Queima de livros na História


10 LAMENTÁVEIS QUEIMA DE LIVROS NA HISTÓRIA HUMANA…

Sim, livros tem poder. Eles libertam, criam independência, e opinião. Justamente por isso, assim como já ocorreu com “as bruxas”, ao longo da história humana os livros foram queimados. Nesta lista uma seleção com 10 lamentáveis queima de livros na história humana:
1 – A queima nazista: Que a ascensão nazista provocou as maiores atrocidades em nossa recente história não restam dúvidas. E com os livros não foram diferentes, pois tão logo Hitler chegou ao poder como ação propagandista do novo sistema em diversas cidades alemãs foram organizadas sessões de queima de livros que não estevam de acordo com os padrões impostos pelo regime nazista.Thomas Mann,Sigmund Freud, Albert Einstein, Karl Marx, foram alguns dos autores que arderam nas piras de Hitler;
2 – A Dinastia Chin: Outra conhecida queima de livros na história se deu por ordem do Primeiro Imperador da Dinastia Chin que por volta de 213 a.C mandou queimar uma grande quantidade de livros que preservavam ideias e moral dos antigos;
3 – A queima do faraó: Por ordens do faraó Akhnatón que sucedeu Ramsés II milhares de papiros foram queimados por falarem de espectros e demiurgos extinguindo cerca de 75% da literatura existente;
4 – Os livros queimados de Wilhelm Reich: Com uma acusação de pornografia o Departamento de Estado America mandou queimar livros do autor, que entre outras contribuições para a sociedade está o debate das funções do orgasmo;
5 – A Destruição da Biblioteca de Alexandria: A destruição de uma das maiores bibliotecas da história antiga representou um verdadeiro “livrocídio”. Embora os historiadores divirjam e muito sobre o que realmente aconteceu a versão que se popularizou é a de que a biblioteca foi destruída por ordem de Amr ibn al-As, governador provincial do Egito em nome do califa Rashidun Omar ibn al-Khattab, pouco depois da conquista do Egito comandada por Amr em 642
6 – A inquisição: Outro evento histórico responsável pelo extermínio de uma grande quantidade de livros foi a inquisição, que queimava não somente a obra, mas muitas vezes seus autores. Só em Salamanca durante a inquisição espanhola, mais de 600 títulos foram para a fogueira;
7 – Fim aos escritos budistas: Em 1.153 com a conversão das Maldivas ao Islã, além da decapitação dos monges budistas, uma grande quantidade de escritos sobre o budismo foram incinerados;
8 – A briga entre Henrique VIII e o Papa: entre 1536 e 1550 a briga entre Henrique VIII e o papa resultou na incineração de textos católicos, fazendo em cinzas cerca de 300.000 volumes;
9 – Queima do Alcorão: Não é preciso queima uma biblioteca inteira para causar uma confusão internacional. Em 2012 soldados estrangeiros queimaram exemplares do Alcorão em uma base americana o que obviamente insuflou os ânimos na região;
10 – A Fogueira das Vaidades: Em 7 de fevereiro de 1497 aconteceu a mais famosa das fogueiras das vaidades. Partidários Girolamo Savonarola recolheram livros e outros objetos de artes ou cosméticos que teriam a capacidade de incitar ao pecado queimando-os em praça pública.

Fonte: Lista Literárias

Reforma Tributária/Historicamente os pobres sustentam os ricos no Brasil


Sistema de cobrança de impostos brasileiro penaliza mais pobres

Brasília – O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e um dos sistemas mais perversos e injustos de recolher impostos. Como se não bastasse cobrar demais pelo que não entrega, exige maior contribuição justamente da parcela da população que tem a menor renda e que mais precisa dos péssimos serviços públicos oferecidos pelo governo com o dinheiro dos contribuintes. Em outras palavras, paga mais quem ganha menos. A classe média também é penalizada, porque, além de ser fortemente taxada, gasta com serviços privados de saúde, educação e segurança para não depender de escolas de baixíssima qualidade, hospitais precários e um sistema de proteção ineficaz e perigoso.

No final do ano passado, a Receita Federal divulgou a carga tributária bruta de 2013, de 35,95% do Produto Interno Bruto (PIB). Tal nível de impostos coloca o Brasil no topo do ranking das nações da América Latina. Na avaliação do advogado tributarista Anderson Cardoso, sócio do escritório Souto Corrêa, o Brasil não só lidera o ranking da América Latina como está bem distante do segundo colocado. “A média é de 21,3% dos outros países, enquanto no Brasil é quase 36% do PIB. Temos carga de primeiro mundo e serviços de terceiro”, aponta.

O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) calcula que o brasileiro precisou trabalhar cinco meses em 2014 apenas para pagar impostos, o dobro do tempo que gastava na década de 1970. Seguramente, os serviços públicos não avançaram nessa proporção. Para o presidente do IBPT, João Eloi Olenike, o problema mais grave do modelo brasileiro de tributação é a concentração dos impostos sobre consumo e produção. “Cerca de 70% da arrecadação é em cima de consumo, o que torna o sistema regressivo, ou seja, todos pagam a mesma coisa, mas a pressão sobre a renda dos pobres é maior”, diz.

O especialista destaca que, quando se prioriza o imposto do consumo, às vezes as pessoas nem sabem que estão pagando tributos. É o que ocorre com Wilson Teixeira dos Santos, de 46 anos, que não tem consciência de quanto compromete de sua renda em impostos. Sem emprego fixo, ele faz bicos, como entregar frutas para lanchonetes, trabalho que garante uma renda mensal de apenas R$ 480. “Meus gastos são com comida, aluguel, luz e água, mas não faço ideia de quanto pago de imposto”, diz. Sem saber, ele paga 48,28% de tributos na conta de luz e 37,88% na de água.

Olenike, do IBPT, explica que os impostos sobre consumo têm efeito cascata, porque os que incidem sobre a produção, como IPI, PIS e Cofins, acabam sendo repassados para o consumidor, inseridos no preço final dos produtos. “Além disso, a maior arrecadação é do ICMS, que está em todos produtos e serviços”, observa. O especialista detalha que, na maioria dos países desenvolvidos, o sistema é progressivo, sobrecarregando as pessoas de alta renda. “No Brasil, 70% dos tributos são sobre consumo, 25% sobre renda e somente 5% sobre patrimônio. Isso provoca uma distribuição de renda ao contrário, que pune pobres e beneficia ricos”, avalia.

DISTORÇÕES A tributarista e sócia do escritório Miguel Neto Advogados Valéria Zotelli alerta para a perversidade do modelo brasileiro. Mesmo no caso do Imposto de Renda (IR), que é progressivo, há graves distorções. “Deveria haver mais alíquotas porque a classe média, que ganha ligeiramente acima de R$ 4,6 mil, paga 27,5% de IR, o mesmo percentual de ricos que ganham R$ 1 milhão. É preciso ampliar as faixas”, diz.

Valeria sustenta que certos produtos também deveriam ter diferenciação, como remédios. “Os pobres pagarem a mesma coisa que ricos e até classe média é uma vergonha. O país não leva em conta a capacidade contributiva”, diz. Medicamentos têm uma carga tributária de mais de 33%. Outro exemplo de como os pobres são mais penalizados é a tributação de bebidas alcoólicas. A cachaça é taxada em mais de 80%, quando a carga tributária das outras bebidas varia de 59% a 61%, respectivamente (veja a cesta de impostos por classe social ao lado).

Para Anderson Cardoso, o problema mais grave é a falta de retorno para os contribuintes. “Os pobres são obrigados a aceitar serviços públicos ruins. Já a classe média precisa contratar serviços privados, como escola particular, planos de saúde e seguros”, lembra. O fisioterapeuta aposentado Vantuil Lima Alves, de 70, é um exemplo disso. Com três filhos, Alves pagou escola particular para dois deles e o terceiro escolheu o Colégio Militar. Também gasta com plano de saúde e tem o carro e a casa segurados porque não confia na segurança pública. “O contribuinte trabalha metade do ano para pagar impostos e o retorno é muito ruim”, reclama.

Apesar de serem os maiores beneficiados pelo modelo brasileiro de tributação, os contribuintes de alta renda também não se sentem confortáveis. O economista e servidor público Marco Aurélio Pacheco de Brito, de 68, lamenta as distorções tributárias do Brasil. “Hoje nossa carga é de quase 40% do PIB (Produto Interno Bruto). Existem países em que até é mais alta, mas eles têm resposta dos governos em termos de serviços públicos. Isso não ocorre no Brasil, que deveria promover desonerações para as classes mais desfavorecidas”, afirma.

Fonte: SindJus

Movimento negro no Brasil / A luta de Zumbi dos Palmares


Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial.

Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

Zumbi dos Palmares

Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.

No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

Fonte: Só História

As histórias por trás das músicas de Chico Buarque


Mas você conhece as histórias por trás das músicas de Chico? Entre os escafandristas de Futuros Amantes e a catatonia de Já Passou – como destaca Pedro Gonzaga -, algumas circunstâncias por trás de composições são conhecidas. Outras, nem tanto. ZH escolheu cinco músicas de Francisco Buarque de Hollanda e conta as histórias que o levaram a escrevê-las, com ajuda do livro Chico Buarque – Histórias de Canções, lançado em 2009 por Wagner Homem.

1. Apesar de Você, uma das poucas músicas “realmente de protesto”

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Exilado na Itália, Chico Buarque via de longe a ditadura militar governar o Brasil. Viu Gilberto Gil e Caetano Veloso serem presos e depois exilados em Londres, Vinícius de Moraes ser aposentado de seu cargo no Itamaraty por conta do AI-5, as denúncias de tortura e prisões políticas e a posse de Médici, em 1969. Aconselhado por Vinícius de Moraes a voltar “com barulho” ao Brasil, Chico foi recebido no Aeroporto do Galeão, vindo de Roma, por amigos, fãs, pela Torcida Jovem Flu e por uma bandinha, segundo conta o livro Chico Buarque – Histórias de Canções.

De um lado, o compositor via a censura correndo atrás de artistas como ele. De outro, ouvia músicas nacionalistas como Eu te Amo, meu Brasil, de Dom e Ravel, e Pra Frente Brasil, de Miguel Gustavo. Resolveu fazer o que ele mesmo considera uma de suas únicas músicas de protesto, que diz que “hoje você é quem manda, falou, tá falado” e pergunta “como vai proibir quando o galo insistir em cantar?“. Mandou a letra para a censura e, para sua surpresa, ela foi liberada integralmente. Em uma semana, o compacto vendeu 100 mil cópias – até que uma nota publicada em um jornal do Rio insinou que o “você” do título era Médici. Foi a senha para que todos os compactos fossem recolhidos, a execução em rádios fosse proibida e até mesmo o censor desastrado fosse punido. Mesmo a resposta – cínica – de Chico, de que a música não seria para Médici, mas para uma “mulher mandona”, não colou.

2. Geni e o Zepelim, baseada em Guy de Maupassant

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No final dos anos 1970, o diretor Luiz Antônio Martinez Corrêa leu a notícia de um bandido italiano radicado no Brasil e teve a ideia de adaptar a Ópera dos Mendigos, peça de 1729 de John Gay, e procurou Chico Buarque, que já tinha a ideia de fazer uma montagem de Ópera dos Três Vinténs, texto de 1928 de Bertolt Brecht. Do estudo, nasceu Ópera do Malandro – que virou peça, em 1978, álbum, em 1979, e filme, em 1986.

Nesta composição, Chico se baseia no conto Bola de Sebo, de Guy de Maupassant, que também fala de uma prostituta. Há quem veja na letra uma crítica ao capitalismo e à religião opressora. Interpretações menos profundas (e mais literais) levaram pessoas a jogarem terra em prostitutas – já que não tinham bosta, como canta a música.

No programa Canal Livre, em 1980, o compositor lamentou o fato, dizendo que “o artista está sujeito a coisas do tipo, mas que não deve submeter o processo criativo ao temor de ser mal entendido”, segundo o livre de Homem. Ele ainda disse que as pessoas gostam de artistas por motivos que são mais das pessoas do que dos artistas.

3. Construção, a experiência formal e o jabá

Em 1993, mais de 20 anos depois de lançar Construção, Chico Buarque admitiu à revista Status que a ideia inicial da composição era fazer uma “experiência formal”, com estrofes terminadas em proparoxítonas. A poesia, somada aos arranjos do maestro tropicalista Rogério Duprat, formaram o que talvez seja a música mais conhecida e celebrada de Chico Buarque.

Porém, como conta o livro de Wagner Homem, o sucesso se deve a outro elemento, não tão nobre: o jabá. Em 1989, em entrevista à revista América, o cantor contou que, anos antes, havia reclamado para seu antigo “patrão” de gravadora que o pagamento para rádios populares tocarem determinadas músicas (o famoso jabá) havia crescido muito naqueles anos, quando o executivo revelou: “Você lembra do sucesso de Construção, uma música difícil, pesada, muito longa para a época, que tocava no rádio o dia inteiro? Pois paguei muito jabá por ela”.

Outra estratégia teria sido tentada pelo advogado da gravadora, João Carlos Muller Chaves: ele teria pedido informalmente para que os censores proibissem a música (o que daria ainda mais mídia para o lançamento). O resultado: por birra, a música foi liberada integralmente.

4. Retrato em Branco e Preto e as discussões com Tom Jobim

Em uma de suas mais celebradas parcerias com Tom Jobim, Chico Buarque ouviu questionamentos do compositor carioca acerca de dois detalhes. Antes de gravar a canção, Chico decidiu trocar “peito tão marcado” por “peito carregado“, já que “tão”, ele admitiu, era uma palavra usada só para completar as sílabas necessárias. Pouco tempo depois, Tom Jobim ligou de volta e aconselhou que “tão marcado” fosse mantido, já que “peito carregado” dava a ideia de tosse.

Mais tarde, Tom Jobim decidiu que o título deveria ser Retrato em Preto e Branco, já que “ninguém fala ‘branco e preto'”. Chico respondeu ironicamente, trocando “soneto” por “tamanco”, para rimar: “Então tá, fica assim: ‘vou colecionar mais um tamanco, outro retrato em preto e branco‘”. Tom cedeu.

5. Futuros Amantes e os escafandristas

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Vamos deixar que o próprio Chico explique, com um relato tirado de seu DVD Romance:

“Eu estava mexendo no violão, comecei a fazer a melodia, e a primeira coisa que apareceu foi exatamente cidade submersa, isolada de tudo… Porque cantarolando parecia cidade submersa, parecia que a música queria dizer isso. E eu tinha que ir atrás depois, tinha que explicar essa cidade submersa, tinha que criar uma história. Apareceu essa cidade submersa exatamente antes de qualquer coisa. Aí eu coloquei esses escafandristas e esse amor adiado, esse amor que fica para sempre, né? Essa ideia do amor que existe como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça. Passa-se o tempo, passam-se milênios, e aquele amor vai ficar até debaixo d’água. E vai ser usado por outras pessoas. Amor que não foi utilizado. Porque não foi correspondido, então ele fica ímpar, pairando ali, esperando que alguém o apanhe e complete a sua função de amor.”

Fonte: Zero Hora

Tensão entre Brasil e França na história


A lagosta é nossa

Entre 1961 e 1963, Brasil e França disputaram a pesca da lagosta no litoral nordestino. Por pouco o imbróglio não terminou em guerra

Avião brasileiro sobrevoa navio da Marinha francesa no litoral nordestino em 1963 | Wikicommons/Marinha Brasileira
Avião brasileiro sobrevoa navio da Marinha francesa no litoral nordestino em 1963| Foto: Wikicommons/Marinha Brasileira
  • Diego Antonelli

Tensão

Navios chegaram a ficar frente a frente

Ao revogar a autorização para que os seis navios franceses capturassem lagosta no litoral brasileiro, em 1963, o presidente João Goulart provocou a ira dos franceses. Navios de guerra da França vinham prontos para um conflito. O Brasil, por sua vez, também se preparou. Em certa ocasião, um acidente entre um navio francês e um jangadeiro nordestino, que quase matou o pescador.

Um dos momentos mais tensos foi quando aviões brasileiros sobrevoaram, em fevereiro de 1963, embarcações francesas. “Eles sobrevoaram o navio com as luzes dos aviões apagadas. Isso deixou os franceses em pânico”, diz Tiago Zanella.

Na sequência, notícias veiculadas pelos jornais, como “Frota naval da França ronda costa do Brasil”, publicada pelo Última Hora, navios brasileiros foram ao encontro das tropas francesas. “Ficaram frente a frente. Se alguém disparasse um tiro, a guerra ia começar. Por sorte, ninguém atirou”, afirma o pesquisador.

Mesmo não tendo armamentos para uma guerra contra a França, o Brasil não recuou. A França imaginava que a postura firme do governo brasileiro estaria sendo respaldada pelos Estados Unidos. Afinal, havia o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca que determina que se algum país da América for agredido por outra nação de outro continente, os países americanos devem se ajudar. “O medo de os EUA entrarem na guerra fez com que a França retirasse as embarcações da costa brasileira.”

Disputa antecedeu o Golpe de 64

O historiador Túlio Muniz suspeita de que a Guerra da Lagosta também foi uma espécie de “laboratório” para o Golpe Militar de 1964, um ano depois do término do imbróglio entre Brasil e França. Ao mesmo tempo em que o presidente João Goulart recebeu apoio de parte da população, os militares também receberam apoio popular, segundo o pesquisador.

“Se a Guerra da Lagosta foi uma espécie de laboratório pró-reformas para Jango, foi igualmente um laboratório pré-golpe para os militares”, escreve, em artigo, Muniz, que é doutor em História pela Universidade de Coimbra.

Simpatia

Segundo ele, com a reação imediata para um eventual conflito, as Forças Armadas acabaram obtendo simpatia perante a opinião pública. No artigo, Muniz ainda salienta que a população comprou a briga contra a exploração da lagosta na costa brasileira e parte da imprensa da época defendia um discurso que valorizasse o governo nacional e também os militares brasileiros.

A pesca de um mísero crustáceo provocou uma das maiores crises diplomáticas da história entre Brasil e França. As duas nações, por pouco, não iniciaram um confronto militar. Navios franceses foram perseguidos pela frota brasileira e embarcações da nação europeia chegaram a ser apreendidas no litoral do Nordeste brasileiro. O imbróglio conhecido como Guerra da Lagosta começou nos primeiros anos da década de 1960. No decorrer da confusão, até o cantor Moreira da Silva comprou a briga e chegou a compor “A Lagosta é Nossa”, ecoando que o “litoral não é casa de mãe Joana”.

Nessa época, o Brasil começava a se interessar pela pesca do crustáceo, mas ainda de uma maneira mais artesanal. “A exploração da lagosta começou a crescer, mas apenas com alguns jangadeiros”, explica o pesquisador Tiago Zanella, especialista em questões marinhas. Os primeiros barcos franceses chegaram ao litoral de Pernambuco em março de 1961, com autorização para realizar “pesquisas”. Porém, o governo constatou que, na verdade, eles estavam pescando lagostas em grande escala. A licença foi cancelada.

Em novembro, a França solicitou autorização para atuar fora das águas territoriais brasileiras, na região da plataforma continental. No entanto, o país não cumpriu a palavra, fazendo com que os problemas aumentassem. Zanella relata que a primeira apreensão de um pesqueiro francês aconteceu em 1962. “A Marinha intensificou as operações e começou a apreender mais navios com lagostas brasileiras.”

Peixes e cangurus

As apreensões elevaram o tom de debate entre as nações. Por lei, qualquer animal da plataforma continental pertencia ao país costeiro. Assim, o Brasil alegou que a lagosta era um recurso pertencente à plataforma devido à sua natureza sedentária. Para se deslocar, o animal não anda. No máximo, executa saltos. Em resposta, o governo francês, presidido por Charles de Gaulle, argumentou que a lagosta pode ser considerada um peixe. Afinal, movia-se constantemente e, portanto, não era um recurso da plataforma. O objetivo era deslocar o assunto para o campo da pesca em alto-mar, permitida por lei.

Foi nesse contexto que o comandante Paulo de Castro Moreira da Silva, renomado oceanógrafo, defendeu o Brasil com a pérola: “Por analogia, se a lagosta é um peixe porque se desloca dando saltos, então o canguru é uma ave”. Em 1963, o circo pegou fogo.

O presidente João Goulart, quebrando as negociações para evitar a exploração do crustáceo, concedeu autorização para que seis pesqueiros voltassem a capturar lagostas na região. “A população se revoltou. Tanto que a autorização foi suspensa”, diz Zanella.

Foi a vez do presidente de Gaulle se revoltar e soltar a máxima “o Brasil não é um país sério”. Navios franceses foram enviados ao litoral brasileiro prontos para a guerra. Tropas brasileiras se armaram para o confronto. Porém, apesar de diversas ameaças de um conflito bélico, a França recuou e o Brasil conseguiu impedir a captura de lagostas em março de 1963.

Fonte: Gazeta do Povo

A Amazônia é essencial para o mundo


Por que a Amazônia é vital para o mundo?

MEIO AMBIENTE

Como a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia possui a maior biodiversidade

Floresta leva umidade para toda a América do Sul, influencia regime de chuvas na região, contribui para estabilizar o clima global e ainda tem a maior biodiversidade do planeta.

Regime de chuvas

A Floresta Amazônica produz imensas quantidades de água para o restante do país e da América do Sul. Os chamados “rios voadores”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água gerados pela evapotranspiração na Amazônia, levam umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Esses rios voadores também influenciam chuvas na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile. 

Segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro pode bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água em forma de vapor por dia – mais que o dobro da água usada diariamente por um brasileiro.

Uma árvore maior, com copa de 20 metros de diâmetro, pode evapotranspirar mais de 1.000 litros por dia, bombeando água e levando chuva para irrigar lavouras, encher rios e as represas que alimentam hidrelétricas no resto do país.

Assim, preservar a Amazônia é essencial para o agronegócio, para a produção de alimentos e para gerar energia no Brasil.

O desmatamento prejudica a evapotranspiração e, por consequência, a rota desses rios, podendo afetar assim o regime de chuvas no restante do país e diversas atividades econômicas. Além disso, o Rio Amazonas é responsável por quase um quinto das águas doces levadas aos oceanos no mundo.

Mudanças climáticas

A Amazônia e as florestas tropicais, que armazenam de 90 bilhões a 140 bilhões de toneladas métricas de carbono, ajudam a estabilizar o clima em todo o mundo. Só a Floresta Amazônica representa 10% de toda a biomassa do planeta.

Já as florestas que foram degradadas ou desmatadas são as maiores fontes de emissões de gases do efeito estufa depois da queima de combustíveis fósseis. Isso porque as florestas saudáveis têm uma imensa capacidade de reter e armazenar carbono, mas o desmatamento para o uso agrícola ou extração de madeira libera gases do efeito estufa para a atmosfera e desestabiliza o clima.

O Acordo de Paris, firmado em 2015 e cujo objetivo é manter o aquecimento da temperatura média do planeta abaixo de 2°C, passa necessariamente pela preservação de florestas. Dados da ONU de 2015 apontaram o Brasil como um dos dez países que mais emitem gases do efeito estufa no mundo, com 2,48% das emissões.

No âmbito do acordo internacional, o Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 43% em relação aos níveis de 2005 até 2030. Para alcançar tal meta, o país se comprometeu a aumentar a participação de bionergia sustentável em sua matriz energética e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, entre outros pontos.

Segundo o documento que detalha a chamada pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil para o alcance do objetivo do Acordo de Paris, anunciada em setembro de 2015, o país se propôs a “fortalecer políticas e medidas com vistas a alcançar, na Amazônia brasileira, o desmatamento ilegal zero até 2030 e a compensação das emissões de gases de efeito de estufa provenientes da supressão legal da vegetação até 2030”.

Equilíbrio ambiental

Como a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia possui a maior biodiversidade, com uma em cada dez espécies conhecidas. Também há uma grande quantidade de espécies desconhecidas por cientistas, principalmente nas áreas mais remotas.

Assegurar a biodiversidade é importante porque ela garante maior sustentabilidade natural para todas as formas de vida, e ecossistemas saudáveis e diversos podem se recuperar melhor de desastres, como queimadas.

Preservar a biodiversidade amazônica, portanto, quer dizer contribuir para estabilizar outros ecossistemas na região. O recife de corais da Amazônia, por exemplo, um corredor de biodiversidade entre a foz do Amazonas e o Caribe, é um refúgio para corais ameaçados pelo aquecimento global por estar em uma região mais profunda.

Segundo o biólogo Carlos Eduardo Leite Ferreira, da Universidade Federal Fluminense, esse recife poderá ajudar a repovoar áreas degradadas dos oceanos no futuro, mas petroleiras Total e BP têm planos de explorar petróleo perto da região dos corais da Amazônia, ameaçando assim esse ecossistema.

A biodiversidade também tem sua função na agricultura: áreas agrícolas com florestas preservadas em seu entorno têm maior riqueza de polinizadores, dos quais depende a produção de alimentos, como café, milho e soja.

Produtos da floresta

As espécies da Amazônia também são importantes pelo seu uso para produzir medicamentos, alimentos e outros produtos. Mais de 10 mil espécies de plantas da área possuem princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas.

Em 2017, uma pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, mostrou que a planta unha-de-gato, da região Amazônica, além de ser utilizada para tratar artrite e osteoartrose, reduz a fadiga e melhora a qualidade de vida de pacientes em estágio avançado de câncer.

Produtos da floresta são comercializados em todo o Brasil, como açaí, guaraná, frutas tropicais, palmito, fitoterápicos, fitocosméticos, couro vegetal, artesanato de capim dourado e artesanato indígena. Produtos não madeireiros também têm grande valor de exportação: castanha-do-brasil (também conhecida como castanha-do-pará), jarina (o marfim vegetal), rutila e jaborandi (princípios ativos), pau-rosa (essência de perfume), resinas e óleos.

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

A histórica exploração da Amazônia


A história da Amazônia tem sido uma trajetória de perdas e danos

A HISTÓRIA da região tem sido, da chegada dos primeiros europeus à Amazônia até os dias atuais, uma trajetória de perdas e danos. E nela, a Amazônia tem sido, e isso paradoxalmente, vítima daquilo que ela tem de mais especial — sua magia, sua exuberância e sua riqueza.

Não se trata de uma queixa, mas de uma constatação simples: a Amazônia foi sempre mais rentável e, por isso, mais útil economicamente à Metrópole no passado e hoje à Federação, do que elas o tem sido para a região. A Amazônia foi no passado “um lugar com um bom estoque de índios”para servirem de escravos, no dizer dos cronistas da época; uma fonte de lucros no período das “drogas do sertão”, enriquecendo a Metrópole; ou ainda a maior produtora e exportadora de borracha, tornando-se uma das regiões mais rentáveis do mundo, numa certa fase. Na Segunda Guerra Mundial, fez um monumental esforço para produzir borracha para as tropas e equipamentos dos Aliados. Mas é mais recentemente que ela tem sido mais explorada: seja como fonte de ouro, como em Serra Pelada, que serviu para pagar parte da dívida nacional, deixando na região apenas as belas reproduções das fotografias que percorreram o mundo, mostrando a condição subumana do trabalho dos homens no garimpo; seja como geradora de energia elétrica para exportar para outras regiões do Brasil e para os grandes projetos, que a consomem a preços subsidiados, enquanto o morador da região paga pela mesma energia um preço bem mais elevado; seja como última fronteira econômica para a qual milhões de brasileiros têm acorrido nas últimas décadas, com vistas a fugirem da persistente crise econômica do país, buscando na Amazônia um destino melhor (o que, infelizmente, poucos encontram).

E, se poucos migrantes têm conseguido ascender socialmente no novo lugar de destino (a Amazônia), em compensação, devido à histórica política de abandono das classes pobres pelo Estado brasileiro, a região vem se convertendo desde as últimas décadas num espaço onde se registram o conflito no campo, a miséria urbana e o desperdício de recursos naturais. Embora seja, talvez, a maior província mineral de todo o planeta e produza ferro e outros minérios, ajudando o país a manter sua balança comercial, pouco se tem beneficiado das exportações em geral, já que a maioria dos impostos não fica retida na região.

Se a Amazônia tem gerado riqueza, a riqueza não se vê nem se fixa nela. É verdade que tem havido um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Amazônia nas últimas décadas. No caso do Pará, por exemplo, onde houve um crescimento econômico expressivo, no ano de 1975 o PIB era US$ 2,408 bilhões e em 1987 havia ascendido a US$ 5,332 bilhões, o que significa um fantástico aumento de 121% no período. No entanto, como o crescimento da população foi igualmente grande (face à migração), a renda per capita que era de US$ 946,83 em 1975 passou para US$ 959,01 em 1987, com um crescimento relativo de apenas 1,29% no período. Em contrapartida, os recursos naturais da Amazônia vêm sendo engajados nesse esforço de exploração da região pela União com uma força extraordinária e com grande desperdício, já que é justamente para explorá-los a custo baixo, ou próximo de zero (como no caso da floresta), que os novos capitais vêm se dirigindo nas últimas décadas para a região.

Ao longo de sua história, a Amazônia tem gerado sempre mais recursos para fora (Metrópole e Federação) do que tem recebido como retorno; tem sido, permanentemente, um lugar de exploração, abuso e extração de riquezas em favor de outras regiões e outros povos. Mesmo nos últimos trinta anos, quando grandes investimentos foram feitos em infra-estrutura, estes visaram possibilitar a exploração de riquezas em favor da Federação.

Uma história construída entre o mito e a violência

O primeiro europeu a pisar as terras amazônicas, o espanhol Vicente Pinzon (em janeiro de 1500), percorreu a foz do Amazonas, conheceu a ilha de Marajó e surpreendeu-se em ver que se tratava de uma das regiões mais intensamente povoadas do mundo então conhecido. Ficou perplexo vendo a pororoca e maravilhado com as águas doces do mais extenso e mais volumoso rio do mundo. Foi bem acolhido pelos índios da região. Mas, apesar de fantástica, sua viagem marca o primeiro choque cultural e o primeiro ato de violência contra os povos da Amazônia: Pinzon aprisiona índios e os leva consigo para vender como escravos na Europa.

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