História do tempo presente / A lava-jato e o maior escândalo do judiciário brasileiro


Reproduzimos na íntegra texto da Intercept Brasil, que mostrou ao mundo a face oculta da Operação e do Juiz Sérgio Moro

LEIA OS DIÁLOGOS DE SERGIO MORO E DELTAN DALLAGNOL QUE EMBASARAM A REPORTAGEM DO INTERCEPT

The Intercept Brasil
12 de Junho de 2019, 21h48Ilustração: João Brizzi e Rodrigo Bento/The Intercept Brasil, Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

As mensagens secretas da Lava Jato

Publicamos trechos expandidos das conversas que basearam as revelações entre o ex-juiz e o coordenador da Lava Jato. ABRIR TODAS AS PARTE

O INTERCEPT BRASIL publicou, no domingo, trechos de conversas entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol que provocaram um terremoto político. Na reportagem, “Chats privados revelam colaboração proibida de Sergio Moro com Deltan Dallagnol na Lava Jato”, mostramos comportamentos proibidos e antiéticos entre o então juiz e o coordenador da Lava Jato que botam em questão o trabalho e a credibilidade de ambos.

No Intercept, sempre trabalhamos com o princípio de máxima transparência possível. Isso significa que colocamos links para fontes primárias, explicamos por que — excepcionalmente — preservamos a identidade de algumas das nossas fontes e sempre lutamos para publicar os documentos que embasam nossas investigações.

São princípios editoriais fundamentais da nossa redação e foram implementados para criar confiança entre nós e nossos leitores. Você não precisa confiar na nossa palavra: avalie os fatos por si mesmo.

É sob essa lógica que decidimos publicar hoje a íntegra dos diálogos privados relevantes à reportagem publicada no domingo, que são claramente de interesse público. As conversas ocorreram de outubro de 2015 a setembro de 2017.

Publicamos apenas os trechos das conversas que basearam as revelações do domingo, agora no seu contexto completo — algo que não cabe numa reportagem. Não se trata das conversas completas entre Moro e Dallagnol ou do grupo FT MPF Curitiba 2, também citado no texto, por duas razões: ainda trabalhamos em outras apurações que têm por base a íntegra desse material e não publicaremos conteúdo de teor apenas pessoal. Nossa missão é proteger a intimidade dos citados, publicando apenas o que é de interesse público.

Entre os trechos expandidos pertinentes, apenas suprimimos o que contém as frases “Tremenda bola nas costas da Pf” e “Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora”. Essa passagem pertence a uma investigação em andamento.

Clique aqui para pular para os trechos das conversas do grupo FT MPF Curitiba 2, que reunia procuradores que atuam na operação – ou siga abaixo para ler as conversas entre Moro e Dallagnol.

CONVERSA ENTRE SERGIO MORO E DELTAN DALLAGNOL

16 de outubro de 2015

Deltan – 11:46:32 – Caro, STF soltou Alexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. Se Vc puder decidir isso hoje, antes do plantão e de eventual extensão, mandamos hoje. Se não, enviamos segunda-feira. Seria possível apreciar hoje?
Moro – 11:51:08 – Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia.
Moro – 12:00:00 – Teriam que ser fatos graves
Moro – 13:32:04 – Na segunda acho que vou levantar o sigilo de todos os depoimentos do FB. Nao vieram com sigilo, nao vejo facilmente risco a investigação e ja estao vazando mesmo. Devo segurar apenas um que é sobre negocio da argentina e que é novo. Algum problema para vcs?
Deltan – 13:38:26 – Já respondo
Deltan – 14:35:00 – O pessoal até agora pediu pra manter o sigilo do caso de Pasadena, pois pediremosBA. Se quiser abrir vista, nós nos manifestamos.
Moro – 16:03:35 – Ja foi aberto vista ontem.
Deltan – 20:30:33 – Pessoal ta fazendo análise criteriosa e vai pedir de mais alguns depoimentos
Moro – 20:59:04 – Os deletados ja sabem que sao delarados ha tempo.
Deltan – 21:48:12 – Mas a divulgação dificulta BA e especialmente prisão. Eles virão explicar, peticionar, entrarão com HC etc. Falo sem estudar o caso e repassarei sua consideração
Deltan – 23:53:00 – Caro Juiz, seria possível reunião no final da segunda para tratarmos de novas fases, inclusive capacidade operacional e data considerando recesso? Incluiria PF também

17 de outubro de 2015

Moro – 08:41:56 – Penso que seria oportuno. Mas segunda sera um dia dificil. Terca seria ideal.
Moro –10:53:00 – A nao ser que seja segunda pela manhã
Deltan – 22:43:54 – Terça 9am, pode ser?
Deltan – 22:44:00 – Ou 10?

18 de outubro de 2015

Moro – 03:02:28 – 1030

19 de outubro de 2015

Moro – 11:41:24 – Marcado então? Decretei nova prisao de tres do odebrecht, tentando nao pisar em ovos. Receio alguma reacao negativa do stf. Convem talvez vcs avisarem pgr.
Deltan – 13:13:44 Marcado. Shou
Moro – 15:47:32 – Para informar, soltei dai o cesar rocha.
Deltan – 17:39:49 – Ok. Ficou ótima a decisão

17 de novembro de 2015

Moro – 12:07:09 – Olha está um pouco dificil de entender umas coisas. Por que o mpf recorreu das condenacoes dos colaboradores augusto, barusco emario goes na acao penal 5012331-04? O efeito pratico é impedir a execução da pena.
Moro – 12:18:16 – E julio camargo tb. E nao da para entender no recurso se querem ou nao alteracao das penas do acordo?
Deltan – 12:25:08 – Vou checar
Deltan – 14:07:49 – Estamos aqui discutindo o caso. O problema é que o recurso tem uma série de questões objetivas, factuais e jurídicas, que se comunicam aos corréus não colaboradores. Não houve condenação em relação ao avião. Não tem como o tribunal rever em relação aos corréus e não em relação ao colaborador. Ou como o tribunal vai reconhecer uma tese jurídica, como concurso material, para corréus, e não para colaboradores, para os mesmos fatos? Seriam dois direitos no mesmo caso para os mesmos fatos. Não recordamos ainda se em todos houve recurso em relação a circunstâncias pessoais de cada um, e teríamos que checar se há risco de que julguem prejudicado o recurso em relação aos não colaboradores, o que poderia ensejar prescrição, por começar a correr a prescrição da pretensão executória.
Deltan – 14:08:47 – Em síntese: não estamos vendo como recorrer só em relação aos não colaboradores em questões que se aplicam a todos, sob pena de se julgar prejudicado o recurso.
Deltan – 14:09:25 – Se não recorrermos das penas dos não colaboradores, há o risco de diminuição de pena também…
Deltan – 14:10:08 – É um “catch 22″, na linguagem norte-americana. As duas soluções têm problemas. A solução de recorrer também gera o risco de postergação da solução, porque se quebrarmos acordo do colaborador ele poderá recorrer da decisão do TRF…
Moro – 16:49:32 – Sinceramente nao vi nenhum sentido nos recursos ja que nao se pretende a alteracao das penas finais dos colaboradores. O mp está recorrendo da fundamentação, sem qualquer efeeito pratico. Basta recorrer so das penas dos nao colaboradores a meu ver. Na minha opiniao estao provocando confusão
Moro – 16:50:20 – E o efeito pratico sera jogar para as calendas a existência execução das penas dos colaboradores.

7 de dezembro de 2015

Moro – 17:42:56 – Entao. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sidoa ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria.
Deltan – 17:44:00 – Obrigado!! Faremos contato
Moro – 17:45:00 – E seriam dezenas de imóveis
Deltan – 18:08:08 – Liguei e ele arriou. Disse que não tem nada a falar etc… quando dei uma pressionada, desligou na minha cara… Estou pensando em fazer uma intimação oficial até, com base em notícia apócrifa
Moro – 18:09:38 – Estranho pois ele é quem teria alertado as pessoas que me comunicaram. Melhor formalizar entao.
Moro – 18:15:04 – Supostamente teria comentado comSUPRIMIDOSUPRIMIDOSUPRIMIDOque por sua vez repassou a informação até chegar aqui.
Deltan – 18:16:29 – Posso indicar a fonte intermediária?
Moro – 18:59:39 – Agora ja estou na duvida.
Moro – 19:00:22 – Talvez seja melhor vcs falarem com este SUPRIMIDOprimeiro
Deltan – 20:03:00 – Ok
Deltan – 20:03:32 – Ok, obrigado, vou ligar

21 de fevereiro de 2016

Deltan – 01:07:44 – Caro, sugiro um mês e meio mais cauteloso com segurança a partir da outra semana. Um dos destinos do dinheiro é provável advogado do José Rainha. Tem muito fanático que não teria muito a perder e poderia querer se tornar herói.
Moro – 01:09:56 – Olá Diante dos últimos . desdobramentos talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas
Deltan – 11:12:04 – O problema é o risco de nos atropelarem em SP ou em BSB. Queríamos antes, mas tem a festa do PT… Uma semana pode fazer diferença para SP especialmente. Em BSB com o acordo feito às pressas e depoimentos do senador de madrugada receamos também que adiantem algo
Moro – 12:43:52 Ok. Pensem ai. Sugeri por conta do recente acompanhamento
Deltan – 13:47:24 – Estamos refletindo. Por enquanto a tendência é contrária. Vou ler esses resultados parciais

27 de fevereiro de 2016

Moro – 11:21:24 O que acha dessas notas malucas do diretorio nacional do PT? Deveriamos rebater oficialmente? Ou pela ajufe?
Deltan – 12:30:44 – Na minha opinião e de nossa assessoria de comunicação, não, porque não tem repercutido e daremos mais visibilidade ao que não tem credibilidade
Deltan – 12:31:16 – Contudo, vale contestar IMPLICITAMENTE e sem referência direta em manifestações públicas (e em seu caso, decisões)
Deltan – 12:36:47 – [imagem não encontrada]
Deltan – 12:36:47 – [imagem não encontrada]
Deltan – 12:37:48 – Há uma reclamação sobre competência com ela. Defesa alega que MPF e MPSP estão investigando mesmo fato e cabe ao STF decidir então pede suspensão das inv até decisão quanto a quem é competente
Moro – 12:41:32 – Humm. Até onde tenho presente, ela é pessoa seria. Nao tem tb a tendência de entrar em bola dividida. Mas claro, tudo é possível.

13 de março de 2016

Deltan – 02:26:01 – Caso não tenha visto:
Deltan – 02:26:03 –http://m.alias.estadao.com.br/noticias/geral,maos-ainda-sujas,10000020828
Deltan – 02:26:07 – Sensacional
Moro – 20:48:47 – Boa entrevista.
Moro – 20:50:01 – Nobre, isso nao pode vazar, mas é bastante provavel que a acao penal de sp seja declinada para cá se o LL nao virar Ministro antes
Deltan – 22:15:50 – Ok
Deltan – 22:15:55 – Obrigado!
Deltan – 22:19:29 – E parabéns pelo imenso apoio público hoje. Você hoje não é mais apenas um juiz, mas um grande líder brasileiro (ainda que isso não tenha sido buscado). Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal. Sei que vê isso como uma grande responsabilidade e fico contente porque todos conhecemos sua competência, equilíbrio e dedicação.
Moro – 22:31:53 – Fiz uma manifestação oficial. Parabens a todos nós.
Moro – 22:48:46 – Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o congresso se autolimpar mas isso nao está no horizonte. E nao sei se o stf tem força suficiente para processar e condenar tantos e tao poderosos.
Deltan – 22:59:49 – Vi. Ficou ótima.
Deltan – 23:03:37 – Não vai acontecer. A experiência italiana é um exemplo das dificuldades. Se aprovarmos as 10 medidas (já contam com mais de 1,6 mi de assinaturas, e apoio crescente dos parlamentares), o próximo passo que podemos dar é o fim do foro por prerrogativa de função, reservando-o para 15 pessoas. Teremos voz para isso, pq os casos do supremo não andarão com 1/10 da celeridade. Sei que tudo é dificil, mas precisamos acreditar e fazer. Foi em razão da experiência com o Banestado que no ano passado investi tanto tempo nas 10 medidas. Se não mudarmos o sistema, sabemos o que acontecerá com os casos. No Congresso já há um acordo de líderes encaminhado para, mediante projeto de lei, reverter a recente decisão do STF. Precisamos atacar e avançar no âmbito legislativo tanto quanto nas ações penais.
Moro – 23:07:10 – Sei do projeto mas nao acredito que terao coragem no momento. mas o clima pode mudar. Bem. Vamos passo a passo, dia a dia.
Deltan – 23:14:53 – Preciso que Vc assuma mais as 10 medidas ou outras mudanças em que acredite também, se entender que isso não trará problemas sérios. A sociedade quer mudanças, quer um novo caminho, e espera líderes sérios e reconhecidos que apontem o caminho. Você é o cara. Não é por nós nem pelo caso (embora afete diretamente os resultados do caso), mas pela sociedade e pelo futuro do país.

16 de março de 2016

Moro – 09:09:18 – Na quintan2000 falarei aos auditores da RF no Bourbon. Leonel sabe detalhes
Deltan – 12:44:28 – A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeacao, confirma?
Moro – 12:58:07 – Qual é a posicao do mpf?
Deltan – 15:27:33 – Abrir
Deltan – 16:21:47 – Confirma se vai abrir?
Moro – 17:11:20 – Ja abri. Mas sigilo ainda esta anotado a pedido carlos/pgr
Moro – 17:12:12 – Outra coisa eu aqui nao vou abrir a ninguém
Moro – 17:38:17 – Mandei email urgente
Deltan – 17:47:53 – ok
Deltan – 17:47:56 – vou ver
Deltan – 17:49:47 – só vi e-mail de 9.35 AM
Deltan – 17:49:54 – houve outro?
Deltan – 17:50:11 – conversamos então pessoalmente
Moro – 17:56:40 – Mandei agor 1735
Deltan – 18:20:57 – Recebi
Deltan – 18:21:00 – Verei já
Deltan – 18:22:00 – Mas acho que não recebemos ainda . Checarei

22 de março de 2016

Deltan – 21:42:40 — Sabe o que incomodou o STF especificamente? Só os grampos ou há mais coisa?
Deltan – 21:45:29 — A liberação dos grampos foi um ato de defesa. Analisar coisas com hindsight privilege é fácil, mas ainda assim não entendo que tivéssemos outra opção, sob pena de abrir margem para ataques que estavam sendo tentados de todo jeito…
Deltan – 21:57:17 –http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2016/03/teori-determina-que-moro-envie-investigacao-sobre-lula-para-o-stf.html
Moro – 22:10:55 – nao me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim.

21 de junho de 2016

Deltan – 11:58:10 – VISÃO GERAL EM 06-06-15: 1. TOTAL DE RELATOS: 98 2. COLABORADORES: 45 3. NUMERO DE POLITICOS: 150 4. POLITICOS CUJOS PAGAMENTOS JÁ FORAM LOCALIZADOS: R$ 470 MILHOES (identificado o político beneficiário da propina) – Ness montante apenas pagamentos ilegais 1. Corte temporal de 2008 a 2014 2. SÉRGIO CABRAL responde só por R$ 100 milhões 3. OUTROS POLÍTICOS IDENTIFICADOS (identificados pela defesa como relevantes/ envolvem Governadores de 13 Estados e 7 Ministros de Estado): 1. MICHEL TEMER 2. DILMA 3. LULA 4. EDUARDO CUNHA 5. AECIO NEVES 6. ALCKIM 7. ALOISIO MERCADANTE 8. PAULO SKARF 9. ANTONIO PALOCCI (DILMA) 10. SERGIO CABRAL 11. JOSE SERRA 12. HADAD (PREFEITO) 13. HENRIQUE ALVES 14. ROMERO JUCÁ 15. RAIMUNDO COLOMBO (SC) 16. ANTONIO ANASTASIA 17. EDINHO SILVA (DILMA) 18. EDISON LOBAO 19. ELISEU PADILHA (ARRECADAÇÕES PMDB) 20. FERNANDO PIMENTEL 21. FRANCISCO DORNELES 22. GUIDO MANTEGA (DILMA) 23. RENAN CALHEIROS 24. MARCOS PEREIRA (MIN. INDUSTRIA) 25. JAQUES WAGNER 26. BRUNO ARAUJO (MIN. CIDADES) 27. EDUARDO PAES 28. MOREIRA FRANCO 29. KASSAB 30. PEZÃO 31. MARCONI PERILO (GOV. GOIAS) 32. GLEISI HOFFMAN
Moro – 12:40:32 – Reservadamente. Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina para evitar um abrupto pereat mundus.
Moro – 12:42:13 – Abertura paulatina segundo gravidade e qualidade da prova
Moro – 13:28:32 – Espero que LJ sobreviva ou pelo menos nós
Deltan – 13:55:27 –   

31 de agosto de 2016

Moro – 18:44:08 – Não é muito tempo sem operação?
Deltan – 20:05:32 – É sim. O problema é que as operações estão com as mesmas pessoas que estão com a denúncia do Lula. Decidimos postergar tudo até sair essa denúncia, menos a op do taccla pelo risco de evasão, mas ela depende de Articulacao com os americanos
Deltan – 20:05:45 – (Que está sendo feita)
Deltan – 20:05:59 – Estamos programados para denunciar dia 14
Moro – 20:53:39 – Ok

15 de dezembro de 2016

Deltan – 16:01:03 – Caro, favor não passar pra frente:
Deltan – 16:01:03 – Odebrecht (favor manter aqui): 9 presidentes (1 em exercício), 29 ministros (8 em exercício), 3 secretários federais, 34 senadores (21 em exercício), 82 deputados (41 em exercício), 63 governadores (11 em exercício), 17 deputados estaduais, 88 prefeitos e 15 vereadores
Deltan – 16:01:03 – 62 deputados/senadores em exercício. Com governadores dá 73
Deltan – 16:01:03 – 301 políticos na relação
Deltan – 16:01:03 – Mais 72 políticos estrangeiros
Deltan – 16:04:40 – brasileiros são políticos por cargo que OCUPA, OCUPOU oOU PARA O QUAL SE CANDIDATOU
Deltan – 16:04:45 – por isso os 9 presidentes
Moro – 17:22:10 – Tudo isso corrupção e lavagem ou muitos casos de cx2?
Deltan – 17:25:21 – Para dizer, teria que olhar um a um. Não temos esse levantamento ainda. Intuitivamente, com base nas leituras e análises: 30% claramente propina: eles e nós reconhecemos 40% zona cinzenta: depende de diligências ou análises 30% claramente caixa 2 e nós concordamos
Deltan – 17:51:34 – As doações via caixa 1 sem indícios de contrapartida não entram nisso. Ficam fora.
Moro – 18:32:37 – Opinião: melhor ficar com os 30 por cento iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do mp e judiciário.
Moro – 18:32:46 – Reservado obviamente
Deltan – 19:00:34 – 

13 de março de 2017

Moro – 12:32:39 – Prezado, a colega Laura Tessler de vcs é excelente profissional, mas para inquirição em audiência, ela não vai muito bem. Desculpe dizer isso, mas com discrição, tente dar uns conselhos a ela, para o próprio bem dela. Um treinamento faria bem. Favor manter reservada essa mensagem.
Deltan – 12:42:34 – Ok, manterei sim, obrigado!
Moro – 18:41:59 – Prezado, a Deputada Mara Gabrili mandou o texto abaixo para mim, podem dar uma checada nisso. Favor manter reservado.
Moro – 18:42:07 – Querido Moro, Tudo bem? Lembra que te perguntei se atrapalharia alguma coisa falar com o Marcos Valério? Fui ao Presidio de Contagem, conversei com ele sobre o conteúdo “da chantagem do Ronan” e pedi a ele que recebesse os promotores do MP de SP (os naturais do caso do assassinato do Celso Daniel). Na ocasião, me disse que os promotores não estavam interessados nesse assunto. Ele mudou de ideia e me mandou uma carta, pedindo que os promotores de SP fossem ouvi-lo, já que este conteúdo está presente na delação não homologada ainda pelo MP de Minas Gerais. Pediu pelo amor de Deus para tentar acelerar, pois descobriu mais coisas e está com medo de morrer. Comentou que o dr. Rodrigo Janot enviou dois procuradores do MPF para ouvi-lo (parece- me que uma se chama Dra Melissa). Esses dois procuradores não sabem ainda que nesta delação do MP de Minas Gerais tem esse conteúdo. Já conversei com o procurador geral de justiça do Estado de SP – Dr Smanio, fiz ofício, e até agora ele não designou ninguém pra ir lá. No final do ano passado, um outro procurador aqui do MP de SP, Edilson Mongenot Bonfim tentou reabrir o caso do homicídio, por conta de provas novas, mas não teve sucesso, pois o Dr. Smanio devolveu o processo para o Pic de 2005, que nunca saiu do lugar. De que adianta eu ter essa informação, se nenhum promotor a tem oficialmente. Sinto uma resistência muito grande aqui em SP para solucionar o caso. Eu tô com muito medo que aconteça alguma coisa com Marcos Valerio e nunca iremos desvendar esse mistério. Ontem, ele me procurou pedindo que conversasse com o Rodrigo Janot para reenviar os procuradores do MPF. Me ajuda, o que faço? E sempre te agradecendo do fundo do coração o que tem feito pelo Brasil e ainda mais especificamente com a cidade de Santo André. Um beijo Mara
Deltan – 19:22:41 – Falei com Diogo, que checará

8 de maio de 2017

Moro – 19:09:34 – Que história é essa que vcs querem adiar? Vcs devem estar brincando.
Moro – 19:09:52 – Não tem nulidade nenhuma, é só um monte de bobagem

9 de maio de 2017

Deltan – 08:41:54 – Passei o dia fora ontem. Defenderemos manter. Falaremos com Nivaldo.

11 de maio de 2017

Deltan – 22:14:23 – Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fique à vontade, desnecessário dizer, para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia. Não são imprescindíveis.
Deltan – 22:16:26 – Informo ainda que avaliamos desde ontem, ao longo de todo o dia, e entendemos, de modo unânime e com a ascom, que a imprensa estava cobrindo bem contradições e que nos manifestarmos sobre elas poderia ser pior. Passamos algumas relevantes para jornalistas. Decidimos fazer nota só sobre informação falsa, informando que nos manifestaremos sobre outras contradições nas alegações finais.
Moro – 23:07:15 – Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão mas a tendência é indeferir mesmo

27 de junho de 2017

Moro – 18:24:25 – Diante das absolvição do Vaccari seria talvez conveniente agilizar julgamento do caso do Skornicki no qual ele tb está preso e condenado. Parece que está para parecer na segunda instância
Deltan – 20:54:24 –   
Deltan – 20:54:53 – Providenciamos tb nota de que a PRR vai recorrer
Deltan – 20:57:31 – Tem outras tb no TRF. Alguma razão especial para apontar esta?
Moro – 23:20:53 – Porque Vaccari tb foi condenado nesta?!

10 de setembro de 2017

Moro – 15:28:29 – Cara, recebi uma fotos de vc fantasiado de superhomem com um tal de Castor, não sei o que faço mas a Mônica Bergamin está perguntando se vc preferiu o Superman i, oi ou Iii?
Deltan – 22:47:06 – Kkkkkkk
Deltan – 22:47:28 – Tá no face tb?
Deltan – 22:48:10 – Se tiver, preciso tirar… ela está me difamando, era na verdade de príncipe que eu estava rs

11 de setembro de 2017

Moro – 09:48:04 – Rs. Não precisa se preocupar, só fiquei sabendo, não tenho as fotos e nem ela, acho.

CHAT MPF 2

16 de outubro de 2015

Athayde – 11:39:34 –http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/alexandrino-o-diretor-da-odebrecht-que-acompanhava-lula-em-suas-viagens-sera-solto-hoje.html
Athayde – 11:39:54 – VIRAM ISSO????
Athayde – 11:40:12 – Risco de extensão
Roberson – 11:41:42 – MPF PqP!
Roberson – 11:41:54 – MPF STJ mantendo e STF soltando
Athayde – 11:42:00 – Tem a meter essa denúncia logo
Diogo – 11:46:48 – 
Diogo – 11:46:52 – vergonha
Athayde – 11:47:55 – Pedidos de MO e outros já devem estar na mesa…. Ai pode cair os da AG tb
Athayde – 11:51:00 – Q merda
Welter Prr – 11:59:52 – Acho que é canguru, pque o stj nao tinha julgado o dele
Deltan – 12:02:52 – Haverá reunião com PF próxima semana, para definirmos próximos alvos. Importante Vc estar.
Deltan – 12:04:40 – Falei com russo
Deltan – 12:05:35 – Caro, STF soltouAlexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. Se Vc puder decidir isso hoje, antes do plantão e de eventual extensão, mandamos hoje. Se não, enviamos segunda-feira. Seria possível apreciar hoje? Resposta Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia. Teriam que ser fatos graves
Deltan – 12:10:04 – CF, venha almoçar conosco
Diogo – 12:13:16 – será que foi HCmesmo?
Diogo – 12:13:24 – nao foi reclamação?
Diogo – 12:13:32 – nem a notícia de indeferimento de liminar do STJ nós tinhamos
Diogo – 12:13:52 –http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/stj-derruba-liminar-e-auditores-denunciados-na-publicano-i-podem-voltar-para-a-prisao-8fw97dc41oihe0t0j9db01yw1
Diogo – 12:14:00 – acho que foi reclamação
Deltan – 12:20:08 – Falei com SB e pedi pra ele levantar a decisão o que aconteceu pra rever liminar ec
Deltan – 12:20:08 – etc
Deltan – 12:21:56 – Caros, não acho que é o caso de ficarmos quietos com essa decisão. Se fossem traficantes, estariam presos indefinidamente, e essa situação é mais grave. Nada mudou, fundamentos permanecem, inclusive empresa que empregava corrupção sistematicamente. Não colaboram com as inv, não apresentaram contas do exterior etc. Caso fatiado e agora soltando em 4 meses? Creio que devemos fazer uma reação refletida, mas temos que reagir. Se continuarmos quietos, apanharemos como cachorro sem dono. Não estou pregando nada precipitado, mas podemos fazer uma reação por nota à imprensa, bem firme.
Paulo – 12:27:51 – Concordo, mas infelizmente não vejo muito efeito no que fizermos, por mais duro que seja.
Orlando SP – 12:31:12 – Tb acho q podemos dizer algo sim
Orlando SP – 12:33:01 – Pessoal, Tô indo para a Pf ouvir Bernardi.SUPRIMIDOSUPRIMIDOSUPRIMIDO
Deltan – 12:34:12 – Orlando, conte conosco pra tudo.SUPRIMIDOSUPRIMIDOSUPRIMIDO
Orlando – 13:00:00 – SP Blz. Tks. AbcsDependemos do apoio de leitores como você para continuar fazendo jornalismo independente e investigativo.Junte-se a nós 

Exclusivo: chats privados revelam colaboração proibida de Sergio Moro com Deltan Dallagnol na Lava JatoExclusivo: Deltan Dallagnol duvidava das provas contra Lula e de propina da Petrobras horas antes da denúncia do triplexExclusivo: Procuradores da Lava Jato tramaram em segredo para impedir entrevista de Lula antes das eleições por medo de que ajudasse a ‘eleger o Haddad’Como e por que o Intercept está publicando chats privados sobre a Lava Jato e Sergio Moro

As mensagens secretas da Lava Jato

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O gênio Jackson do Pandeiro


Cantor, instrumentista e compositor, José Gomes Filho, conhecido como Jackson do Pandeiro, nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, no dia 31 de agosto de 1919, filho do oleiro José Gomes e da cantora de coco pernambucana Flora Mourão (Glória Maria da Conceição).

Aos oito anos, começou a tocar zabumba e passou a acompanhar sua mãe nas festas de Alagoa Grande. 

Em 1932, após a morte de seu pai, mudou-se com a mãe e os irmãos para a cidade de Campina Grande, também na Paraíba, onde começou a trabalhar como entregador de pão e engraxate, para ajudar a sustentar a família.

Gostava de assistir aos emboladores de coco e repentistas na feira da cidade, assim como adorava cinema, principalmente os filmes de faroeste:

Na época eu brincava de artista, naquele tempo do cinema mudo. Então tinha aquele pessoal do faroeste, e todo menino fazia suas quadrilhas, de índio, de chefe de quadrilha, de bandido, e eu era então o Jack Perry. Comprei um chapelão de palha, um revólver de madeira, e a gente brincava. Depois fui crescendo, tinha que ajudar minha mãe a dar de comer à moçada e tive que trabalhar. Parei com a brincadeira mas fiquei com o nome Jack, só J-a-c-k. Comecei a tocar pandeiro e os caras: – Come que é, e aí, Jack, Jack do Pandeiro… Fiquei sendo Jack do Pandeiro.

Em 1936, aos 17 anos, largou o trabalho e foi ser substituto do baterista de um conjunto musical do Clube Ipiranga, sendo efetivado posteriormente como percussionista do grupo. 

Fonte: Fundaj

Uma breve história da filosofia


ERA PRÉ-SOCRÁTICA

A filosofia não nasceu na Grécia. A terra natal de Tales, considerado o primeiro filósofo da história, é Mileto, cidade do sul da Jônia, região que hoje pertence à Turquia. Ou seja, é correto dizer que a filosofia nasceu no mundo grego, mas o mundo grego dos séculos 7 e 5 a.C. não tem nada a ver com a Grécia de hoje. Abrangia a costa do Mar Egeu, de Mármara e boa parte do Mar Negro, além do sul da Itália e das regiões costeiras da França, Espanha e África. Demorou quase cem anos para a filosofia chegar à capital Atenas, onde viveu Sócrates, uma espécie de Jesus Cristo da filosofia.

Motivo: assim como o calendário está dividido em antes e depois do surgimento do messias cristão, a filosofia também tem duas eras: pré e pós-Sócrates. Na era pré-socrática, a principal preocupação era saber de que era feito o mundo e o ser humano. A pergunta “de que são feitas as coisas?” pode soar ingênua e até infantil. Mas o filósofo Timothy Williamson, de Oxford, considera uma das melhores perguntas já proferidas — uma questão que nos conduziu a boa parte da ciência moderna. Pela primeira vez na história, os pensadores colocaram o raciocínio na frente da mitologia. Eles não engoliam a ideia de que o mundo surgira do nada. “Nada vem do nada e nada volta ao nada” era uma premissa básica para os pré-socráticos, o que significava dizer que o mundo é uma eterna reciclagem, tudo se transforma sem jamais desaparecer. Eles tinham até uma palavra para esse mundo perene: physis, do verbo grego “fazer surgir”. Physis era a origem de todos os seres e coisas mortais do mundo, que estão em permanente transformação. O café quente esfria, o inverno vira primavera, o longe fica perto se formos até ele, a criança cresce e vira um adulto. A natureza está em constante transformação, mas isso não quer dizer que ela é caótica. As mudanças seguem uma lógica determinada pela physis.

Mas afinal o que era a physis? Cada pensador achava que era uma coisa. Tales afirmava que o princípio era a água ou o úmido. Anaximandro, o infinito. Anaxímenes, o ar. Pode parecer simplório, mas era a primeira vez que se buscava uma resposta racional para a origem do mundo.

CONHEÇA OS PENSADORES

Tales de Mileto

Anaximandro

Anaxímenes

Parmênides

Heráclito

Pitágoras

Protágoras

Górgias

ERA CLÁSSICA

Entre os séculos 6 e 5 a.C., o mundo grego sofreu uma reviravolta socioeconômica decisiva para o surgimento de pensadores da estatura de Sócrates, Platão e Aristóteles. A cultura agrária e aristócrática da Grécia, que na época reunia cidades-Estados e não formava um país como hoje, deu lugar à vida urbana e democrática. Uma nascente indústria artesanal e o comércio levaram hordas de gregos do campo para as cidades. A nova classe trabalhadora passou a questionar o poder político da monarquia e, por volta de 507 a.C, o reformador Clístenes introduziu um princípio crucial que alterou a ordem social na região: a igualdade dos homens perante a lei e o direito de todos participarem das decisões políticas da comunidade. A Grécia virou uma democracia direta. Nascia a figura do cidadão. Boa parte dos habitantes podia dar pitaco nas reformas da cidade e expressar opiniões em público (exceto mulheres e escravos, mas paciência…).

Mas era preciso saber falar para ser ouvido. O ideal de educação no novo mundo grego valorizava a formação do cidadão e não mais exaltava as virtudes aristocráticas, típicas dos poemas de Homero e Hesíodo, para quem o homem ideal era o herói de guerra atlético e corajoso. Os novos professores da classe cidadã eram os sofistas, pensadores que se apresentavam como mestres da oratória e da retórica e contestavam tudo e todos. Para os sofistas, o bom cidadão era persuasivo. Quem dominava a oratória ganhava qualquer discussão em uma assembleia na pólis. Certo? Sim, mas não para Sócrates, o pai da filosofia ocidental.

Sócrates construiu grande parte de seu pensamento em oposição ao sofistas, aos quais acusava de não ter respeito pela verdade. Como podiam defender uma ideia ou outra apenas para obter vantagem? Cadê a vergonha na cara? Para o mestre de Platão, o importante era buscar a essência das coisas e do mundo, o conceito de valores como justiça, amizade, amor, beleza e prudência. A verdade vem da reflexão racional sobre o que nos rodeia e não da percepção ou da opinião. O pai da filosofia distribuía perguntas pelas ruas da capital Atenas que desconcertavam os cidadãos gregos— O que é a beleza? Você diz que justiça é importante, mas o que é a justiça? Por que você pensa o que pensa?— e deu forma e método para a filosofia como a conhecemos hoje. Foi o primeiro filósofo “profissional”. Durante o período de ouro na Grécia, a filosofia se debruçou sobre quatro conceitos-chave: o bom, o belo, o bem e o justo. Mas não havia limites para o pensamento do trio filosófico mais influente da Antiguidade. Sócrates, Platão e Aristóteles estavam envolvidos com grandes questões: o sentido da vida, justiça social, administração das cidades, a busca da felicidade, como ser um bom cidadão. Mas iam além. A voracidade intelectual de Aristóteles era algo sem precedentes. O filósofo de Estagira (cidade do nordeste da Grécia) se interessou por todos os assuntos, da física à biologia passando pela ética, a política e a metafísica. A filosofia clássica foi a mãe das ciências — ideia que vai persistir até o final do século 18.

CONHEÇA OS PENSADORES

Sócrates

Epicuro

Platão

Aristóteles

Sêneca

ERA MEDIEVAL

Quando criança, Alexandre, o Grande, o maior conquistador do mundo antigo, teve Aristóteles como tutor. Dos 13 aos 16 anos, o futuro rei da Macedônia recebeu aulas de lógica, medicina, moral e arte, entre outros temas, do mestre da filosofia.

Em 323 a.C., Alexandre morreu aos 32 anos, e sua despedida marcou o fim do domínio cultural, político e filosófico da Grécia no mundo antigo. Sem o líder unificador, as cidades-Estado gregas, que antes cooperavam, voltaram a ser inimigas. A morte do general, que levou o domínio grego e os ensinamentos do tutor até onde se situa o Paquistão, enterrou também o legado de Platão e Aristóteles. Nos dois séculos seguintes, o Império Romano ascendeu, e os romanos não tinham tanto apreço pela filosofia grega. O que de fato cultivaram dos helênicos foi o estoicismo, que pregava uma conduta virtuosa e obediente às leis.

A influência da cultura romana no mundo foi forte o suficiente para deixar os pensadores gregos no esquecimento por alguns séculos. Em 313 d.C., o cristianismo ganhou força com o Edito de Milão, que decretou a liberdade religiosa em Roma. Dois séculos depois, com a queda do Império Romano, começou a era de total domínio da Igreja na Europa Ocidental, período que durou quase mil anos. A abordagem grega de filosofia como uma reflexão exclusivamente racional, independente dos credos, sumiu. Durante toda a Idade Média, os pensadores se concentram em temas religiosos, uma cruzada inaugurada por Santo Agostinho, o primeiro a fundir a doutrina cristã com abordagens da Grécia clássica. Esse esforço de unir a religião ao pensamento crítico foi a principal tarefa da escolástica, corrente que nasceu nos monastérios e buscava uma justificação racional para a crença em Deus. A Igreja controlava o processo de conhecimento na época e criou as primeiras universidades.

Mas isso tudo ocorria no Ocidente. Na mesma época, no Oriente, especialmente nas regiões que haviam pertencido ao mais célebre aluno de Aristóteles, Alexandre, a cultura grega clássica, não por acaso, continuava viva. Pensadores árabes e persas como Al-Farabi, Averróis e Avicena incorporam as ideias de Platão e Aristóteles, esquecidos na Europa medieval, à cultura islâmica do século 7 em diante. O mais curioso é que foi preciso a expansão muçulmana na Ásia, África e Espanha para levar os esquecidos filósofos gregos de volta ao Ocidente.

Por meio de fontes islâmicas, pensadores cristãos começaram a dar mais atenção às obras aristotélicas e platônicas e acharam pontos de compatibilidade entre o cristianismo e a filosofia clássica, que alcança seu ápice com Santo Anselmo, considerado o pai da escolástica, aquele que melhor encontrou um equilíbrio entre fé e razão.

CONHEÇA OS PENSADORES

Santo Agostinho

Al-Farabi

Avicena

Averróis

Santo Anselmo

Pedro Abelardo

São Tomás de Aquino

Duns Scotus

RENASCIMENTO

O Renascimento não é precisamente um período histórico, mas a síntese de um espírito novo que surgiu na Itália. Na filosofia, o movimento foi inaugurado por Dante, com a sua Divina Comédia, no início do século 14, mas foi a partir dos séculos 15 e 16 que os pensadores ampliaram a faxina para varrer a poeira medieval. Os renascentistas eram bons marqueteiros: usavam os termos “renovar”, “restituir a uma nova vida”, “fazer reviver” para marcar uma oposição clara à cultura da Idade Média, que julgavam um período de barbárie e escuridão. A história fez questão de acabar com essa propaganda enganosa — a Idade Média não foi só horror. O nome Renascimento, enfim, colou, mas o período marcou, na verdade, o parto de uma outra cultura, que colocou o homem e suas inquietações — e não mais o Deus dos medievais — de volta ao centro do mundo. Não por acaso, a fase também é chamada de humanismo. Nascia uma filosofia inteiramente secular, separada da Igreja.

Os renascentistas beberam na mesma fonte dos medievais, na filosofia grega. Platão e Aristóteles — sempre eles — foram a inspiração dos ideais antropocentristas. Platão foi amplamente recuperado na Itália renascentista que dominou o mundo cultural da época — a imprensa de Gutenberg se encarregou de espalhar as ideias renascentistas para o resto da Europa. Os humanistas colocaram em prática o uso da razão e da evidência empírica na investigação do mundo. Mas a coisa não era tão pé-no-chão assim. Uma das correntes do pensamento da época, o neoplatonismo, explorava a ideia de que o homem era parte da natureza e podia agir sobre ela por meio da magia e da astrologia. Outra corrente, mais realista, iniciou a defesa dos ideais republicanos contra o poderoso Império Germânico e contra os papas. O florentino Nicolau Maquiavel é seu primeiro representante. A liberdade política da antiga Grécia era exaltada como exemplo de participação social. A indignação contra o status quolevou a mudanças profundas e marcou a Reforma Protestante, que teve como resposta a Contra-Reforma e a Inquisição.

Os pensadores renascentistas escreviam bem à beça. As obras mais famosas da época são hoje mais conhecidas como peças literárias do que como tratados filosóficos. O Elogio à Loucura, de Erasmo de Roterdã, por exemplo, é considerado uma das sátiras mais brilhantes da literatura mundial. Montaigne, autor de Ensaios, é tido como o inventor do gênero. Apesar do entusiasmo marcado pelas grandes aventuras marítimas da época e pelo pulsante comércio que entupia a Europa de novidades vindas do Oriente e da América, sem esquecer da efervescência das artes, com Da Vinci, Botticelli e Michelângelo botando para quebrar, as obras mais famosas do campo filosófico são céticas e pessimistas. Para Maquiavel e Montaigne, por exemplo, não havia muita saída para a corrupção na política — uma interpretação tremendamente atual, diga-se.

CONHEÇA OS PENSADORES

Dante Alighieri

Thomas More

Erasmo de Roterdã

Maquiavel

Montaigne

Giordano Bruno

Campanella

ERA MODERNA

Depois do Renascimento ter abalado o monopólio da Igreja sobre o pensamento, cultura e política europeia, o século 17 marca a vitória definitiva da razão e da ciência sobre a religião — um movimento batizado de Iluminismo. A Europa, que antes era um continente unificado pelo poder eclesiástico, divide-se em nações poderosas. Grã-Bretanha, França, Espanha, Portugal e Holanda consolidam seu poderio econômico com colônias ao redor do mundo e, em cada país, surge uma próspera classe média urbana.

Aos filósofos modernos coube a iniciativa de integrar o raciocínio filosófico com o científico, em alta depois que as grandes navegações — e os grandes lucros provenientes do comércio com as Índias — comprovaram noções negadas pelo poder eclesiástico, como o fato de a Terra ser redonda. Os britânicos Thomas Hobbes e Francis Bacon foram pioneiros nessa fase, que inaugura o período conhecido como a Idade da Razão. Não por acaso, vários desses filósofos são matemáticos de formação, como René Descartes, tido como o fundador do pensamento moderno. Para ele, o raciocínio matemático é o melhor modelo para conhecer o mundo. A pergunta “o que posso conhecer?” marcou a crença de que a sabedoria vem da razão, pensamento que dominaria o continente europeu no século seguinte. Na Grã-Bretanha, porém, uma tradição filosófica bem diferente ganhou corpo. Inspirado em Francis Bacon, John Locke chegou à conclusão de que não é a razão, mas a experiência, a fonte de conhecimento sobre o mundo.

Apesar da divisão entre o racionalismo continental e o empirismo britânico, havia algo em comum: a importância do ser humano, um ser dotado de razão e capaz de experimentar o mundo. Questões como a natureza do Universo, que até então dominavam o pensamento, saíram da filosofia e entraram para a ciência, a cargo de figuras como Isaac Newton. À filosofia, restaram perguntas de ordem epistemológica, existencial e política: “como podemos conhecer o que conhecemos?”, “qual é a essência do eu?” e “o que ocorrerá no mundo se a monarquia cair?”. Dúvidas que lançaram bases para um sério questionamento sobre o status quo e para a consolidação do ideal democrático nascente. A grande mudança intelectual dos modernos foi considerar as coisas externas (a natureza, a política etc) como representações ou conceitos. Isto é, tudo o que pode ser conhecido deve ser transformado pelo homem em um conceito distinto e demonstrável, permitindo ao homem interpretá-lo a seu bel prazer. Na convicção moderna, a razão governa emoções, vontades e define o melhor sistema político. Mas toda essa certeza chega ao fim com Immanuel Kant, que dá uma guinada no pensamento filosófico. Com a Crítica da Razão Pura, Kant coloca um freio no afã racionalista ao demonstrar como e por que nossa racionalidade não é absoluta (ou não pode responder a tudo).

CONHEÇA OS PENSADORES

Descartes

Espinosa

Thomas Hobbes

John Locke

Francis Bacon

Montesquieu

Leibniz

Berkeley

David Hume

Thomas Reid

Voltaire

Jean-Jacques Rousseau

Immanuel Kant

ERA CONTEMPORÂNEA

Kant pôs fim na pretensão filosófica de tentar conhecer as coisas tais como elas são, a realidade em si. Depois dele, a filosofia passou a ser basicamente uma grande teoria do conhecimento: o que é possível conhecer verdadeiramente tendo em vista os limites da nossa razão?

Aos poucos, a corte da “rainha das ciências” começou a se desgarrar e criar seus próprios reinos. As ciências humanas, como a psicologia, a sociologia, a antropologia, a história e a geografia, foram ganhando independência e passaram a ser encaradas como campos de conhecimentos específicos, com métodos e resultados próprios. O segundo a minar o poderio filosófico foi Auguste Comte e seu positivismo. O pensador francês achava que a filosofia deveria ser apenas uma reflexão sobre os resultados e o significado dos avanços científicos. Com isso, a filosofia se resignou a estudar o conhecimento adquirido por vias mais sólidas do que o pensamento puro e a ética, que nunca deixou de ser um tema essencialmente dela.

O século 19 também aproximou alguns pensadores da realidade. A crítica de Karl Marx ao modo de produção que, segundo ele, sistematicamente explora os trabalhadores e enriquece os ricos, teve reflexos no mundo real assim que seu Manifesto do Partido Comunistaganhou as ruas. Marx, no entanto, foi uma exceção. O interesse pelas estruturas do conhecimento e pela consciência e seus modos de expressão direcionou a filosofia para recantos herméticos, como os estudos da linguagem — corrente conhecida como filosofia analítica, iniciada pelo austríaco Ludwig Wittgenstein. O movimento ficou conhecido como a “virada linguística”. Outra vertente, conhecida como fenomenologia, se debruçou sobre os fenômenos que se manifestam para a consciência, a partir da ideia kantiana de que a razão é uma estrutura da consciência. Seu criador, Edmund Husserl, considera a realidade como um conjunto de significações ou sentidos produzidos pela nossa razão.

Foi preciso chegar o século 20, com suas grandes guerras e agitações sociais, para colocar a política por fim de volta à pauta dos pensadores, que se tornaram críticos das ideologias e da ideia de progresso. Os filósofos tentaram frear o delírio científico-tecnológico e o otimismo revolucionário que cooptou grande parte dos intelectuais. Passaram a se questionar se o homem, imerso em uma vida acelerada e soterrado pela burocracia, conseguiria ter uma vida feliz e almejar uma sociedade justa. O primeiro a lançar essa dúvida foi o alemão Theodor Adorno, um dos fundadores da Escola de Frankfurt, que buscou inspiração em Marx. Será o homem realmente livre ou uma marionete da sua condição psiquíca e social?

CONHEÇA OS PENSADORES

Karl Marx

Friedrich Nietzsche

Hegel

Kierkegaard

Schopenhauer

Auguste Comte

Wittgenstein

Bertrand Russell

William James

Edmund Husserl

Jean-Paul Sartre

Theodore Adorno

Hannah Arendt

Heidegger

Karl Popper

Foucault

Rawls

Dawkins

Bauman

E HOJE?

O físico Stephen Hawking anunciou em 2011, na badalada conferência Zeitgeist, do Google, que a filosofia está morta. “A maioria de nós em algum momento se pergunta: por que estamos aqui? De onde viemos? Tradicionalmente, essas são questões para a filosofia, mas a filosofia está morta”, vaticinou um dos mais brilhantes cientistas da atualidade. “Filósofos não conseguem estar a par do desenvolvimento moderno da ciência, particularmente da física”, disse, sem piedade. Para Hawking, a filosofia do século 21 é aquele garoto que chegou à festa depois que os convidados haviam ido embora.

Apesar de causar mal-estar entre filósofos badalados, como o esloveno Slavoj Zizek, a cutucada de Hawking não é nova. Desde o século 19, a morte da filosofia vem sendo anunciada. Mas, agora, o avanço sem precedentes da ciência, especialmente da neurociência, confronta uma das grandes motivações da filosofia desde a Antiguidade: a busca pela certeza. Se a ciência fornece respostas exatas, o que sobraria para a filosofia discutir? Nada, na opinião de Hawking. Na resposta pública ao físico popstar, os filósofos Creston Davis e Santiago Zabala concordam que a filosofia que vira as costas para as descobertas da ciência, se ainda não morreu, está com os dias contados. Na filosofia do século 21, afirmam, a busca por certezas ou consensos não é mais seu objetivo primordial. Como diz Slavoj Zizek, “a filosofia na atualidade é uma disciplina bem modesta. Não resolve os problemas”.

Sem tentar ser a solução para tudo, a filosofia moderna se mostra útil na formulação de novas interpretações dos fenômenos sociais. Ela se volta para discutir eventos históricos e avanços tecnológicos e científicos, um campo fértil para questionamentos desconcertantes sobre o nosso papel na sociedade, os sistemas de governo, a relação do homem com as máquinas e o próprio livre-arbítrio. Como sempre fez, a filosofia ainda encontra espaço para apontar incoerências e aprofundar questões como o respeito aos animais, a ética do dinheiro, nossa responsabilidade diante da miséria no mundo e o direito de decidir a hora de morrer — como traz à tona um dos mais proeminentes pensadores da atualidade, Peter Singer.

Mais: duas perguntas em particular seguem fora da jurisdição da ciência — e, consequentemente, vão para o terreno da filosofia. A primeira é a natureza da nossa consciência. Por que e como se forma a percepção de cada pessoa de que ela é um único e irrepetível indivíduo? Descartes tinha razão quando compreendeu que o pensamento comprova a nossa existência, mas nem ele — nem ninguém — conseguiu explicar por que pensamos, afinal de contas. Por último, o mais abismal dos porquês: por que estamos aqui? Por que existe tudo isso em vez de um imenso e eterno nada? Cientistas estão longe da resposta, mas não deixam de persegui-la. E filósofos não se esquecem de seguir perguntando.

Fonte: O guia da filosofia

Missa do Vaqueiro / História


      A Missa do Vaqueiro é um evento religioso, tradicional na cultura popular do sertão pernambucano.

          Esta celebração teve origem a partir do desaparecimento do vaqueiro Raimundo Jacó, um vaqueiro de muita coragem do Sertão nordestino, que foi assassinado traiçoeiramente nas caatingas do Sítio das Lages, distrito do município de Serrita, localizado no alto sertão do Araripe, localizado a 553 quilômetros do Recife.

         A primeira missa em sua memória foi idealizada pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga cantor e compositor pernambucano, e rezada pelo padre João Câncio dos Santos em 1971. Celebrada sempre no terceiro domingo do mês de julho, ao ar livre, num local onde foi construído um altar de pedra rústica em forma de ferradura. É neste dia que se reúnem vaqueiros de vários estados do Norte e Nordeste e se confraternizam diante da fé cristã.

          A ideologia cristã da missa é um ato de fé do homem sertanejo, que apesar de ser um povo sofrido, não perde jamais a esperança de dias melhores.

          Eles sobem até o altar e fazem suas oferendas com peças de sua indumentária de couro, arreios, e instrumentos usados no pastoreio do gado. Durante o ofertório eles improvisam versos de aboio sobre cada peça ofertada.

          Os vaqueiros são homens sertanejos, boiadeiros de perdidas caatingas. Chegam montados nos seus cavalos, vestidos de gibão, botas, coletes e chapéu de couro enfeitado, trazendo no semblante a bravura do homem sertanejo.

          Esta é uma homenagem feita não apenas ao grande vaqueiro Raimundo Jacó, mas a todos vaqueiros nordestinos corajosos que desafiam a imensidão, a seca, a fome e o perigo do grande Sertão nordestino.

          Na semana que antecede a celebração da missa, o município de Serrita vive um clima de festa folclórica, com vaquejada, banda de pífanos, zabumbeiros, sanfoneiros tocando forró pé-de-serra, baião, xote , xaxado, ciranda, coco, cantorias, repentistas, aboiadores, além da feirinha típica, onde são expostos objetos artesanais e decorativos, comidas tradicionais à base de milho e mandioca, rapadura, caldo de cana , beijus, entre outras.

          O objetivo principal da Missa do Vaqueiro é mostrar, através da figura do vaqueiro Raimundo Jacó, a bravura, a dedicação e a fé do homem sertanejo, valorizando a cultura popular e o rico artesanato nordestino.

Recife, 21 de julho de 2003.
(Atualizado em 31 de agosto de 2009).

FONTE CONSULTADA:

BARRETO, José Ricardo Paes; LAPENDA, Ana Lúcia ; SETE, Nilza Maria Nunes. A Missa do Vaqueiro: uma abordagem cultural. Recife: Apipucos, 1990. 98p.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Missa do Vaqueiro. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

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Atividades

Ajuda Escolar

A história do milho



Segundo Mary Poll, em trabalho publicado na revista Pnas, os primeiros registros do cultivo do milho datam de há 7.300 anos, e foram encontrados em pequenas ilhas próximas ao litoral do México, no golfo do México.

Seu nome, de origem indígena caribenha, significa “sustento da vida”. Alimentação básica de várias civilizações importantes ao longo dos séculos, os Olmecas, Maias, Astecas e Incas reverenciavam o cereal na arte e na religião.

Grande parte de suas atividades diárias era ligada ao seu cultivo. Segundo Linda Perry, em artigo publicado na revista Nature, o milho já era cultivado na América do Sul há pelo menos 4.000 anos.

O milho era plantado por índios americanos em montes, usando um sistema complexo que variava a espécie plantada de acordo com o seu uso. Esse método foi substituído por plantações de uma única espécie.

Com as grandes navegações do século XVI e o início do processo de colonização da América, a cultura do milho se expandiu para outras partes do mundo. Hoje é cultivado e consumido em todos os continentes e sua produção só perde para a do trigo e do arroz. No Brasil, o cultivo do milho vem desde antes da chegada dos europeus.

Os índios, principalmente os guaranis, tinham o cereal como o principal ingrediente de sua dieta. Com a chegada dos portugueses, o consumo aumentou e novos produtos à base de milho foram incorporados aos hábitos alimentares dos brasileiros.

Sua popularidade começou quando os primeiros europeus descobriram sua existência: os exploradores falavam de “um tipo de grão” que chamavam de milho, de bom sabor quando cozido seco e como farinha.

Sua presença foi fundamental para a dieta e mesmo para a cultura de antigas civilizações americanas. Na América é conhecido por diferentes nomes: milho, choclo, jojoto, corn, maíz, elote. Deve-se notar que existem tipos diferentes de milho, como o dentado, o duro, o macio ou farinhoso, o doce e o pipoca. Encontramos hoje aproximadamente 150 espécies de milho, com grande diversidade de cor e formato dos grãos.

Além de suas virtudes como alimento (onde demonstra uma incrível capacidade para transformar-se em farinha, flocos, pastas, etc.), o milho tem reservadas outras surpresas: tem uso como ingrediente básico para processos industriais. Está na raiz de produtos como amido, azeite e proteínas, bebidas alcoólicas, edulcorantes alimentícios e combustível.

O plantio de milho na forma ancestral continua a praticar-se na América do Sul, nomeadamente em regiões pouco desenvolvidas, no sistema conhecido no Brasil como de roças.

Atualmente, embora o nível de consumo do milho no Brasil venha crescendo, ainda está longe de ser comparado a países como o México e aos da região do Caribe.

COMPONENTES

O grão de milho, quando cortado na vertical, revela seus componentes básicos. São eles:

Endosperma – corresponde à maior parte do grão de milho e é composto basicamente de amido (quase 61%), além de outros 7% de glúten que envolve os grânulos de amido e de pequena porcentagem de gordura e demais componentes.

Película – é a parte que recobre o grão. Devidamente processada, ela é empregada como ingrediente em rações animais.

Água – corresponde a aproximadamente 16% do grão de milho. A água também é utilizada no processo inicial de maceração. O liquor resultante da maceração é rico em vitaminas, especialmente do complexo B. Ele é normalmente usado em rações, além de ser aplicado na fabricação de antibióticos.

Germe – é a parte vegetativa do grão e fonte de óleo do milho. O germe é um componente importante para alimentos, produtos farmacêuticos e aplicações industriais. As frações remanescentes do germe são processadas e podem ser utilizadas como ingredientes em rações animais.

BENEFÍCIOS

O milho é uma planta da família Gramineae e da espécie Zea mays. Comummente, o termo se refere à sua semente, um cereal de altas qualidades nutritivas. È um conhecido cereal cultivado em grande parte do mundo. É extensivamente utilizado como alimento humano ou ração animal, devido às suas qualidades nutricionais. O maior produtor mundial são os Estados Unidos.

No Brasil, que também é um grande produtor e exportador, São Paulo e Paraná são os estados líderes na sua produção. A maior produção municipal é a de Jataí, em Goiás.

O milho é um dos alimentos mais nutritivos que existem. Puro ou como ingrediente de outros produtos, é uma importante fonte energética para o homem.

Ao contrário do trigo e o arroz, que são refinados durante seus processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em fibras, fundamental para a eliminação das toxinas do organismo humano.

Além das fibras, o grão de milho é constituído de calorias, gordura puras, vitaminas (B e complexo A), sais naturais (metal, isuqieo, fóssio, cálcio), óleo e grandes quantidades de açúcares, gorduras e celulose.
Maior que as qualidades nutricionais do milho, só mesmo sua versatilidade para o aproveitamento na alimentação humana. Ele pode ser consumido diretamente ou como componente para a fabricação de balas, biscoitos, pães, chocolates, geléias, sorvetes, maionese e até cerveja.

Nos Estados Unidos, o uso do milho na alimentação humana direta é relativamente pequeno – embora haja grande produção de cereais matinais como flocos de cereais ou corn flakes e xarope de milho, utilizado como adoçante. No México o seu uso é muito importante, sendo a base da alimentação da população (é o ingrediente principal das tortilhas, e outros pratos da culinária mexicana).

No Brasil, é a matéria-prima principal de vários pratos da culinária típica brasileira como canjica, cuscuz, polenta, angu, mingaus, pamonhas, cremes, entre outros como bolos, pipoca ou simplesmente milho cozido. Maior que as qualidades nutricionais do milho, só mesmo sua versatilidade para o aproveitamento na alimentação humana.

Atualmente somente cerca de 5% de produção brasileira se destina ao consumo humano e, mesmo assim, de maneira indireta na composição de outros produtos, sendo a maior parte de sua produção é utilizada na alimentação animal e chega até nós através dos diversos tipos de carne (bovina, suína, aves e peixes).

Isto se deve principalmente à falta de informação sobre o milho e à ausência de uma maior divulgação de suas qualidades nutricionais, bem como aos hábitos alimentares da população brasileira, que privilegia outros grãos. O uso primário do milho nos Estados Unidos e no Canadá é na alimentação para animais. O Brasil tem situação parecida: 65% do milho é utilizado na alimentação animal, e 11% é consumido pela indústria, para diversos fins.

Seu uso industrial não se restringe à indústria alimentícia. É largamente utilizado na produção de elementos espessantes e colantes (para diversos fins) e na produção de óleos e de etanol. O etanol é utilizado como aditivo na gasolina, para aumentar a octanagem. Algumas formas da planta são ocasionalmente cultivadas na jardinagem.

Para este propósito, são usadas espécies com folhas de cores e formas variadas, assim como espécies com espigas de cores vibrantes.

O milho, afinal, é um cereal de elevado valor energético – justamente a principal deficiência nutricional da população brasileira de baixa renda. Cada cem gramas do milho em grão contém aproximadamente 360 kcal – o que representa perto de 20% da necessidade calórica de um adulto, em torno de 2.100 kcal diárias.

Trata-se, de outra parte, de um alimento de grande penetração popular, sobretudo sob a formulação de farinhas e misturas.

Não por acaso, o Ministério da Saúde escolheu a farinha de milho, juntamente com a de trigo, para a incorporação de ferro e vitamina B9 (ácido fólico).

Com a adição desses produtos à farinha, os técnicos do Ministério da Saúde pretendem, acertadamente, reduzir substancialmente os índices de anemia e de mielomeningocele, doença que provoca a paralisia dos membros inferiores e de órgãos internos, dentre outras seqüelas.

Pesquisadores do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Granada, da Rede Nacional de Pesquisa do Envelhecimento da Espanha, concluíram estudo que demonstrou que o consumo de milho adia o envelhecimento, devido ao alto conteúdo de melatonina, substância produzida em pequenas quantidades pelo corpo, com propriedades antioxidantes que retardam a degeneração neuronial.

O milho cumpre ainda o importante papel de ajudar a prevenir doenças crônico-degenerativas por possuir a substância ß-glucano, que protege contra enfermidades cardiovasculares. O uso do milho está presente também na indústria farmacêutica, onde é empregado em aproximadamente 85 tipos diferentes de antibióticos.

Além de ser uma resposta à altura para as demandas e necessidades da população brasileira, o aumento do consumo humano de milho encerra outro benefício: a oportunidade de conferir ganhos de qualidade e de abrir novas frentes de negócios para a cadeia produtiva.

O aumento do consumo humano de milho, com efeito, abre um enorme e virtuoso campo de operação para o empresário rural, que pode investir num sistema de produção que agregue maior valor – o milho destinado ao consumo humano, afinal, é um produto sofisticado, mais “limpo”, de maior qualidade nutricional e, portanto, mais valorizado.

Os demais elos da corrente também só têm a ganhar com o desenvolvimento desse segmento – fabricante de insumos, produtores de sementes, fornecedores de máquinas às indústrias processadoras de alimentos. A constituição de uma massa crítica em torno dessa cadeia produtiva concorre, por fim, para abrir mercados externos de valor agregado mais apurado.

Vale lembrar que o País exportou 4,8 milhões de toneladas em 2004, movimentando US$ 166 milhões. Essa produção, transformada em alimentos e produtos acabados, pode agregar receita de maior valor. O aumento do consumo humano de milho, como se vê, é um esforço que interessa a todos os elos da cadeia produtiva e aos mais de 180 milhões de brasileiros.

Fontes:
http://www.abimilho.com.br/riqueza.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Milho
http://www.tierramerica.net/2001/0408/pconectate.shtml
http://www.copacabanarunners.net/milho.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pipoca
Gazeta Mercantil/Caderno A – Página 3 – 03/10/05
* Algumas fotos foram extraídas do clip-art on-line

Fonte: Fiesp

A luta esquecida dos negros pelo fim da escravidão no Brasil


Há 130 anos, o domingo de 13 de maio de 1888 amanheceu ensolarado no Rio de Janeiro, a capital do Império do Brasil. Era um dia de festa. A escravidão chegava ao fim por meio de uma lei votada no Senado e assinada pela princesa Isabel.

Edição de 14 de maio de 1888A Gazeta de Notícias \/ Acervo Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

Edição de 14 de maio de 1888
A Gazeta de Notícias / Acervo Fundação Biblioteca Nacional – Brasil

O Brasil era o último país da América a acabar com a escravidão. Ao longo de mais de três séculos, foi o maior destino de tráfico de africanos no mundo, quase cinco milhões de pessoas. Grande parte dos descendentes daqueles que chegaram também fora escravizada.

“Todos saímos à rua. Todos respiravam felicidade, tudo era delírio. Verdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto”, recordou cinco anos depois o escritor Machado de Assis, que participou das comemorações do fim da escravidão, no Rio.

Edição de 14 de maio de 1888 \/ O CachoeiranoAcervo Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

Edição de 14 de maio de 1888 / O Cachoeirano
Acervo Fundação Biblioteca Nacional – Brasil

Outro escritor afro-descendente, Lima Barreto, completava 7 anos naquele 13 de maio e celebrou o aniversário no meio da multidão. Décadas depois, se lembraria: “Jamais na minha vida vi tanta alegria. Era geral, era total. E os dias que se seguiram, dias de folganças e satisfação, deram-me uma visão da vida inteiramente (de) festa e harmonia”.“Houve sol, e grande sol, naquele domingo de 1888, em que o Senado votou a lei, que a regente sancionou, e todos saímos à rua.Todos respiravam felicidade, tudo era delírio”

Machado de Assis

Abaixo, foto da missa realizada em 17 de maio de 1888, no campo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, para celebrar o fim da escravidão no Brasil.

Na imagem é possível ver a princesa Isabel. À sua esquerda, um pouco abaixo, estaria Machado de Assis.

Crédito: Antonio Luiz Ferreira/Acervo Instituto Moreira Salles

Na festa, Isabel foi exaltada pelo povo. Mas a abolição não foi uma ação benevolente da princesa e do Senado. Tampouco derivava apenas da exaustão do modelo econômico baseado no trabalho escravo, que precisava ser substituído pelo trabalho livre.

Em 1831, o Brasil proibiu o tráfico negreiro. Já prevendo que isso ocorreria, os traficantes de escravos transportaram um número recorde de pessoas em 1829. Logo depois da lei, o tráfico caiu, mas voltou a subir e só foi proibido definitivamente em 1850.

Em 1831, o Brasil proibiu o tráfico negreiro. Já prevendo que isso ocorreria, os traficantes de escravos transportaram um número recorde de pessoas em 1829. Logo depois da lei, o tráfico caiu, mas voltou a subir e só foi proibido definitivamente em 1850.

O fim da escravidão no Brasil foi impulsionado por diversos fatores, entre eles, uma importante participação popular. Cada vez mais escravos, negros livres e brancos se juntaram aos ideais abolicionistas. Sobretudo, na década de 1880.

As principais táticas eram a reunião em diferentes associações abolicionistas, a realização de eventos artísticos para angariar apoio, o ingresso de processos na Justiça e até o apoio a revoltas e fugas de escravos.

Fotografia da Princesa Isabel, ano desconhecido
Joaquim Insley Pacheco \/ Acervo Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

Fotografia da Princesa Isabel, ano desconhecido 
Joaquim Insley Pacheco / Acervo Fundação Biblioteca Nacional – Brasil

Na segunda metade da década de 1880, o abolicionismo pôs o Brasil em polvorosa. Ceará, Amazonas e algumas cidades isoladas já tinham se declarado livres da escravidão. Fugas e revoltas de escravos eram cada vez mais frequentes. Depois de fugir, eles tentavam chegar até quilombos e territórios já libertos. A polícia era convocada para reprimir, mas também passou a se rebelar. O chefe do Exército chegou a escrever para a princesa exaltando a liberdade e dizendo que não iria mais caçar escravos fugidos.

No Parlamento, os debates pela abolição pegavam fogo. Na Justiça, havia um número cada vez maior de ações para reivindicar a liberdade. Nas cidades, espetáculos artísticos eram seguidos de libertações massivas de escravos – no final, flores costumavam ser atiradas ao palco e o público saía aos gritos de “Viva a liberdade, viva a abolição”.

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A filosofia da dúvida: um breve resumo histórico


filosofia da dúvida está escrita na história através de Platão, dos helenos, de Santo Agostinho, etc. Você gostaria de conhecê-la?

Pouco foi escrito sobre a filosofia da dúvida. A história do pensamento e da dúvida é contemporânea. No momento em que o homem começou a raciocinar sistematicamente sobre si mesmo e sua realidade, surgiram as primeiras dúvidas fundamentais.

Os grandes textos épicos indicam que os dilemas, as perguntas, os riscos e as inseguranças foram enfrentados, durante muitos séculos, com um enfoque puramente heroico. A melhor demonstração disso é representada pelos livros Ilíada e Odisseia.

A filosofia da dúvida

No antigo mundo helênico, a retórica tornou-se a arte de raciocinar sobre a existência e, além disso, um instrumento de persuasão. Em Sobre o Não Ser ou Sobre a Natureza, de Gorgias (Diels & Kranz, 1923), as dúvidas são o fundamento central de um pensamento livre.

Nas palavras de Protágoras“O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”Tal posição filosófica se concentra no desenvolvimento das capacidades do indivíduo para administrar a realidade, os demais e a si mesmo.

Sócrates também fez referência à filosofia da dúvida através da grande obra de Platão. Assim, se tornou a figura do pensador virtuoso. A partir desse momento histórico, o mundo das ideias e do pensamento se torna o Olimpo do homem.

Agir efetivamente deixa de ser o objetivo do pensamento. O pensamento filosófico começa a nutrir a si mesmo. A busca da verdade torna-se o objetivo final e mais importante da investigação filosófica. Utiliza a dúvida como principal instrumento dessa busca, mas tem como objetivo sua anulação para alcançar o conhecimento supremo.

A filosofia da dúvida

Platão e a dúvida

Se analisarmos a dúvida socrática e a maiêutica, surge algo com clareza. Procedendo através de perguntas orientadas, é possível trazer à tona a verdade interior do homem. Dessa forma, uma vez alcançada a verdade, a dúvida é cancelada (dando lugar a mais perguntas).

No entanto, é com o trabalho de Platão que o mundo das ideias ultrapassa a dimensão prática. Todo o trabalho de Platão, discípulo de Sócrates, é dirigido à demonstração do valor supremo da verdade. O mundo das ideias absolutas determina tudo.

A dúvida não mais encontra espaço como estímulo libertador para as prisões de um conhecimento controlado por ideias indiscutíveis, por serem absolutas. Em A República, Platão argumentou sobre a necessidade de uma reeducação do intelecto. Deveria ser realizado em estruturas que prefiguram, de certo modo, os modernos campos de concentração, construídos longe da cidade.

Para Platão, o conhecimento emanava de Deus (uma divindade muito particular), como a luz. Quem se encontrava mais longe dessa fonte era mais ignorante e primitivo. Quem se aproximava através do conhecimento e da fé ao mundo das ideias absolutas se elevava da bestialidade para se tornar um filósofo.

Platão e a filosofia da dúvida

A dúvida segundo Santo Agostinho

A filosofia da dúvida também pode ser observada em Santo Agostinho. A dúvida é, para Santo Agostinho, um passo obrigatório para alcançar a verdade. Remetendo-se a Sócrates, afirmava que a dúvida em si era uma expressão da verdade. Não podíamos duvidar se não houvesse uma verdade que pudesse ser extraída da dúvida.

A verdade, portanto, não pode ser conhecida em si mesma. Só pode ser conhecida sob a forma de refutação do erro. Encontra sua evidência na capacidade de duvidar das falsas ilusões que obscurecem o caminho para ela.

Durante toda a Idade Média, os mestres do escolasticismo recuperaram a lição de Santo Agostinho e a antiga retórica helênica. Fizeram isso através de dúvidas e dilemas aparentemente sem solução. Concluem que o rigor do raciocínio como a verdade de Deus vencia, de alguma forma, as dúvidas do homem.

Precisamente nesse período nasceram as universidades, o berço do conhecimento acadêmico. Não nasceram por acaso. Foram fundadas pelos mestres do escolasticismo. Entre os representantes mais importantes encontramos São Tomás de Aquino e Padre Abelardo.

A dúvida segundo Santo Agostinho

A dúvida no século XIX

A filosofia da dúvida não pode ser separada da ciênciaA partir da segunda metade do século XIX surge outro grande movimento que promete a vitória sobre a dúvida e os dilemas humanos: a ciência.

A confiança positivista no conhecimento científico logo se torna uma espécie de fé. Nos referimos a um tipo de promessa para a libertação de qualquer mal e para a melhora da condição humana.

É apenas no início do século XX que a confiança extrema na ciência e na sua capacidade de nos levar ao conhecimento objetivo também colapsa. Colapsa em virtude de reflexões metodológicas e das descobertas científicas mais avançadas.

Fonte: UOL