Estado Mínimo / Agora que estão cortando verbas públicas até de remédio, vale saber o que é.


Concepção fundada nos pressupostos da reação conservadora que deu origem ao neoliberalismo. A idéia de Estado Mínimo pressupõe um deslocamento das atribuições do Estado perante a economia e a sociedade. Preconiza-se a não-intervenção, e este afastamento em prol da liberdade individual e da competição entre os agentes econômicos, segundo o neoliberalismo, é o pressuposto da prosperidade econômica. A única forma de regulação econômica, portanto, deve ser feita pelas forças do mercado, as mais racionais e eficientes possíveis. Ao Estado Mínimo cabe garantir a ordem, a legalidade e concentrar seu papel executivo naqueles serviços mínimos necessários para tanto: policiamento, forças armadas, poderes executivo, legislativo e judiciário etc. Abrindo mão, portanto, de toda e qualquer forma de atuação econômica direta, como é o caso das empresas estatais. A concepção de Estado mínimo surge como reação ao padrão de acumulação vigente durante grande parte do século XX, em que o Estado financiava não só a acumulação do capital, mas também a reprodução da força de trabalho, via políticas sociais. Na medida em que este Estado deixa de financiar esta última, torna-se, ele próprio, “máximo” para o capital. O suporte do fundo público (estatal) ao capital não só não deixa de ser aporte necessário ao processo de acumulação, como também ele se maximiza diante das necessidades cada vez mais exigentes do capital financeiro internacional.

Para o seu estudo é fundamental a consulta às obras de István Mészaros, Para além do capital (2002); Francisco de Oliveira, Os direitos do antivalor (1998).

Sobre o impacto da concepção de Estado mínimo nas políticas educacionais no Brasil, ver Pablo Gentili e Tomaz Tadeu da Silva (orgs.) Neoliberalismo, qualidade total e educação (1994)Escola S.A.: quem ganha e quem perde no mercado educacional do neoliberalismo (1996); Pablo Gentili (Org.), Pedagogia da exclusão: o neoliberalismo e a crise da escola pública (1995)Universidades na penumbra: neoliberalismo e reestruturação universitária (2001); Marilena Chauí, Escritos sobre a universidade (2001); João dos Reis Silva Jr., Reforma do Estado e da educação no Brasil de FHC (2002).


[1]Verbete elaborado por Lalo Watanabe Minto 

Pequena história do fascismo no Brasil


Fasci Italiani del’ Estero, na Itália, no Brasil e em São José do Rio Pardo

No início da Primeira Guerra (1914-1918), a Itália, embora pertencendo à Tríplice Aliança (Alemanha, Austria-Hungria e Itália), omitiu-se, alegando que seu compromisso na participação do conflito só se daria se a Áustria e Alemanha fossem agredidas. Entrou na Guerra em 1915, a favor dos aliados (Inglaterra, França, Rússia), pensando na partilha das colônias alemãs na África, segundo promessas inglesas.

Aos 11 de novembro de 1918, os representantes do Governo Provisório alemão assinaram o armistício que marcou o fim da guerra..

No final de 1918, os princípios liberais e democráticos pareciam vitoriosos e consolidados: desapareceram impérios e o regime republicano triunfou. Não durou muito.

A crise que se alastrou pela Europa do entre-guerras provocou intranqüilidade e conflitos sociais, fortalecendo ideias revolucionárias que explodiam. Socialistas culpavam o sistema capitalista pela crise e pelo agravamento de problemas sociais, pregando a revolução, que democratizaria os meios de produção. Os governos europeus, principalmente os da Itália e Alemanha, mostravam-se incapazes de controlar as crises econômicas, que poderiam levar a uma revolução bolchevista e ao avanço da poderosa força da classe trabalhadora.

Na Itália, a crise se manifestava na inflação, na alta de preços, no desemprego pelo fechamento das indústrias, na desvalorização da lira em mais de 75% e nas greves promovidas pela Confederação Geral do Trabalho (C.G.T.), com ocupações de fábricas no Norte.

As classes dirigente e média sentiam-se ameaçadas. Os capitalistas pediam a implantação da ideologia fascista, com um regime autoritário, o corporativismo, um nacionalismo agressivo procurando novos mercados, a corrida imperialista. Pediam uma autoridade centralizadora que protegesse seus interesses e impedisse o avanço socialista. As indústrias, bancos, financeiras… propuseram sustentar grupos de extrema direita.

Todas essas forças levavam os países à ditadura.

Na Itália, alguns políticos, no final de 1917, constituíram um grupo de união nacional, ou “fascio”, unidos pelo sentimento nacionalista e pelo combate ao socialismo. Esse movimento não vingou, mas a idéia fascista foi encampada por Benito Mussolini (foto).

Fascismo vem da palavra italiana fascio, traduzida por feixe; feixes de varas carregadas pelos lictores, oficiais romanos que, ocasionalmente, guardavam neles seus machados. Esses lictores marchavam à frente dos principais magistrados da antiga Roma, cônsules e pretores, tendo a função de afastar, talvez com as varas, a multidão.

O “Fascio”:
símbolo do fascismo

Benito Mussolini viu nesse feixe o emblema do fascismo, símbolo da unidade, da força, da justiça.

Segundo o Novo Dicionário Aurélio, Fascismoé um“Sistema político nacionalista, imperialista, antiliberal e antidemocrático, liderado por Benito Mussolini (1883-1945) na Itália, e que tinha por emblema o feixe (em it., fascio) de varas dos antigos lictores romanos.”

Em 1920, grupos armados, conservadores e insatisfeitos, liderados por Mussolini, partiram para a contra-ofensiva, praticando “investidas punitivas” contra os socialistas.

Usando “Camicie neri” (camisas negras), simbolizando o luto da Itália e subvencionados por setores conservadores, os fascistas obedeciam cegamente a Mussolini, o Duce(Comandante), que almejava o poder. Em 1922, depois de uma marcha fascista sobre Roma, liderada pelo “Duce”, o rei Vittorio Emanuele III o convocou para chefiar o governo.

A Itália, em crise, foi o primeiro país a conhecer o regime fascista (1922 a 1945). O “Duce” governava através de decretos e era assessorado pelo “Grande Conselho Fascista”. “A política econômica, desde 1925, objetivava soerguer o nível de vida da população da ‘Grande Itália’, beneficiando famílias numerosas”. A “Carta do Trabalho” foi promulgada em 1927. Estabeleceu-se o regime de partido único, liderado por Mussolini, em 1929, e empregados e trabalhadores foram organizados em corporações, em 1934. As greves foram proibidas e obras públicas foram implementadas para combate ao desemprego.

A Itália fascista conquistou a Abissínia (hoje, Etiópia), em 1935-36 e, em 1936, aliou-se à Alemanha e ao Japão, também enviando tropas para a Espanha do fascista Francisco Franco…

No Brasil, o fascismo se instalou na comunidade de imigrantes italianos.

Em São Paulo, em 2 de fevereiro de 1923, o italiano Emilio Rochette criou o Partido Fascista, que se expandiu. No mesmo momento, surgiram movimentos antifascistas, unindo democratas, republicanos, socialistas e sem partidos, sob a liderança de outro italiano, Antonio Piccarolo.

O fascismo no Brasil se fortaleceu com a criação da Aliança Integralista Brasileira, com a Revolução de 30 e a ascensão ao poder de Getúlio, com tendências fascistas. Também, muito próxima do fascismo ficou a Constituição e a ideologia do Estado Novo, a partir de 1937.

Fonte: São José online

Geografia / As belas serras do Rio Grande do Norte


Serras potiguares: 15 paraísos que você precisa conhecer!

As regiões serranas estão cada vez mais ganhando destaque no turismo potiguar.

Belas paisagens, boa gastronomia e pousadas charmosas estão no caminho dos amantes da natureza, seja para descansar, apreciar a paisagem, ou para a prática de ecoturismo e esportes radicais as serras potiguares não decepcionam.

Por isso, selecionamos 15 serras potiguares para vocês colocarem na lista de destinos para conhecer antes de morrer.

Confira nossa super listinha de serras potiguares que você precisa visitar:

1. Serras de Martins

Localizada a 380 km de Natal, a uma altitude de mais de 700 metros sobre o nível do mar, Martins se destaca pelas suas paisagens exuberantes e seu clima agradável, com temperatura média de 25°, no verão, e de 18°, no inverno, ideal para quem quer passar o final de semana aconchegante no friozinho da serra.

Foto: Blog Jaldesmar Costa

2. Monte das Gameleiras

Em meio às lindas montanhas da região da Borborema Potiguar, encontra-se o município de Monte das Gameleiras, a 142 km de Natal. Um lugar de paisagens encantadoras, em que as montanhas, o azul do céu e o verde da floresta se encarregam de colorir a paisagem única do lugar. Devido ao seu relevo privilegiado, o local é perfeito para a prática de trekking, cavalgadas, passeios em veículos off road, quadriciclos e motos.

Foto: Carla Belke

3. Serras de Portalegre

Por estar localizada no alto de uma serra, Portalegre atrai visitantes devido às suas atrações naturais, serras exuberantes e mirantes de tirar o fôlego. Seu clima ameno, com temperatura média de 24°, podendo chegar a 17° no inverno, é uma das principais características dessa belíssima região do Alto Oeste potiguar, a 370 km de Natal.

Foto: Fábio Pinheiro

4. Serras de Patu

Na região Oeste, ficam as serras de Patu, a 310 km de Natal.

As serras localizadas no município são muito procuradas pelos praticantes de esportes de aventura, devido à geografia de suas montanhas. Assim, o turista tem a oportunidade perfeita para fazer trilhas, montanhismo, rapel e saltos de asa delta na modalidade parapente, possibilitando a mais completa emoção.

Foto: Tiago Gomes

5. Serra de São Bento

Se você quer lazer e descanso num paraíso rodeado de muita natureza, tranquilidade e de paisagens de tirar o fôlego, não deixe de conhecer a deslumbrante Serra de São Bento, a 130 km de Natal. A exuberância, digna das serras potiguares, alia-se a um clima agradável, com temperaturas entre 16° e 18° graus, no inverno, e em torno dos 19º, no verão. A natureza privilegiada espalha-se por essa região, onde caminhadas, montanhismo, trilhas feitas com veículos OFF Road são os melhores programas.

Foto: Jornal Turismo e Eventos

6. Serra do Cuó

Localizada na cidade de Campo Grande, no Oeste Potiguar, a 265 km de Natal, a Serra do Cuó tem um grande potencial para esportes ao ar livre. A trilha que leva até o ponto mais alto da serra, a aproximadamente 500 metros de altitude, tem em torno de 4 km e é bastante íngreme, mas o esforço é recompensado com uma vista espetacular da região. Você pode acampar no alto da serra, onde poderá observar o pôr ou nascer do sol, uma experiência incrível.

Foto: Antonio Heráclito Costa

7. Serra da Rajada

Essa enorme formação rochosa fica entre os municípios de Carnaúba dos Dantas e Parelhas. A Serra também é bastante procurada pelos amantes de aventura para a prática de trilhas, montanhismo, rapel e escalada. Quando você for à região do Seridó, não deixe de conhecê-la!

Foto: Adriano Santori.

8. Pico do Cabugi

Localiza-se no Parque Ecológico Estadual do Cabugi, na cidade de Angicos (região central), a 141 km de Natal. É o único vulcão extinto do Brasil que ainda mantém a sua forma original, com 590 metros de altitude. O turista pode escalar o Pico, mas é fundamental contratar os serviços de trilheiros, pois a subida é bem íngreme e pode ser arriscada se não forem seguidos os caminhos corretos e tomados os devidos cuidados com as rochas soltas do lugar.

Foto: Pricila Lima/ Muitos Destinos

9. Bico do Papagaio

Formação rochosa de aproximadamente 460 metros de altitude, localizada na cidade de Campo Grande, no Oeste Potiguar, a 265 km de Natal. O local atrai trilheiros em busca de esportes de aventura como o rapel e a escalada. Desde o seu topo, tem-se uma visão incrível da região.

Foto: Francisco V. Souza.

10. Serra Lágea Formosa

Localizada na cidade de São Rafael (região Oeste – microrregião do Vale do Assu), a 210 km de Natal, a Serra de São Rafael nos privilegia com uma vista deslumbrante desde o seu topo. Nela, é possível fazer montanhismo, rapel, dentre outros esportes de aventura.

11. Serras de Acari

Um dos roteiros de aventura e ecoturismo do Seridó, as Serras de Acari (a cidade mais limpa do Brasil), está atraindo os amantes de esportes radicais para a prática de montanhismo e rapel, principalmente as serras que ficam em volta do açude Gargalheiras, região belíssima que vale a pena ser visitada.

Foto: Carlos vinícius

12. Serra de São Bernardo

Localiza-se na cidade de Caicó, na região do Seridó, a 275 km de Natal. Trata-se de uma serra originária de uma ramificação do maciço principal do Planalto da Borborema, que alcança uma altitude de 638 metros, sendo o ponto mais alto da cidade. A Serra é excelente para a prática de trekking, caminhadas, rapel, além de local de observação de pássaros e da flora da Caatinga, vegetação típica da região,proporcionando uma integração total com a natureza.

Foto: Moisés Souto

13. Serra Verde

Situada a 11 km do centro de Cerro Corá, na borda NE da Serra de Santana. A Serra Verde é classificada também como um geossítio (sítio geológico), ou seja, é um local de particular interesse para o estudo da geologia. Isso se deve a singularidade das formações geológicas ou da natureza mineral do subsolo presente na região.

Cerro Corá já é conhecida como “cidade das pedras”, e esse título se torna ainda mais evidente por interessantes formações rochosas que podem ser vistas na região da Serra Verde. Tais como: “Pedra do Tubarão” e “Pedra do Nariz”, além cavidades naturais em rochas chamadas de “Casas de Pedras”.

Lá é possível também encontrar o lajedo do tanque azul. Onde é possível se encantar com poços naturais belíssimos e um sítio arqueológico contendo várias pinturas rupestres bem preservadas que se escondem dentro de uma “Casa de Pedra”.

Foto: Eugênio Oliveira

14. Pico do Totoró

O Pico do Totoró está situado a 10 km do centro de Currais Novos. O acesso ao local se dá através de estradas não pavimentadas que leva ao distrito do Totoró, localidade que deu início a expansão populacional da cidade de Currais Novos.

O pico tem 615 metros de altitude. Seu nome tem origem indígena significa”tororó” – “lugar que tem água” .O local fica próximo a um enorme lajedo e belas paisagens naturais chama atenção pela beleza.O açude público Totoró, fica a 5 km da cidade, é o local perfeito para o banho e a pesca.

Foto: Geoparque Seridó

15. Monte do Galo

O Monte do Galo está situado a 1 km do centro de Carnaúba dos Dantas. O acesso ao local é por estrada pavimentada que leva ao Cruzeiro do Monte do Galo.

Além do ecoturismo e de ser um sítio geológico, a região também atrai muitos visitantes pela fé.

Inaugurado em 1927, o Monte do Galo recebe fiéis em romarias com bênçãos de Nossa Senhora das Vitórias. É um dos principais pontos turísticos religioso do RN. No local há capela, cruzeiro, estátua do galo, sala dos ex-votos e os 12 passos de Cristo ao longo da subida.

Possui altura média de 155 metros, possibilitando o visitante apreciar a vista panorâmica da cidade e das inúmeras serras da região.

Foto: Geoparque Seridó

Algumas dessas dicas foram fornecidas pelo nosso parceiro, o RNatural. Contamos também com informações do Geoparque Seridó

Fonte: Apartamento 702

História da Cachaça


Há evidências de produção de destilados de cana-de-açúcar que remetem a 500 a.C. em Taxila, um sítio arqueológico no Paquistão. Por tanto, podemos dizer que um dos primeiros destilados produzidos foi uma forma rudimentar de cachaça. No entanto, mais importante do que apontar a origem precisa da cachaça, está em explicar quais foram os fatores que levaram ao aumento de sua produção e ao ganho de expressão econômica e cultural.

Uma das versões falsas sobre a origem do destilado brasileiro conta que a cachaça teria surgido em Pernambuco quando um escravo, que trabalhava no engenho, deixou armazenada a “cagaça” – um caldo esverdeado e escuro que se forma durante a fervura do caldo da cana. O líquido fermentava naturalmente e, devido às mudanças de temperatura, evaporava e condensava, formando pequenos pingos de cachaça nos tetos do engenho. Inclusive, a origem do sinônimo “pinga” teria surgido dessa versão popular da origem do destilado – uma fantasia.

Moinho de cana de açúcar – História da Cachaça
De certa forma podemos dizer que a história da cachaça começa quando os portugueses trouxeram ao Brasil a cana-de-açúcar e as técnicas de destilação. Em 1502, as primeiras mudas de cana chegaram ao Brasil, trazidas por Gonçalo Coelho. Em Pernambuco, entre 1516 e 1526, o primeiro engenho de açúcar foi instalado na feitoria de Itamaracá. Nas primeiras décadas de presença portuguesa, o número de engenhos no Brasil se multiplicou rapidamente.

Em 1585 existiam 192 engenhos de açúcar no país; alguns anos depois, em 1629, já eram 349 engenhos em atividade. Algumas hipóteses apontam versões mais assertivas sobre as possíveis origens da primeira aguardente brasileira.

A primeira cachaça teria sido destilada entre 1516 e 1532, em algum engenho do litoral; dentre elas, destacamos três:

em Pernambuco, nas feitorias de Itamaracá, Igarassu e Santa Cruz, entre 1516 e 1526; há registros de importação de açúcar pernambucano para Lisboa em 1526, o que fortalece essa versão;
em Porto Seguro, Bahia, em 1520, onde há indícios da existência de engenho de açúcar;
no litoral de São Paulo, entre 1532 e 1534, no Engenho São Jorge dos Erasmos, também conhecido como Engenho do Governador, um empreendimento de quatro portugueses, entre eles Martim Afonso de Souza, e do holandês Johan van Hielst.
Onde moí um engenho, destila um alambique.” – Luís da Câmara Cascudo. Prelúdio da cachaça p. 86

A versão apresentada pelo historiador Luís da Câmara Cascudo, no seu livro Prelúdio da Cachaça, reforça a tesa de que a primeira cachaça foi destilada por volta de 1532 em São Vicente, onde surgiram os primeiros engenhos de açúcar no Brasil.

Engenho dos Erasmos – História da Cachaça
O Engenho São Jorge dos Erasmos foi doado à
Universidade de São Paulo em 1958. Localiza-se na divisa entre os municípios de Santos e São
Vicente, no estado de São Paulo. É a mais antiga evidência física preservada da colonização
portuguesa em território brasileiro.

Apesar dos indícios de produção de aguardente de cana no século XVI, o primeiro documento que oferece mais informações sobre as origens do destilado nacional é do início do século XVII, na Bahia. Mário Souto Maior registra que no livro de contas do Engenho de Nossa Senhora da Purificação de Sergipe do Conde, entre os dias 21 de junho de 1622 e 21 de maio de 1623, foi relatada no cálculo de despesas “Hua *canada de augoa ardente para os negros da levada por v 480”. A aguardente, um sinônimo de destilado, era fabricada no engenho baiano para o consumo dos escravos africanos.

Mesmo diante da imprecisão de data da primeira destilação no Brasil, é possível afirmar que a cachaça foi o primeiro destilado da América a ser feito em larga escala e ter relevância econômica. A motivação para o sucesso dessa indústria estava baseada na perspectiva colonialista e na economia atrelada ao trabalho escravo.

Com o aumento da demanda de mão de obra para os plantations de cana-de- açúcar nas colônias portuguesas, o comércio de escravos tornou-se para os escravagistas europeus uma importante oportunidade de geração de renda. No fim dos séculos XVI e XVII, num período de escassez de moedas, o comércio de escravos na costa africana era realizado pelo escambo por açúcar, tabaco, tecido, vinho e sobretudo destilados como brandy, rum e cachaça.

Diferentemente da cerveja e do vinho, que estragavam durante as longas viagens marítimas, o alto teor alcoólico dos destilados preservava a bebida e possibilitava o transporte de mais álcool, ocupando, dessa forma, menos espaço nas embarcações.

Apenas na capitania de Pernambuco, o crescimento do número de engenhos foi substantivo, demandando também o aumento pela mão de obra escrava nas lavouras: de 23 engenhos em 1570, aumentaram para 77 em 1608. Os números e os registros de escravos traficados são imprecisos, mas servem para entendermos o papel da cachaça nesse momento histórico. Estima-se que nas últimas décadas do século XVI desembarcaram no Brasil entre 10 mil a 15 mil escravos por ano, vindos principalmente de Guiné, Congo e Angola.

“Quem diz açúcar diz Brasil, e quem diz Brasil diz Angola.” – Padre Antônio Vieira (p.339 Sugar Plantations in the formation of Brazilian Society: Bahia, 1550-1835)

No fim do século XVII, a hegemonia do açúcar brasileiro foi quebrada pela produção na América Central com um produto mais barato e de melhor qualidade, controlado por holandeses expulsos do litoral pernambucano. Por lá, os holandeses levaram as técnicas de destilação e contribuíram para o surgimento da indústria da aguardente de cana caribenha – que evoluiu para o que chamamos hoje de rum.

A crise do açúcar brasileiro reorientou as usinas para a produção de cachaça que era utilizada principalmente para consumo interno e para o tráfico de escravos em Angola. Entre 1710 e 1830, estima-se que cerca de 310 mil litros de cachaça foram enviados anualmente para Luanda e que 25% desse volume era trocados por escravos.

É possível afirmar que a indústria da aguardente de cana se consolidou na América pelo seu papel na obtenção da força de trabalho escravo principalmente para produção de açúcar.

Depois dos séculos XVI e XVII, em que houve significativa multiplicação dos alambiques nos engenhos de São Paulo e Pernambuco, a cachaça se espalhou pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais devido à descoberta do ouro e pedras preciosas. Durante o século XVIII a economia do açúcar entra em decadência e passa então a ser substituída pela extração de ouro em Minas Gerais. No início da migração para Minas, as cachaças brancas (puras) eram colocadas em barris de madeira para serem transportadas até Minas Gerais. No tempo da viagem, a cachaça, pelo contato com a madeira, acabava amarelando e tomando aromas e sabores próprios. Há quem diga que daí que surgiu o hábito de envelhecer e armazenar cachaças em barris de madeira. Hoje, podemos observar que em cidades litorâneas, como Paraty, há um predomínio de produção de cachaças brancas, enquanto que em Minas Gerais, os produtores optam sempre por armazenar suas cachaças em barris para que elas adquiram características sensoriais, como cor e sabor, provenientes da madeira. Nas regiões de extração estavam também os pequenos alambiques que abasteciam a florescente população urbana que tentava enriquecer com a mineração, apesar dos impostos cobrados pela metrópole portuguesa.

Com a popularidade da cachaça e com o declínio do comércio da bagaceira, novas medidas de taxação e proibição da produção de cachaça foram implantadas pela Coroa. Essas medidas contribuíram para o descontentamento da colônia e motivaram os primeiros ideais independentes, dando origem a Conjuração Mineira e a morte de Tiradentes. Como símbolo dessa luta pela independência do país, a cachaça era servida nas reuniões conspiratórias dos Inconfidentes.

A partir de 1850 com o declínio do trabalho escravo e a intensificação econômica do café, um novo setor social surge no Brasil, os Barões do Café. Com ideais elitistas, fugindo dos hábitos rurais e com uma identificação maior com os produtos e hábitos europeus, a nova elite brasileira rejeitava os produtos nacionais, como a cachaça, tida como coisa sem valor, destinada a pessoas pobres, incultas e, geralmente, negras. Contra esse posicionamento discriminatório, surgem intelectuais, artistas e estudiosos com o compromisso de resgatar a brasilidade criticando com ironia e inteligência a incorporação da cultura e do costume estrangeiro. Em 1922, em São Paulo, é realizada a Semana de Arte Moderna, onde Mário de Andrade, um dos seus maiores expoentes, dedica um estudo chamado Os Eufemismos da Cachaça. No decorrer do século XX, outros importantes intelectuais como Luís da Câmera Cascudo, Gilberto Freire e Mário Souto Maior, estudaram a importância cultural, econômica e história para o Brasil.

Nas últimas décadas, importantes acontecimentos têm contribuído para a valorização da cachaça e seu reconhecimento como patrimônio nacional. Em 1996, o então presidente Fernando Henrique Cardoso legitima a cachaça como produto tipicamente brasileiro, estabelecendo critérios de fabricação e comercialização. Em 2012, uma lei transformou a cachaça em Patrimônio Histórico Cultural do estado do Rio de Janeiro.

Hoje, há mais de 4 mil alambiques espalhados por praticamente todos os estados brasileiros, conseqüência de um fenômeno único próprio do destilado nacional: embora a cultura da cana-de-açúcar tivesse se desenvolvido em grandes latifúndios, a cachaça sempre se caracterizou pela produção artesanal em pequenos alambiques familiares, o que ocasionou a enorme quantidade de marcas de cachaça espalhadas por todo o território brasileiro.

Fonte: Mapa da Cachaça

Breve História do Café


História do Café no Mundo

O café é uma planta originária do continente africano, das regiões altas da Etiópia (Cafa e Enária), onde ocorre espontaneamente como planta de sub-bosque. A região de Cafa pode ser a responsável pelo nome café. Segundo uma das “lendas” da descoberta do cafeeiro, um pastor etíope foi quem percebeu que algumas de suas cabras mudaramseu comportamento após fazer uso de folhas da planta de café em sua alimentação, influenciando no comportamento de monges que o observaram.

Da Etiópia foi levado para a Arábia. Os árabes tentaram manter o privilégio, pois foram os primeiros a cultivar essa planta “milagrosa” que assumia grande importância social devido ao seu uso na medicina da época para a cura de diversos males. Da Arábia o café foi levado primeiramente para o Egito no século XVI e logo depois para Turquia. Na Europa, no século XVII, foi introduzido na Itália e na Inglaterra. O café era consumido por diversas classes sociais, inclusive por intelectuais. Logo depois passou a ser consumido em vários outros países europeus, chegando à França, Alemanha, Suíça, Dinamarca e Holanda.

Seguindo sua marcha de expansão pelo mundo, o café chegou nas Américas e nos Estados Unidos, atualmente o maior consumidor e importador mundial de café. Foram os holandeses que disseminaram o café pelo mundo. Inicialmente transformaram suas colônias nas Índias Orientais em grandes plantações de café e junto com franceses e portugueses transportaram o café para a América.

Café no Brasil

Na Guiana Holandesa (hoje Suriname), foram introduzidas mudas do Jardim Botânico de Amsterdã. Chegou à Guiana Francesa através do Governador de Caiena que conseguiu, de um francês chamado Morgues, algumas sementes semeando-as no pomar de sua residência. A partir desse plantio o Sargento Francisco de Mello Palheta transportou para o Brasil, para a cidade de Belém (Pará) em 1727, algumas sementes e plantas ainda pequenas. Em Belém, a cultura não foi muito difundida. Foi levada nos anos seguintes para o Maranhão, chegando à Bahia em 1770. No ano de 1774 o desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe do Maranhão para o Rio de Janeiro algumas sementes que foram semeadas na chácara do Convento dos Frades Barbadinos. Então espalhou-se pela Serra do Mar, atingindo o Vale do Paraíba por volta de 1820. De São Paulo, foi para Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.No Brasil, o desenvolvimento da cultura confunde-se com a própria história do País devido a sua grande importância econômica e social (o “Ciclo do Café”).
1820: A partir dessa década, o Brasil passou a ser considerado exportador de café com exportações contínuas do produto, provenientes do Vale do Paraíba-SP, Araxá-MG e Goiás.
1845: O Brasil produz 45% do café mundial.
1857: Elevação dos preços internacionais devido à recuperação da economia européia e redução da oferta de café brasileiro, devido ao ataque do inseto “bicho mineiro” nas lavouras e pela limitação de mão-de-obra escrava (lei Eusébio de Queiroz). Os preços tiveram uma elevação de 50%, o que causou grande expansão da produção nos anos seguintes.
1865: Os preços caíram devido à diminuição das exportações para os Estados Unidos, que enfrentavam a Guerra de Secessão.
1906: O mercado sofre a primeira grande intervenção do governo motivada pelos preços baixos que mal cobriam os custos da colheita. O estoque já era grande em 1902 e a expectativa de grande colheita para 1906, com cerca de 17 milhões de sacas, quando o consumo mundial era de apenas 20 milhões, provocaram baixa nos preços. A intervenção ocorreu no dia 26 de fevereiro de 1906, quando os governantes de São Paulo e Minas Gerais assinaram o “Convênio de Taubaté”. Fixou-se um preço mínimo do café e o plantio de novas lavouras foi proibido.
1918: Grande geada reduziu a produção brasileira causando elevação de preços.
1932: Queima de estoques devido à superprodução. Os estoques chegaram a 33,5 milhões de sacas e até 1944 foram incineradas mais de 78 milhões de sacas. Proibição de novos plantios de café.
1939 a 1945: A segunda guerra mundial causou queda nos preços internacionais do produto.
1945/54: Melhoria dos preços após a guerra incentivou novos plantios.
1955: Superprodução de 22 milhões de sacas.
1962/67: Erradicação de 2 bilhões de pés de café. Em 1964, a retenção de estoques chegou a 48 milhões de sacas, como tentativa de elevação dos preços que estavam muito baixos.
1969: Geada no Paraná destruiu cerca de 80% da safra seguinte causando elevação dos preços.
1970: O Governo Federal lança o plano de renovação dos cafezais. Oferece financiamento farto, estimulando principalmente os Estados do centro-sul (regiões Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba), a aumentarem o parque cafeeiro.
1977: Preços altos devido à geada em 1975, que dizimou a cafeicultura no sul do País, com maiores efeitos no Paraná. Ocorrência da doença “ferrugem alaranjada do cafeeiro”, que foi se agravando desde a sua introdução no Brasil em 1970. Nessa época os preços do café tiveram seus valores mais altos da história, cerca de 400 dólares por saca.
1986: Longo período de seca e esgotamento dos cafeeiros no centro-sul do país provoca forte elevação dos preços. Com esse aumento do preço, as cláusulas do Acordo Internacional do Café deixaram de funcionar. Começa a operar o mercado livre no exterior, resultando em queda do preço, após curto período de elevação.
1987: Renovação do Acordo Internacional do Café e, apesar dos preços em baixa, houve tendência de estabilização (120 a 140 cents de dólar por libra peso).
1989: Término do Acordo Internacional do café.
1991/93: Fase de preços muito baixos, chegando a menos de 40 dólares em determinados períodos. Houve grande erradicação de lavouras no centro-sul do Brasil e o abandono das lavouras por grande parte daqueles que permaneceram na atividade.
1994: Ocorrência de duas fortes geadas que atingiram grandes áreas produtoras no Brasil. Praticamente todo o Estado do Paraná, boa parte do Estado de São Paulo e áreas consideráveis do Sul de Minas Gerais tiveram suas lavouras seriamente atingidas. Um longo período de seca após as geadas atrasa ainda mais a recuperação das lavouras. Os preços sofreram altas históricas, chegando a ultrapassar 200 dólares/saca.
1995: Grande redução da produção brasileira (cerca de 12 milhões de sacas), resultado das geadas em 1994. O preço cai um pouco, estabilizando entre 150 e 180 dólares/saca em razão dos compradores internacionais operarem com estoques mínimos.
1996: O Governo Federal cria o Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC), constituído por doze membros, dos quais seis representam o governo e seis o setor privado: CNC (02), CNA (01), FEBEC (01), ABIC (01) e ABICS (01).
2001: O preço do café atinge menos de $35/saca, um dos preços mais baixos da historia.
2011: O preço do café mais do que dobra entre 2010 e 2011, alcançando $350/saca em março de 2011, um recorde de mais de 30 anos. Esse aumento se deve principalmente à forte redução do estoque dos países consumidores e problemas na safra de alguns dos principais países produtores como a Colômbia. O fato de 2011 ser o ano de baixa da safra brasileira, devido à bianualidade da produção, ajuda na alta dos preços.

Benefícios do Café. Saiba mais aqui

Fonte: Clube do Café