AGRADECIMENTOS!!!


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Não importa se os visitantes deste blog nos encontram casualmente ou de forma deliberada. O que interessa de verdade é que não pára de crescer o número de pessoas que contatam nossa página, seja porque tem as informações que lhes interessam, seja porque buscando nos sites de busca os temas que pesquisam, encontram acolhida no endereço Mania de História.

De dezembro do ano passado até o final do mês de março/2009 foram mais de 7.300 acessos, com cliques em diversos de nossos links. Por isso, é com muita satisfação que venho a público agradecer a todos e reforçar nosso desejo de dar continuidade a esta parceria exitosa entre o Mania de História e vocês.

Mais uma vez, muito obrigado!!!!!!!!!!!

QUEM CONQUISTOU O BRASIL? CABRAL OU GOUVEIA?


Quem descobriu (invadiu ou conquistou) o Brasil?
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Pela tradição portuguesa de então os livros didáticos deveriam grafar : Pedro Álvares Gouveia. É o seguinte: como o tal Pedro era o segundo filho de dois irmãos, ele só poderia herdar o sobrenome do pai (Cabral) após a morte do irmão mais velho. Portanto, o invasor europeu desembarcou em terras de Pindorama com o sobrenome da mãe (Gouveia). Quando perguntarem pra vocês o nome do colonizador português que aportou por essas bandas em 1500, podem dizer sem medo de errar: “PEDRO ÁLVARES GOUVEIA”

Fonte: RHBN

PRINCESA ISABEL ABORTOU CRIANÇA DE OITO MESES


Reproduzimos aqui parte de matéria que o Jornal do Commercio/PE fez sobre documentos da Assembléia Legislativa de Pernambuco que estariam sendo digitalizados e que virão a público em breve, via internet. Um deles traz este furo historiográfico. Nunca li ou ouvi comentários que a Princesa Isabel tenha abortado uma criança. E talvez este seja o primeiro blog a tratar do assunto.
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Revelado aborto da Princesa Isabel
Publicado em 29.03.2009 – Jornal do Commercio/PE

A despeito das violações, o trabalho de digitalização dos documentos revela a riqueza dos arquivos da Assembleia, principalmente referente ao Brasil Império. Um exemplo é um documento que relata um aborto que a princesa Isabel teria sofrido em 1874 de uma menina, aos oito meses de gestação, antes do nascimento seu primogênito, Pedro de Alcântara. O fato é pouco conhecido. A informação oficial sobre o caso consta de um comunicado do imperador d. Pedro II à Assembleia Provincial de Pernambuco. Um documento raro em meio a tantos outros, depositado nos arquivos do Legislativo.

PROCURANDO DARWIN


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A Revista de História da Biblioteca Nacional lançou um desafio super interessante. Os leitores estão convidados/as a embarcarem numa investigação com o objetivo de identificar onde Charles Darwin ficou hospedado durante sua passagem pelo estado do Rio de Janeiro. A pista que o famoso evolucionista que se estivesse vivo estaria completando 200 anos, é que ele esteve por alguns dias no bairro do botafogo.
O projeto Caminhos de Darwin é patrocinado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e aquele/aquela que elaborar o melhor trabalho de pesquisa, que necessariamente não precisa desvendar o mistério mas apresentar um bom texto e fontes de qualidade, estará concorrendo a uma assinatura da Revista de História da BN, DVDs e livros sobre Darwin.
Mande sua pesquisa para o e-mail: redacao@revistadehistoria.com.br ou pelo correio: Av. Churchill, 109/1.101, Rio de Janeiro, CEP: 20020-050, com o assunto “Procurando Darwin”.

Para saber mais, acesse o site da revista clicando aqui.

MARCO POLO


As viagens e histórias contadas por este homem, inundou a cabeça dos europeus de curiosidade e desejo de riqueza. O Eldorado, “terra de ouro sem fim”, esta imagem das Índias do Oriente, selou para sempre o destino de milhares de pessoas e culturas e terras distantes. Marco Polo deu uma contribuição decisiva para que os aventureiros da Europa invadissem, fizessem fortuna e provocassem um choque cultural sem precedentes.
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As fantásticas (e verdadeiras) aventuras de Marco Polo

A narrativa de uma viagem de 24 anos ao longínquo Oriente, que encantou a muitos durante séculos, teve sua autenticidade confirmada no século XIX.
por Jacques Brosse

Quando Marco Polo voltou a Veneza em 1295, seus compatriotas não o reconheceram – o que não foi uma surpresa, já que ele os havia deixado 24 anos antes, quando tinha apenas 17. Foi isso, sem dúvida, que inspirou o relato exagerado, quase lendário, narrado por Giovanni Battista Ramusio (1485-1557), autor que escreveu sobre os Polo, três séculos depois. Marco, Niccolo, seu pai, e Matteo, seu tio, teriam chegado em casa como peregrinos, vestidos com trajes miseráveis.

Tiveram, dificuldade em se fazer reconhecer pelos parentes, que, ocupavam a casa, pensando que estavam mortos. Os três viajantes convidaram, então, todos os seus aparentados para um banquete, no qual surgiram vestidos com hábitos de cetim violeta, logo trocados por outros de seda estampada, ainda mais preciosos, antes de retomarem seus hábitos à moda veneziana. Em seguida, Marco Polo trouxe os trapos com que estavam vestidos quando de sua chegada a Veneza; descosturou-lhes a barra, fazendo tombar “uma grande quantidade de jóias de um valor inestimável, rubis, safiras, granadas, diamantes e esmeraldas”. Imediatamente, sua família “lhes devotou sinais de estima e de respeito”.

Apesar de se tratar apenas de um apólogo, essa cena reflete a emoção que tomou conta dos venezianos ao rever esses três homens, que há tempos se pensava que estavam mortos, e contemplar as riquezas trazidas de países tão longínqüos, dos quais nunca tinham ouvido falar.

Muitos curiosos dirigiam-se à casa dos Polo, em uma pequena praça perto da ponte do Rialto. Com bastante complacência, Marco relatava suas extraordinárias aventuras e descrevia os países que tinha percorrido. Como bom homem de negócios veneziano, avaliava suas enormes riquezas em milhões de moedas de ouro.

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Marco Polo foi à China?

O POVOAMENTO DA AMÉRICA


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Povoamento das Américas: um debate sem fim

O cenário

Milênios antes do período geológico e climático atual, o clima da Terra era mais frio. Grandes geleiras estendiam-se imediatamente ao norte das regiões hoje ditas temperadas do hemisfério norte; na maior parte das regiões intertropicais, embora o clima não fosse tão frio, imperavam climas geralmente mais secos que os de hoje. Como as águas ficavam retidas sob a forma de gelo nas zonas polares, o nível dos oceanos era cerca de 100m mais baixo. Assim, podia-se transitar a pé por uma passagem de terra entre a Sibéria e o Alasca na região da Beríngia. Com as precipitações, as geleiras aumentavam, bloqueando essa passagem. Os períodos em que a travessia podia ser feita eram, portanto, bastante restritos.

A probabilidade de que alguma leva de imigrantes tenha vindo pelo mar há mais de dez mil anos, quando as técnicas de navegação eram muito precárias, é remotíssima. A propósito, o povoamento das ilhas do Pacífico é comprovadamente muito mais recente.

Infelizmente, as regiões através das quais os imigrantes asiáticos alcançaram a América do Norte estão hoje sob as águas geladas do Ártico ou foram em algum momento ocupadas por geleiras. Os mais antigos locais de habitação da Beríngia e do Alasca encontram-se, portanto, submersos ou foram destruídos pelo gelo. Os sítios identificados pelos arqueólogos localizam-se mais ao sul e não correspondem às regiões habitadas pelas primeiras gerações de colonos.

Os indícios

Vestígios inquestionáveis da presença humana entre 12 e 11.500 anos atrás foram encontrados em abrigos ou, mais raramente, a céu aberto, na Califórnia e México (América do Norte) e no Chile central, no Peru e nas regiões Central e Nordeste do Brasil (América do Sul). Os sítios que permitem essa afirmação categórica contêm instrumentos de pedra lascada feitos com matéria-prima de boa qualidade trazida de fora da região. Muitos desses objetos, produzidos por meio de golpes certeiros, são complexos demais para terem sido feitos por fenômenos naturais. Foram datados a partir do carvão de fogueiras e, por estar associados a artefatos, pode-se inferir que resultem de ação humana. Muitas vezes os sítios apresentam ainda vestígios alimentares característicos.

O estudo das condições de deposição do sedimento (a terra dentro da qual se encontram os vestígios) permite verificar que não houve perturbações tardias capazes de misturar objetos recentes e antigos. A partir de onze mil anos atrás, aparecem também esqueletos, particularmente numerosos nas imediações de Lagoa Santa, Minas Gerais: Lapa Vermelha, Cerca Grande e Santana do Riacho.

Há vários sítios, no Brasil inclusive, com indícios de uma ocupação possivelmente mais antiga. Infelizmente, todos apresentam algum problema que impede de se chegar a uma conclusão definitiva. Vários parecem conter instrumentos de pedra, mas estes são feitos a partir de rochas do próprio local ou podem ter sido trazidos por fenômenos naturais. São tão toscos que o lascamento rudimentar pode ter resultado de um choque acidental: pedaços de blocos do teto, ao cair uns sobre os outros durante milênios, acabam se lascando espontaneamente. Restos de carvão e pedras queimadas podem ter sido produzidos por ação de raios. Embora, em outros casos, instrumentos e fogueiras pareçam inquestionáveis, há indícios de que as camadas sedimentares foram perturbadas e de que os vestígios arqueológicos podem ter-se infiltrado a partir de uma camada sedimentar mais recente.

Não há por que recusar a priori a possibilidade de uma presença humana mais antiga na América, mas os indícios propostos devem ser meticulosamente avaliados. Muitas vezes os arqueólogos acabam interpretando os dados disponíveis de modo divergente, fazendo com que o público não saiba em quem acreditar. Nos últimos anos, foi divulgada na imprensa a existência de sítios que comprovariam a presença do homem no Brasil há dezenas e até centenas de milhares de anos. É preciso que se saiba que os especialistas estão longe de alcançar unanimidade em torno desse assunto. De qualquer modo, se havia gente no sul dos Estados Unidos a 11,5 mil anos atrás e no Chile a 12.500 anos atrás, deduz-se que seus antepassados tenham chegado ao norte do continente — a milhares de quilômetros de lá — muito tempo antes.

A única possível conclusão é, quaisquer que sejam os trabalhos relacionados as Antigüidades, das mais distintas áreas do conhecimento, eles fornecem hipóteses reflexivas e de comparação que permitem levar mais longe a análise, e isto em todos os setores da ciência, contribuindo para um conhecimento mais profundo da história humana.

Os atores

Quem eram os primeiros imigrantes? Nada podemos dizer a respeito de possíveis indígenas anteriores a doze ou onze mil anos atrás. Verifica-se, no entanto, a partir desse instante a presença de populações muito diferentes tanto dos atuais asiáticos como dos índios modernos. Só a partir de aproximadamente oito mil anos atrás é que aparecem vestígios de homens com traços asiáticos, ditos “mongolizados”, já bastante parecidos com os indígenas atuais.

Estudos muito recentes sugerem que os primeiros habitantes das Américas (autores da cultura Clóvis nos Estados Unidos e de outras culturas da mesma época na América do Sul) descendiam de uma população não mongolizada da Ásia central. Parte dessa população teria migrado para o sul, chegando à Austrália, enquanto outra parte teria viajado para o norte, penetrando as Américas. Pode-se, assim, explicar a semelhança entre o chamado Homem de Lagoa Santa e as populações aborígines da Austrália, embora tenhamos certeza de que não houve navegação entre esses dois continentes. Na região de origem, esses primitivos Homo sapiens teriam sido substituídos por populações mongolizadas, que, por sua vez, produziram novas ondas migratórias em direção às Américas.

Essa hipótese, ainda em discussão, sugere que quatro ondas migratórias principais vindas da Ásia penetraram as Américas (os esquimós são representantes da última delas), sendo que pelo menos duas teriam alcançado a América do Sul.

Podemos chegar a um julgamento definitivo?

Enquanto a arqueologia fornece provas definitivas da presença humana na América entre 12,5 e 11 mil anos atrás, lingüistas e estudiosos de ADN mitocondrial acreditam que a diversificação biológica e lingüística que se verifica no continente permite supor um período de tempo maior, da ordem de vinte a trinta mil anos. Os arqueólogos não devem descartar essa possibilidade, mas o fato de os primeiros colonizadores terem sido provavelmente pouco numerosos faz com que sejam remotas as chances de identificação de seus vestígios. Caso alguns dos sítios polêmicos mencionados anteriormente sejam de fato marcas da sua presença, isso significaria que seus habitantes trabalhavam a pedra de modo muito grosseiro se levarmos em conta a habilidade de populações contemporâneas de outras partes do mundo. Mas essa hipótese é plausível, já que, sobretudo em meio tropical, a madeira pode ter sido muito mais utilizada do que a pedra.

Os cientistas devem, portanto, continuar buscando indícios dos primeiros americanos e discutir sua validade caso a caso. O papel da controvérsia na arqueologia, que não está no domínio das ciências experimentais, é essencial. Os “advogados do diabo” são necessários para obrigar os que defendem a existência de sítios supostamente pleistocênicos na América a controlar suas informações, refinar seus argumentos e comprovar suas asserções. Mas nem sempre é fácil manter as discussões sobre esse tema — o mais polêmico da arqueologia americana hoje — nos limites da elegância desejável.

In: Ciência Hoje, vol.25, nº149, maio 1999

André Prous

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/Museu de História Natural,

Universidade Federal de Minas Gerais

Pesquisador do CNPq responsável pela Missão Arqueológica Franco-Brasileira de Minas Gerais

GUERRAS POR ÁGUA


Em virtude do Dia Mundial da Água e pela sua importância vital, não poderíamos deixar de publicar uma matéria sobre um assunto tão urgente. O artigo abaixo não é recente, mas continua cada vez mais atual, e logo abaixo, o leitor/ra terá acesso a uma tabela de conflitos relacionados com a água pelo mundo inteiro.
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Guerra da água ameaça o século*
Previsões de escassez global impõem ação rápida para evitar catástrofe de abastecimento e crise de segurança

Por Flávio Henrique Lino**

A fartura de água no planeta Terra é enganadoramente aparente. Apenas 2,5% da massa líquida são compostos de água doce, e menos de 0,01%, de potável. Com o explosivo crescimento demográfico no século XX, a população triplicou nos últimos 70 anos, enquanto o consumo de água sextuplicou. Cerca de 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e 2,4 bilhões, a saneamento básico. Dos recursos hídricos disponíveis anualmente, 54% já são utilizados e, em 2025, poderemos estar usando 70%. As previsões da ONU são de que nesse ano dois terços da Humanidade viverão em países sofrendo de escassez de água. Para atender às demandas de água potável e saneamento básico são necessários investimentos de US$ 23 bilhões por ano, mas apenas US$ 16 bilhões são investidos, abrindo espaço, segundo a Organização Mundial de Saúde, para a morte anual de 3,4 milhões de pessoas por doenças transmitidas pela água.

Acabar com o desperdício, o maior desafio das próximas décadas

O quadro anunciado de escassez mundial de água nas próximas décadas põe na ordem do dia uma questão básica: como aproveitar melhor os recursos hídricos em função do crescimento populacional acelerado. O melhor aproveitamento da água é um dos caminhos apontados para tentar desativar o que especialistas consideram uma bomba-relógio.

Nas últimas três décadas, a área de terra irrigada – que responde por 40% da comida produzida no planeta – subiu de 200 milhões de hectares para 270 milhões, sugando 70% da água doce consumida anualmente. No entanto, 60% dessa água (ou seja, 42% do total geral consumido a cada ano) se perdem por ineficiência dos sistemas de irrigação. Para corrigir esse e outros problemas estruturais de aproveitamento da água, a ONG de pesquisa ambiental americana Worldwatch Institute propõe uma “revolução azul”.

– À medida que a água se torna mais escassa no mundo, o desafio é descobrir como melhorar sua utilização e gastar menos – explica Sandra Postel, diretora do Projeto de Políticas Globais para Água do Instituto. – Teremos de combinar um uso mais eficiente da tecnologia com políticas corretas de alocação e gerenciamento de água. Assim, conseguiremos satisfazer as necessidades humanas sem tirarmos mais água do meio ambiente, protegendo a saúde dos rios, lagos e ecossistemas que sustentam nossas vidas e nossa economia.

Segundo Postel, está ocorrendo uma rápida deterioração dos ecossistemas de água doce e a não utilização do precioso líquido de forma sustentável já está gerando sérias conseqüências atualmente.

– Vários rios importantes secam em parte de seu percurso durante certas épocas do ano e muitas espécies de peixes e moluscos de água doce estão correndo o risco de extinção por mudanças em seu hábitat – adverte ela.

Uma outra mudança que o manejo adequado dos recursos hídricos vai exigir é a criação de uma nova mentalidade em relação à água. Até países como o Brasil – dono de quase um quinto das reservas de água doce da Terra e em tese a salvo de escassez – terão de se adaptar à futura realidade de um planeta que até 2050 verá sua população aumentar em 50%, passando a abrigar nove bilhões de habitantes.

– Precisamos mudar essa visão da sociedade de que a água é um recurso inesgotável e mostrar quer seu uso nos últimos séculos não foi eficiente – diz o pesquisador Samuel Roiphe Barreto, da sucursal brasileira da ONG ambientalista WWF, cujo Projeto de Conservação e Gestão de Água Doce visa a implantar um novo modelo de gerenciamento dos recursos hídricos do país por parte das autoridades e incutir uma nova mentalidade na população.

Além de incentivar uma postura mais responsável da sociedade em relação ao uso da água, Barreto cobra também do poder público uma linha de atuação diferente da atual.

– Qualquer intervenção nos rios hoje no Brasil passa por obras de engenharia, enquanto na Europa, por exemplo, já estão “renaturalizado” os cursos d’água, deixando-os correr livremente. Queremos garantir o atendimento da demanda de água, mas mantendo ao mesmo tempo a integridade dos sistemas aquáticos.

O Brasil já está dando passos na direção de uma nova visão de seu patrimônio líquido. Em 1997 foi aprovada a Lei no 9.433, instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos, que estabeleceu processos participativos da sociedade e novos instrumentos econômicos visando ao uso mais eficiente da água. Em 2000, foi criada a Agência Nacional de Águas (ANA) para implementar a lei. Com isso, espera-se que o país esteja finalmente rumando para corrigir a distorção de ser o detentor de 17% da água doce do planeta e ter 8,8 milhões de residências sem água. Estima-se que para garantir acesso à água a todos os brasileiros até 2010 seriam necessários investimentos da ordem de R$ 38 bilhões.

Na questão de saneamento básico, as estatísticas são piores: somente 49% dos brasileiros têm acesso a esses serviços. O investimento para resolver os dois problemas, no entanto, é autofinanciável a médio e longo prazos.

Estima-se que 70% das internações hospitalares no Brasil decorram de doenças transmitidas por água contaminada, gerando um gasto adicional anual de US$ 2 bilhões ao sistema de saúde. Ou seja, com água corrente na torneira e esgoto em casa garantidos a todos os brasileiros, tais recursos poderiam ser redirecionados para outras áreas.

Um outro aspecto importante em relação à água é que, num futuro de possível escassez generalizada, ela tem um potencial significativo de tornar-se fonte de conflitos armados, assim como o petróleo no século XX.

Há mais de 200 bacias hidrográficas partilhadas por dois ou mais países, abrigando 40% da população do planeta. Treze dos maiores rios – como o Amazonas, o Danúbio e o Nilo – cruzam as fronteiras de mais de cem nações.

– Uma feroz competição por recursos hídricos pode resultar em violentos conflitos internacionais – alertou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no Dia Mundial da Água, em março.

A solução, apontam os pesquisadores da área, é o manejo integrado dos recursos hídricos pelos países que partilham a mesma bacia hidrográfica, de forma que todos possam utilizá-la sem que uns prejudiquem os outros.

*Flávio Henrique Lino é jornalista.

** Artigo publicado no suplemento especial Planeta Terra do jornal O Globo, em 7 de agosto de 2002.

Tabela de conflitos relacionados com água. Clique aqui.

Leia também:
Na guerra do momento – Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água – um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio? Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina. Além de restringir o uso d’água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural.

“Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, ‘há uma realidade histórica de guerras pela água’ – tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias”. Raymond Dwek – The Guardian, [24/NOV/2002].

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