 autorizou uma série de medidas de exceção, permitindo o fechamento do Congresso, a cassação de mandatos parlamentares, intervenções federais, prisões até então consideradas ilegais, e suspensão dos direitos políticos dos cidadãos.

“A maior parte das prisões (de oficiais e praças) foi no pós-68 (após o AI-5), com muitos deles sendo presos até com os filhos”, conta Ribeiro da Cunha, que também é um dos organizadores do livroMilitares e Política no Brasil (Expressão Popular).

Segundo o cientista político, a ditadura usava as famílias para atingir os oficiais, com os filhos sendo obrigados a sair dos colégios e ataques (inclusive estupros) de mulheres dos militares.

Após o endurecimento do regime, houve perseguição inclusive de militares que haviam apoiado o golpe em 1964, mas que se opunham aos aspectos mais violentos e cujo objetivo era devolver o governo aos civis depois de um curto período.

Moreira Lima foi uma das vítimas do endurecimento ocorrido com o AI-5. Após o depoimento do brigadeiro, a Comissão da Verdade criou um grupo de trabalho especial para investigar as perseguições sofridas por militares durante a ditadura.

“Proporcionalmente, os militares foram o grupo social mais afetado pela repressão”, afirma Paulo Ribeiro da Cunha, que participou do grupo de trabalho.

O brigadeiro Moreira Lima morreu aos 94 anos, em 2013, menos de um ano após dar seu depoimento à CNV.

Moreira Lima volta ao caça que utilizava durante a Segunda Guerra
Image captionMoreira Lima denunciou as perseguições que ele e sua família sofreram durante o regime

Na reverencial homenagem feita pela FAB após seu falecimento, em que Moreira Lima é chamado de “herói”, de “lendário”, de um dos “guerreiros da Nação que serão lembrados indefinidamente”, não há menção às inúmeras violações de direitos a que foi submetido pela Ditadura Militar.

A BBC News Brasil reuniu histórias de alguns dos outros militares que, como o brigadeiro Moreira Lima, também foram perseguidos durante a Ditadura Militar.

O brigadeiro Teixeira, que teve a casa incendiada e os filhos presos

Assim como Moreira Lima, o brigadeiro Francisco Teixeira também havia servido durante a Segunda Guerra – ajudou a implantar o uso dos caças modelo P-40 e participou de patrulhas no litoral do nordeste e da cobertura de comboios marítimos que eram atacados por submarinos alemães e italianos.

Nacionalista, participou da campanha do “Petróleo é Nosso” e foi chefe de gabinete do ministro da Aeronáutica e subchefe do Estado Maior das Forças Armadas. Em, 1964 era comandante da 3ª Zona Aérea, no Rio de Janeiro e era considerado o líder da ala militar nacionalista na Aeronáutica.

“Meu marido sempre participou da legalidade, sempre foi a favor de que se cumprissem as leis do pais, a Constituição” afirmou a mulher do brigadeiro, Iracema Teixeira , em um depoimento à CNV em 2013. “E por isso era mau visto pelo grupos que queriam o poder de qualquer maneira.”

Foi preso em sua casa em Copacabana pouco depois da deposição de João Goulart e ficou incomunicável por 50 dias. Depois foi afastado da FAB e teve os direitos políticos cassados por dez anos. Teve também a cidadania suspensa e foi considerado oficialmente morto – sua mulher passou a receber pensão como viúva.

O brigadeiro Francisco Teixeira prestando depoimento em 1965
Image captionO brigadeiro Francisco Teixeira prestando depoimento em um inquérito policial militar em 1965

“Nos primeiros anos do regime essa era a principal forma de perseguição. Os oficiais eram expulsos, considerados mortos, não tinham direito nenhum. Tinham que trabalhar em mil coisas pra sobreviver”, afirma Paulo Ribeiro da Cunha.

Foi o caso do brigadeiro Teixeira, que teve a carteira de piloto também cassada e não podia exercer a profissão. Para se manter, criou um curso supletivo com a mulher. Em novembro de 1969 o brigadeiro teve sua casa incendiada – o episódio nunca foi esclarecido pela polícia.

Após a posse do general Emílio Garrastazu Médici em 1969, Teixeira foi preso e mantido incomunicável por 50 dias na Vila Militar.

“Toda vez que mudava o ‘presidente’ meu marido era preso, como se ele – já deposto, aposentado – fosse reagir sozinho”, contou Iracema Teixeira.

Seu filho Aloísio, que era estudante da PUC (Pontifícia Universidade Católica) e foi acusado de ser comunista, também foi preso durante 6 meses e chegou a ser torturado na Ilha das Flores. Teixeira foi visitá-lo, e quando soube que o filho seria ouvido novamente, começou a ligar para todos os colegas militares em busca de ajuda.

“Eu falei com uns dois ou três que estavam na ativa, e um deles agiu muito, talvez tenha até ajudado o Aluísio, porque fez um escândalo na hora do almoço contra aquilo: ‘Como é que a Marinha faz uma coisa dessas, torturando o filho de um colega nosso!'”, contou o brigadeiro Teixeira, em depoimento ao CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil), da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

No início dos anos 1970, o brigadeiro foi preso novamente, desta vez com filha, Maria Lúcia Werneck Viana.

“Primeiro foram na casa dela, ela não estava, quebraram o telefone, fizeram uma violência qualquer. Depois, uma noite, foram lá em casa, mas não entraram, procuraram por ela na portaria. O fato é que, à noite, eu resolvi ir ao apartamento dela e estava lá quando eles chegaram”, contou ele no mesmo depoimento ao CPDOC.

Artigo publicado pelo jornal Correio da Manhã sobre o processo que Teixeira enfrentava em 1965
Image captionArtigo publicado pelo jornal Correio da Manhã sobre o processo que Teixeira enfrentava em 1965

Em julho 1983, poucos meses antes de morrer devido a um câncer, aos 74 anos, Teixeira fundou a Associação Democrática e Nacionalista de Militares, que reunia militares cassados e perseguidos pela ditadura.

“O brigadeiro Teixeira deixou para nós exemplos de firmeza de caráter e tolerância, atributos que tornaram possível a construção da sua sólida liderança militar e política”, afirmou o então ministro da Defesa Nelson Jobim em uma homenagem ao brigadeiro em 2011.

O tenente Wilson, que fugiu para o Uruguai

Boa parte dos militares cassados em 1964 já havia ficado marcada pelos setores golpistas quando o presidente Jânio Quadros renunciou em 1961 e os ministros militares assumiram a posição de tentar impedir a posse do vice-presidente.

A Campanha pela Legalidade, que defendeu a normalidade democrática e naquele ano saiu vitoriosa, teve adesão de unidades militares das três forças, com oficiais se mobilizando para garantir o cumprimento da Constituição.

“Todos quantos haviam tomado posição em 1961 ficaram marcados dentro e fora dos quartéis. Éramos olhados como malditos, perigosos. Mas não nós amedrontávamos, passamos a ter cada vez mais atitudes políticas”, escreveu mais tarde o tenente José Wilson da Silva, que na época primeiro sargento do Depósito de Material de Engenharia.

“Vários oficiais da Marinha, da Aeronáutica e do Exército que se mobilizaram em defesa da Constituição foram presos e depois liberados. Posteriormente, em 1964, foram cassados.”

Este documento do Ministério do Exército de 1970 lista cidadãos que foram banidos do Brasil
Image captionO AI-5 levou artistas, intelectuais, políticos e também militares a se exilarem do país

O tenente foi eleito vereador em Porto Alegre em 1964, mas como estava ameaçado de prisão, fugiu para o Uruguai. Foi cassado e só conseguiu a reintegração ao Exército em 1980 após a lei da Anistia – ele retornou com o posto de capitão da reserva.

O marechal Lott, enterrado sem honras militares

O marechal Henrique Teixeira Lott também estava entre os que sofreram por conta de seu posicionamento em defesa da democracia em 1961.

Lott já estava na reserva e havia inclusive concorrido à presidência pela coligação PTB/PSD em 1960, quando foi derrotado por Jânio Quadros. Anticomunista e nacionalista, tinha postura legalista abertamente conhecida.

Diante da renúncia do adversário, no ano seguinte, e do perigo de golpe, ele fez um pronunciamento às Forças Armadas , transmitido pelo rádio, que falava da intenção do ministro da Guerra de impedir que João Goulart entrasse no exercício de suas funções.

“Mediante ligação telefônica, tentei demover aquele eminente colega da prática de semelhante violência, sem obter resultado”, dizia o Marechal Lott. “Sinto-me no indeclinável dever de manifestar o meu repúdio à solução anormal e arbitrária que se pretende impor à Nação.”

O marechal Lott
Image captionQuando morreu, em 1984, o marechal Lott foi enterrado sem honras militares

“Dentro dessa orientação, conclamo todas as forças vivas do país, as forças da produção e do pensamento, dos estudantes e intelectuais, dos operários e o povo em geral, para tomar posição decisiva e enérgica no respeito à Constituição e preservação integral do regime democrático brasileiro, certo ainda de que os meus camaradas das Forças Armadas saberão portar-se à altura das tradições legalistas que marcam sua história no destino da Pátria.”

Esse pronunciamento o levou à prisão, onde ficou por 15 dias. Após o golpe de 1964, ele foi impedido de de lançar sua candidatura a governador do Rio de Janeiro e retirou-se da vida pública. Quando morreu, em 1984, foi enterrado sem honras militares.

O general Bevilacqua, que chamava o golpe de “revolução”

O general Pery Constant Bevilacqua ainda estava na ativa em 1968, quando o regime militar decretou o AI-5.

Embora tenha sido um dos generais contrários ao golpe de 1964, até o fim da vida chamava o episódio de “revolução”. Era do grupo que acreditava que os militares deveriam devolver o governo aos civis após livrar o país do que afirmava ser uma “ameaça comunista”.

Muito católico, ideologicamente de direita, anticomunista convicto, se opôs firmemente ao endurecimento do regime em 1968.

Queria evitar que o regime “se comprometesse irremediavelmente e se afogasse na ignomínia de um hediondo crime de sangue e destruição”, conforme declarou mais tarde em uma entrevista à escritora Maria Rita Kehl e ao jornalista Inimá Simões . Ele se referia aos ataques a bomba planejados por militares, que pretendiam culpar os comunistas e obter apoio para se manter no poder.

O general Pery Constant Bevilacqua
Image captionO general Bevilacqua foi cassado após se opor ao AI-5

Foi cassado logo depois do ato institucional, pouco tempo antes de se aposentar. Em 1977, se filiou ao MDB e passou a fazer campanha pela anistia.

“O AI-5 foi o maior erro jamais cometido em nosso país e comprometeu os ideais do movimento de 31 de março”, afirmou o general na mesma entrevista.

“Os fatos levam à conclusão de que será sempre preferível suportar um mau governo a fazer uma boa revolução. A terapêutica revolucionária agrava os males do doente -a democracia- quando não o mata. Mais de três quartos de século de vida me permitem essa conclusão definitiva.”

A BBC News Brasil procurou o Ministério da Defesa para falar sobre as medidas de reintegração tomadas após a redemocratização, mas a pasta não se pronunciou até a publicação desta reportagem.

A fome e seu processo histórico no Brasil


A fome é resultado da falta de alimentos e atinge um número muito alto de pessoas, tanto no Brasil, quanto no mundo. Embora o país avance em termos econômicos, sociais e tecnológicos, a alta concentração de renda na mão de poucos gera uma má distribuição de comida que afeta toda a população.

A situação de fome e pobreza no Brasil não é algo recente. Esse problema tem suas raízes no processo histórico e político da formação do país. A partir do momento em que os europeus colonizaram o Brasil, a concentração da riqueza das colônias nas mãos de poucos proprietários se mostrou visível junto com o trabalho escravo. Diante deste quadro, os nativos perderam suas terras e foram obrigados a trabalhar muito para ganhar pouco, ou muitas vezes nada para sua subsistência. Nesse sentido, as pessoas se viram em uma situação em que não tinham terra para plantar alimento nem meios financeiros para obtê-lo.

“Tivemos aqui uma ocupação européia que se deparou com um povo que tinha uma forma de vida própria. Esses povos até hoje vivem dizendo que não entendem a forma como os colonizadores invadiram o país e modificaram tudo que se construiu aqui a partir da colonização”, afirma Ivo Poletto, assessor externo da Cáritas Brasileira. Do ponto de vista desses povos, tudo o que os europeus fizeram foi uma agressão à natureza, feita em benefício dos próprios. “Nós temos como consequência disso um mundo que passa por revoluções constantes na capacidade de produzir, mas ao mesmo tempo concentra cada vez mais aquilo que é produzido. E essa concentração tem como resultado a existência de pobreza e miséria e, inclusive, de morte por fome”, enfatiza Poletto.

A concentração de renda na mão de poucos faz com que os proprietários já não saibam mais o que fazer gerando crises na humanidade inteira devido à especulação de negócios. Tudo isso resulta no aumento do preço dos alimentos e em mais pessoas que não tem condições de acessar os bens necessários para sobreviver. É importante, diante deste quadro, que haja um avanço no reconhecimento dos direitos humanos, definindo e colocando em prática o direito à alimentação, bem como os direitos à moradia e ao trabalho de modo que sejam criadas condições para que as pessoas possam cultivar seu próprio alimento ou ter meios para garanti-lo.

A fome e a pobreza foram produzidas e estão sendo alimentadas pelo próprio sistema. Entretanto, temos em nosso país, condições de mudanças e transformações que sejam estruturais, de modo que abra oportunidades para todas as pessoas, seja no acesso a terra, a um trabalho digno e remunerado, ou na diminuição do custo de vida para os mais pobres. “Desta forma, o Estado se tornaria indutor, de fato, da distribuição da produção geral de comida, e não um aliado à concentração da riqueza na mão de poucos”, finaliza.

por Tanara Adriano, da assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira | Secretariado Nacional

Hitler odiava comunistas e socialistas


HITLER CHAMAVA DE IDIOTA QUEM CONFUNDIA O NAZISMO COM ESQUERDA

No Mein Kampf, publicado pela primeira vez há 94 anos, o ditador escreveu que não gostava de quem dizia isso, achando cômico o deslize

ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 18/07/2019, ÀS 09H00

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Crédito: Reprodução

Qualquer um que já leu uma obra ou um discurso de Hitler sabe seus profundo ódio anticomunista. Para o ditador, o marxismo e as ideologias de classe deveriam ser exterminadas para que se implantasse um sistema verdadeiramente nacionalista, racista e corporativista, associado à ideologia de direita.

Porém, mesmo em sua época, muitos confundiam as políticas corporativas e autocráticas da proposta nazista com lógica comunitarista e planificadora do comunismo marxista.

Para Hitler, essa confusão era, no mínimo, hilária — em especial a falta de percepção e a deslealdade argumentativa dessa assertiva. Ele chegou a escrever em seu best-seller Minha Luta: “Quantas boas gargalhadas demos à custa desses idiotas e poltrões burgueses, nas suas tentativas de decifrarem o enigma da nossa origem, nossas intenções e nossa finalidade!

A cor vermelha de nossos cartazes foi por nós escolhida, após reflexão exata e profunda, com o fito de excitar a esquerda, de revoltá-la e induzi-la a frequentar nossas assembleias; isso tudo nem que fosse só para nos permitir entrar em contato e falar com essa gente.”

Camisas pardas protestam: Morte ao Marxismo / Crédito: Reprodução

Os ideais comunistas presentes na retórica marxista eram de total repulsa para o político austro-alemão. Toda a proposta globalista e estritamente associada à vontade pela igualdade entre todos, como defendem os bolchevistas, ou mesmo as iniciativas ainda nacionalistas da atuação dos sociais-democratas na política alemã eram completamente incompatíveis com o mundo hierárquico e verticalmente organizado defendido pelos nazistas.

Mesmo que as principais experiências do socialismo real tenham sido tão autoritárias quanto a ditadura nazista.

Essa posição fica bastante clara no capítulo A Luta com os Vermelhos, em que Hitler analisa a relação ideal a se estabelecer entre o povo alemão e as ideologias classistas de esquerda, colocando a necessidade do combater o marxismo impregnado na sociedade alemã.

O autor denuncia a confusão criada entre o Partido Nazista e os próprios inimigos da esquerda. Achava que isso era resultado de um pensamento superficial e incapaz de maior complexidade, que seria normal entre burgueses comuns, distantes da realidade política séria. Hitler descreve também o choque causado nessa burguesia pelo uso do vermelho pelos nazistas.

Livrar a Alemanha do Marxismo, faixa de comício nazista / Crédito: Reprodução

A posição era igual a de seu braço direito durante o regime, Josef Goebbels, num livreto de propaganda em 1926, quando o publicitário e político afirmou que o marxismo teria teorias fatais para os povos e raças, sendo por isso “exatamente o oposto do [nacional] socialismo”.

Hitler, assim como Goebbles, situa o marxismo como uma doença degenerada ou uma praga destrutiva contra o cidadão alemão. Hitler defendia o aniquilamento dos socialistas, anarquistas e esquerdistas em geral.

Toda sua obra e vida política foram marcadas pela busca de extermínio do mal marxista. Do mesmo modo, durante o governo de Hitler (1939-1945), milhões de membros de movimentos de esquerda foram mortos ou torturados nos campos.

Fonte: Aventuras na História

MPB / João Gilberto é resultado de uma longa história


MPB – Música Popular Brasileira

Podemos dizer que a MPB surgiu ainda no período colonial brasileiro, a partir da mistura de vários estilos. Entre os séculos XVI e XVIII, misturou-se em nossa terra, as cantigas populares, os sons de origem africana, fanfarras militares, músicas religiosas e músicas eruditas europeias. Também contribuíram, neste caldeirão musical, os indígenas com seus típicos cantos e sons tribais.

Nos séculos XVIII e XIX, destacavam-se nas cidades, que estavam se desenvolvendo e aumentando demograficamente, dois ritmos musicais que marcaram a história da MPB: o lundu e a modinha. O lundu, de origem africana, possuía um forte caráter sensual e uma batida rítmica dançante. Já a modinha, de origem portuguesa, trazia a melancolia e falava de amor numa batida calma e erudita.

Na segunda metade do século XIX, surge o Choro ou Chorinho, a partir da mistura do lundu, da modinha e da dança de salão europeia. Em 1899, a cantora Chiquinha Gonzaga compõe a música Abre Alas, uma das mais conhecidas marchinhas carnavalescas da história.

Já no início do século XX começam a surgir as bases do que seria o samba. Dos morros e dos cortiços do Rio de Janeiro, começam a se misturar os batuques e rodas de capoeira com os pagodes e as batidas em homenagem aos orixás. O carnaval começa a tomar forma com a participação, principalmente de mulatos e negros ex-escravos. O ano de 1917 é um marco, pois Ernesto dos Santos, o Donga, compõe o primeiro samba que se tem notícia: Pelo Telefone. Neste mesmo ano, aparece a primeira gravação de Pixinguinha, importante cantor e compositor da MPB do início do século XIX.

Com o crescimento e popularização do rádio nas décadas de 1920 e 1930, a música popular brasileira cresce ainda mais. Nesta época inicial do rádio brasileiro, destacam-se os seguintes cantores e compositores: Ary Barroso, Lamartine Babo (criador de O teu cabelo não nega, entre outras marchinhas de carnaval), Dorival Caymmi, Lupicínio Rodrigues e Noel Rosa. Surgem também os grandes intérpretes da música popular brasileira: Carmen Miranda, Mário Reis e Francisco Alves.

Na década de 1940 destaca-se, no cenário musical brasileiro, Luis Gonzaga, o “rei do Baião”. Falando do cenário da seca nordestina, Luis Gonzaga faz sucesso com músicas como, por exemplo, Asa Branca e Assum Preto.

Enquanto o baião continuava a fazer sucesso com Luis Gonzaga e com os novos sucessos de Jackson do Pandeiro e Alvarenga e Ranchinho, ganhava corpo um novo estilo musical: o samba-canção. Com um ritmo mais calmo e orquestrado, as canções falavam  principalmente de amor. Destacam-se neste contexto musical: Dolores Duran, Antônio Maria, Marlene, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Angela Maria e Caubi Peixoto.

Em fins dos anos 50 (década de 1950), surge a Bossa Nova, um estilo sofisticado e suave. Destaca-se Elizeth Cardoso, Tom Jobim e João Gilberto. A Bossa Nova leva as belezas brasileiras para o exterior, fazendo grande sucesso, principalmente nos Estados Unidos.

A televisão começou a se popularizar em meados da década de 1960, influenciando na música. Nesta época, a TV Record organizou o Festival de Música Popular Brasileira. Nestes festivais são lançados Milton Nascimento, Elis Regina, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Edu Lobo. Neste mesmo período, a TV Record lança o programa musical Jovem Guarda, onde despontam os cantores Roberto Carlos e Erasmo Carlos e a cantora Wanderléa.

Na década de 1970, vários músicos começam a fazer sucesso nos quatro cantos do país. Nara Leão grava músicas de Cartola e Nelson do Cavaquinho. Vindas da Bahia, Gal Costa e Maria Bethânia fazem sucesso nas grandes cidades. O mesmo acontece com DJavan (vindo de Alagoas), Fafá de Belém (vinda do Pará), Clara Nunes (de Minas Gerais), Belchior e Fagner (ambos do Ceará), Alceu Valença (de Pernambuco) e Elba Ramalho (da Paraíba). No cenário do rock brasileiro destacam-se Raul Seixas e Rita Lee. No cenário funk aparecem Tim Maia e Jorge Ben Jor.

Outros caminhos da música brasileira

Nas décadas de 1980 e 1990 começam a fazer sucesso novos estilos musicais, que recebiam fortes influências do exterior. São as décadas do rock, do punk e da new wave. O show Rock in Rio, do início dos anos 80, serviu para impulsionar o rock nacional.Com uma temática fortemente urbana e tratando de temas sociais, juvenis e amorosos, surgem várias bandas musicais. É deste período o grupo Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Titãs, Kid Abelha, RPM, Plebe Rude, Ultraje a Rigor, Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii, Ira! e Barão Vermelho. Também fazem sucesso: Cazuza, Rita Lee, Lulu Santos, Marina Lima, Lobão, Cássia Eller, Zeca Pagodinho e Raul Seixas.

Os anos 90 também são marcados pelo crescimento e sucesso da música sertaneja ou country. Neste contexto, com um forte caráter romântico, despontam no cenário musical : Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo e João Paulo e Daniel.

Nesta época, no cenário rap destacam-se: Gabriel, o Pensador, O Rappa, Planet Hemp, Racionais MCs e Pavilhão 9.

O século XXI começa com o sucesso de grupos de rock com temáticas voltadas para o público jovem e adolescente. São exemplos: Charlie Brown Jr, Skank, Detonautas e CPM 22.
http://www.suapesquisa.com/mpb/

A história contada por igrejas do período colonial em Recife/PE


As igrejas barrocas do Recife fazem parte do grupo seleto dos melhores exemplos de arquitetura barroca no Brasil, vestígios do glorioso passado da cidade, apesar de nunca ter sido sede do poder real, como Salvador e Rio. Muitas vezes esse valioso acervo, espalhado pelas ruas e pátios do centro, passa despercebido pelo turista que, geralmente, articula a visita entre o Recife Antigo, Instituto Brennand e as praias. 

Mas um roteiro a pé entre as belíssimas igrejas barrocas do Recife é um passeio imperdível que narra um dos mais interessantes períodos da história da capital pernambucana (além de ser rápido e fácil de organizar).

As igrejas barrocas do Recife

O barroco religioso é o marco arquitetônico do centro histórico e conta, ainda hoje, com importantes igrejas e conventos relativamente bem conservados, muitos deles tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Aqui abro parênteses: o centro de Recife foi vítima de um processo de “modernização” sem critérios ocorrido em meados do século 20 que levou à descaracterização e ao abandono do acervo histórico, aliás, já parcialmente destruído durante a guerra com os holandeses.

Esse é um dos principais motivos que impediram a atribuição do título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

As igrejas barrocas do Recife, como o barroco brasileiro em geral, não seguem à risca o estilo português. O barroco pernambucano é o resultado daquela “miscigenação” cultural e artística que já caracterizava a região em meados do século 17. O barroco foi, na prática, o estilo da reconstrução da cidade depois da devastante guerra contra os holandeses.

O roteiro a pé

As igrejas barrocas da cidade são muitas mas para facilitar o passeio eu inclui somente uma parte delas, localizadas a pouca distância umas das outras.

O ponto de largada do itinerário é o histórico bairro de Santo Antônio, exatamente no conjunto arquitetônico formado pela Basílica e do Convento de Nossa Senhora do Carmo, a padroeira da cidade. A igreja, construída entre os séculos 17 e 18, fica na Avenida Dantas Barreto, no Pátio do Carmo, tristemente conhecido como o local onde ficou exposta a cabeça degolada de Zumbi dos Palmares.

Basílica de Nossa Senhora do Carmo

Detalhe da fachada da basílica de Nossa Senhora do Carmo


O convento, ao lado da igreja, além de monumento histórico é um importante marco simbólico da cidade porque ali fez seus votos religiosos o grande Frei Caneca, religioso e líder da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador.

Ao lado, fica a Igreja de Santa Teresa D’Ávila da Ordem Terceira do Carmo, menor e mais recuada em relação à Basílica, quase escondida pelas imponentes palmeiras. Apesar de pequena, a igreja é muito conhecida graças ao conjunto de 68 painéis que ornamentam o teto e as paredes da nave principal. Os painéis, pintados pelo pernambucano João de Deus Sepúlveda, narram a vida de Santa Teresa e são considerados entre os mais importantes do mundo.

Continuando na Avenida Dantas Barreto, direção Avenida dos Guararapes, encontra-se a belíssima Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, um dos templos mais amados pelos recifenses. Em estilo barroco colonial, foi concluída no fim do século 18. Merecem destaque os ornamentos da fachada em arenito dos arrecifes. Em janeiro de 2018, estava em reforma.

Em reforma encontra-se também a maravilhosa Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares na Rua Nova, perto da Matriz de Santo Antônio. Apesar da fachada sem rebusques, o interior é ricamente decorado.

igrejas barrocas do Recife

A belíssima Igreja de Santo Antônio


A próxima parada será em um dos complexos arquitetônicos mais importantes da capital pernambucana (e do Brasil colonial). Sempre em frente pela Av. Dantas Barreto, vire a direita na Rua Siqueira Campos, sem perder os vestígios de um conjunto de antigos edifícios coloniais, até chegar à Rua do Imperador.

Logo no início encontram-se a Capela Dourada da Ordem Terceira do SãoFrancisco, o templo barroco-rococó famoso pelas paredes completamente entalhadas e cobertas de ouro, e a Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco.

Leia mais aqui no blog | A Capela Dourada

capela dourada

A capela dourada


Ao lado, separados da capela por uma grade de ferro, ficam a Igreja e o Convento Franciscano de Santo Antônio. O convento é uma das obras mais antigas do Recife, construída em 1606. A igreja, em estilo rococó, fica ao lado do Convento e foi construída no século XVIII. Imperdível é o precioso conjunto de azulejos portugueses e holandeses da época colonial.

Leia mais no blog | Igreja e Convento de Santo Antônio

Igreja de Santo Antônio

O claustro azulejado da Igreja de Santo Antônio


Quem tiver tempo pode esticar o passeio até a Praça da República, no fim da Rua do Imperador, e conhecer o Palácio da Justiça e os belíssimos Teatro Santa Isabel e o Palácio do Campo das Princesas.

Ou então, voltar pela Rua do Imperador até a Praça 17, onde fica a Igreja do Divino Espírito Santo, construída em meados do século 17 como templo dos calvinistas franceses durante o domínio holandês. Depois da reconquista, a igreja foi doada aos jesuítas. Que também foram expulsos do Brasil.  Depois de muitos anos de abandono, no final do século 18 foi finalmente reaberta ao público.

Bem perto dali, fica a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, uma das minhas preferidas. Durante a minha infância, sempre passava com minha mãe na frente da igreja porque ela adorava umas lojas de tecidos que ficavam nas redondezas. Hoje o centro do Recife não é mais como antigamente. As lojas não existem mais. No entanto, a igreja ainda está lá, bonita como sempre em estilo barroco rococó. Era o templo da Irmandade dos Homens Pretos do Recife.

Estamos quase no fim, faltam somente duas paradas para fechar o itinerário. Passando pela Rua Duque de Caxias e depois pela Rua Direita, chega-se à Igreja de Nossa Senhora do Livramento, no Pátio do Livramento. Mais modesta do que as outras porque as várias reformas mudaram o estilo original. Mas merece um pit-stop porque forma um conjunto gracioso com as casinhas em estilo eclético do Pátio do Livramento, um dos poucos sobreviventes da “urbanização” do centro.

Um pouco mais na frente, passando por umas ruelas estreitas, típicas do centro recifense, você vai chegar à  monumental Catedral de São Pedro dos Clérigos e ao famoso Pátio de São Pedro com suas casinhas coloniais. Imperdível a pintura do forro da nave da igreja, realizada por João de Deus Sepúlveda em meados de 1700.

O itinerário das igrejas barrocas do Recife acaba aqui mas quem tiver tempo pode esticar até o Mercado São José ou até o Forte das Cinco Pontas. Ou ainda, ir até o Recife Antigo visitar a Igreja Madre de Deus.

A pergunta clássica que não pode ficar sem resposta: é perigoso passear a pé no centro? Depende, como em qualquer cidade grande brasileira…infelizmente. Precisa prestar atenção e não dar uma de turista descuidado.

Aí vão alguns truques que ajudam a evitar situações desagradáveis.

  • programar o passeio nas horas de maior movimento, durante o horário comercial;
  • evitar ruas desertas e escuras;
  • não usar joias;
  • não ficar parad@ horas na frente dos monumentos para conseguir bater aquela foto maravilhosa para colocar no Instagram kkkk;
  • contratar exclusivamente guias credenciados pela Prefeitura ou pelo Governo do Estado.

Bom passeio!

Catedral de São Pedro

A verticalidade da Catedral de São Pedro dos Clérigos


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Breve História do Café


História do Café no Mundo

O café é uma planta originária do continente africano, das regiões altas da Etiópia (Cafa e Enária), onde ocorre espontaneamente como planta de sub-bosque. A região de Cafa pode ser a responsável pelo nome café. Segundo uma das “lendas” da descoberta do cafeeiro, um pastor etíope foi quem percebeu que algumas de suas cabras mudaramseu comportamento após fazer uso de folhas da planta de café em sua alimentação, influenciando no comportamento de monges que o observaram.

Da Etiópia foi levado para a Arábia. Os árabes tentaram manter o privilégio, pois foram os primeiros a cultivar essa planta “milagrosa” que assumia grande importância social devido ao seu uso na medicina da época para a cura de diversos males. Da Arábia o café foi levado primeiramente para o Egito no século XVI e logo depois para Turquia. Na Europa, no século XVII, foi introduzido na Itália e na Inglaterra. O café era consumido por diversas classes sociais, inclusive por intelectuais. Logo depois passou a ser consumido em vários outros países europeus, chegando à França, Alemanha, Suíça, Dinamarca e Holanda.

Seguindo sua marcha de expansão pelo mundo, o café chegou nas Américas e nos Estados Unidos, atualmente o maior consumidor e importador mundial de café. Foram os holandeses que disseminaram o café pelo mundo. Inicialmente transformaram suas colônias nas Índias Orientais em grandes plantações de café e junto com franceses e portugueses transportaram o café para a América.

Café no Brasil

Na Guiana Holandesa (hoje Suriname), foram introduzidas mudas do Jardim Botânico de Amsterdã. Chegou à Guiana Francesa através do Governador de Caiena que conseguiu, de um francês chamado Morgues, algumas sementes semeando-as no pomar de sua residência. A partir desse plantio o Sargento Francisco de Mello Palheta transportou para o Brasil, para a cidade de Belém (Pará) em 1727, algumas sementes e plantas ainda pequenas. Em Belém, a cultura não foi muito difundida. Foi levada nos anos seguintes para o Maranhão, chegando à Bahia em 1770. No ano de 1774 o desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe do Maranhão para o Rio de Janeiro algumas sementes que foram semeadas na chácara do Convento dos Frades Barbadinos. Então espalhou-se pela Serra do Mar, atingindo o Vale do Paraíba por volta de 1820. De São Paulo, foi para Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.No Brasil, o desenvolvimento da cultura confunde-se com a própria história do País devido a sua grande importância econômica e social (o “Ciclo do Café”).
1820: A partir dessa década, o Brasil passou a ser considerado exportador de café com exportações contínuas do produto, provenientes do Vale do Paraíba-SP, Araxá-MG e Goiás.
1845: O Brasil produz 45% do café mundial.
1857: Elevação dos preços internacionais devido à recuperação da economia européia e redução da oferta de café brasileiro, devido ao ataque do inseto “bicho mineiro” nas lavouras e pela limitação de mão-de-obra escrava (lei Eusébio de Queiroz). Os preços tiveram uma elevação de 50%, o que causou grande expansão da produção nos anos seguintes.
1865: Os preços caíram devido à diminuição das exportações para os Estados Unidos, que enfrentavam a Guerra de Secessão.
1906: O mercado sofre a primeira grande intervenção do governo motivada pelos preços baixos que mal cobriam os custos da colheita. O estoque já era grande em 1902 e a expectativa de grande colheita para 1906, com cerca de 17 milhões de sacas, quando o consumo mundial era de apenas 20 milhões, provocaram baixa nos preços. A intervenção ocorreu no dia 26 de fevereiro de 1906, quando os governantes de São Paulo e Minas Gerais assinaram o “Convênio de Taubaté”. Fixou-se um preço mínimo do café e o plantio de novas lavouras foi proibido.
1918: Grande geada reduziu a produção brasileira causando elevação de preços.
1932: Queima de estoques devido à superprodução. Os estoques chegaram a 33,5 milhões de sacas e até 1944 foram incineradas mais de 78 milhões de sacas. Proibição de novos plantios de café.
1939 a 1945: A segunda guerra mundial causou queda nos preços internacionais do produto.
1945/54: Melhoria dos preços após a guerra incentivou novos plantios.
1955: Superprodução de 22 milhões de sacas.
1962/67: Erradicação de 2 bilhões de pés de café. Em 1964, a retenção de estoques chegou a 48 milhões de sacas, como tentativa de elevação dos preços que estavam muito baixos.
1969: Geada no Paraná destruiu cerca de 80% da safra seguinte causando elevação dos preços.
1970: O Governo Federal lança o plano de renovação dos cafezais. Oferece financiamento farto, estimulando principalmente os Estados do centro-sul (regiões Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba), a aumentarem o parque cafeeiro.
1977: Preços altos devido à geada em 1975, que dizimou a cafeicultura no sul do País, com maiores efeitos no Paraná. Ocorrência da doença “ferrugem alaranjada do cafeeiro”, que foi se agravando desde a sua introdução no Brasil em 1970. Nessa época os preços do café tiveram seus valores mais altos da história, cerca de 400 dólares por saca.
1986: Longo período de seca e esgotamento dos cafeeiros no centro-sul do país provoca forte elevação dos preços. Com esse aumento do preço, as cláusulas do Acordo Internacional do Café deixaram de funcionar. Começa a operar o mercado livre no exterior, resultando em queda do preço, após curto período de elevação.
1987: Renovação do Acordo Internacional do Café e, apesar dos preços em baixa, houve tendência de estabilização (120 a 140 cents de dólar por libra peso).
1989: Término do Acordo Internacional do café.
1991/93: Fase de preços muito baixos, chegando a menos de 40 dólares em determinados períodos. Houve grande erradicação de lavouras no centro-sul do Brasil e o abandono das lavouras por grande parte daqueles que permaneceram na atividade.
1994: Ocorrência de duas fortes geadas que atingiram grandes áreas produtoras no Brasil. Praticamente todo o Estado do Paraná, boa parte do Estado de São Paulo e áreas consideráveis do Sul de Minas Gerais tiveram suas lavouras seriamente atingidas. Um longo período de seca após as geadas atrasa ainda mais a recuperação das lavouras. Os preços sofreram altas históricas, chegando a ultrapassar 200 dólares/saca.
1995: Grande redução da produção brasileira (cerca de 12 milhões de sacas), resultado das geadas em 1994. O preço cai um pouco, estabilizando entre 150 e 180 dólares/saca em razão dos compradores internacionais operarem com estoques mínimos.
1996: O Governo Federal cria o Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC), constituído por doze membros, dos quais seis representam o governo e seis o setor privado: CNC (02), CNA (01), FEBEC (01), ABIC (01) e ABICS (01).
2001: O preço do café atinge menos de $35/saca, um dos preços mais baixos da historia.
2011: O preço do café mais do que dobra entre 2010 e 2011, alcançando $350/saca em março de 2011, um recorde de mais de 30 anos. Esse aumento se deve principalmente à forte redução do estoque dos países consumidores e problemas na safra de alguns dos principais países produtores como a Colômbia. O fato de 2011 ser o ano de baixa da safra brasileira, devido à bianualidade da produção, ajuda na alta dos preços.

Benefícios do Café. Saiba mais aqui

Fonte: Clube do Café

História de culinária junina


Festa junina é aula de gastronomia e história

Tradição, desde a colonização do Brasil, alimenta os arraiás até hoje

Publicado em 26/06/2019 – 07:00

Por Gilberto Costa – Repórter da Agência BrasilBrasília

Arroz Maria Isabel e bolo de fubá.

Um passeio entre as barracas de comida dos “arraiás” juninos pode render algumas calorias e, aos glutões caipiras mais curiosos, algum conhecimento sobre a formação cultural brasileira e a nossa culinária.

Quem explica é a professora de gastronomia Luiza Buscariolli, que leciona no Senac-DF e no UniCeub e ensinou aos leitores da Agência Brasildois pratos típicos do São João. Segundo ela, os quitutes guardam a história dos portugueses e dos povos ameríndios que habitavam o país antes dos nossos colonizadores.

Professora de gastronomia Luiza Buscariolli

Professora de gastronomia Luiza Buscariolli – Agência Brasil/Marcello Casal Jr

“A gente sabe que havia algumas festas neste mês de junho que os indígenas faziam. Quando os jesuítas estiveram no Brasil [a partir de 1549], aproveitaram dessas festas para trazer a tradição [europeia] de festas juninas, que por sua vez eram uma apropriação das antigas festas pagãs por causa do solstício de verão, que no hemisfério sul é solstício de inverno”, revela.

Enquanto prepara uma porção do prato Maria Isabel, comida típica da região hoje conhecida como o Estado do Piauí, que mistura arroz com carne-de-sol, Buscariolli lembra que a iguaria guarda relação com o ciclo de gado iniciado pelos portugueses no Brasil (século 16). A atividade pecuária foi introduzida por Tomé de Souza, primeiro governador-geral (1549 a 1553) ainda no tempo das capitanias hereditárias, para transporte e alimentação.

O prato Maria Isabel, assim como a paçoca de carne de sol também do Nordeste; o arroz carreteiro (com charque ou carne seca) do Sul e o feijão tropeiro (com torresmo e linguiça) dos sertões de São Paulo, Minas Gerais e Goiás (esse no século 17), são comidas que podiam ser armazenadas e transportadas em longas viagens.

“A lógica é tudo seco, porque se conseguia colocar em uma bolsa [de couro]”. Na hora da fome, a carne era picada e misturada. “Podiam usar água para fazer reidratação”, assinala a professora de gastronomia.

Além da proteína animal, outros ingredientes desses pratos compõem nossa história. O arroz, do Maria Isabel, foi trazido da Ásia pelos colonizadores portugueses. A farinha de mandioca tem origem indígena, e o feijão, ingerido pelo homem desde a antiguidade, tem espécies autóctones no Brasil e outros países americanos.

Assim como a mandioca, usada na produção da farinha e do beiju, os indígenas trouxeram ao cardápio junino os pratos a base de milho. Iguarias provadas durante as festas, como a espiga cozida, curau, pamonha e canjica foram ensinados aos colonizadores pelos indígenas.

“Para os portugueses, milho era comida de animal. Foi muito difícil aceitarem. Passaram a comer porque não tinha outra coisa”, explica Luiza Buscariolli ao preparar um bolo de milho com goiabada para a Agência Brasil.