A Capela Dourada do Recife



O surgimento da Venerável Ordem Terceira de São Francisco das Chagas data do século XVI. Os Irmãos Terceiros eram mascates, em sua grande maioria, e alguns deles bastante abastados, como Antônio Fernandes de Matos. Naquele período, os franciscanos iniciaram a construção da Capela dos Noviços da Ordem Terceira do Recife.

Tudo indica que o autor de nove dos grandes painéis do templo, que representam os santos da Ordem Terceira, além de oito painéis menores, parece ter sido o famoso pintor José Pinhão de Matos.

Recebendo acréscimos aos poucos, a antiga capela obteve a contribuição de artistas famosos e se transformou no maior símbolo da arte sacra barroca: a atual Capela Dourada da Ordem Terceira de São Francisco do Recife.

Os trabalhos empreendidos no altar-mor, nos seis altares, nas portas, no púlpito, nas duas cornijas do interior, no forro e no emulduramento das pinturas, são de estilo barroco, muito em voga em Portugal e no Brasil no século XVII.

Por sua vez, a alcunha de dourada deve-se ao fato de, cada centímetro do seu interior, se encontrar revestido por magníficas talhas de cedro, cobertas por finas lâminas de ouro de 22 quilates. O templo foi construído no ápice do poderio econômico de três elementos tradicionais da Região Nordeste: os senhores de engenho, os representantes da nobreza e as ricas irmandades.

Datada do século XVIII, a Capela está situada na rua do Imperador Pedro II, no bairro de Santo Antônio, bem perto da Praça da República. A sua beleza, por sua vez, vem atraindo muitos visitantes brasileiros e estrangeiros ao Recife, entre eles historiadores e pintores.

Uma série de artistas importantes, a maior parte originária do Estado de Pernambuco, trabalhou no templo. Dentre eles estão João Vital Correia (em 1864), que foi o responsável pelos frontais de madeira e pintura da Capela dos Noviços; Manuel de Jesus Pinto (em 1799), que empreendeu a douração da capela e do arco de fora; e José Ribeiro de Vasconcelos (entre 1759 e 1761) que pintou dois painéis e dois caixilhos para os santos.

Além disso, os serviços do mestre Luís Machado foram contratados para a edificação do arco da capela-mor, do cruzeiro, do grande arco para o convento, e dos móveis da sacristia, tudo isso em jacarandá.

O mestre português Antônio Martins Santiago, por outro lado, foi contratado para a confecção da talha da capela-mor, com dois nichos para as imagens de São Cosme e São Damião (existentes no antigo altar do convento, no século XVII), bem como de mais um sacrário e um frontal, entre outros elementos. Nos altares laterais, é possível se apreciar um painel retratando os Mártires do Marrocos, São Cosme e Santa Isabel, e a imagem do Cristo Atado (com incrustações em rubi).

Segundo a opinião de especialistas, cabe registrar que a disposição do púlpito e os motivos das talhas se assemelham aos existentes na Igreja de Santo Antônio de Faro, situada na região do Algarve, ao sul de Portugal.

A Capela Dourada encontra-se bem ornamentada, possuindo um interior bem conservado, em grande estilo barroco-rococó. O seu altar-mor se apresenta todo construído em talhas douradas, contendo belas imagens, como a do Cristo Crucificado; o seu forro é revestido por pinturas artísticas, em caixotões. No altar-mor observa-se um retábulo em arco cruzeiro e colunas salomônicas, entrelaçados por folhas de parreiras. Foi executado por Antônio Martins Santiago, em 1698.

Uma bela seqüência de flores e frutos que se torcem sobem as pilastras dos altares, ocupando os triângulos do dorso externo dos arcos. Ao longo do emulduramento das portas, as formas sugerem girassóis. Uma grande flor muito estilizada encontra-se nos painéis do púlpito.

Nas paredes laterais, pode-se observar dois longos painéis: no primeiro, os mártires franciscanos sendo presos e, no segundo, eles sendo crucificados. Além desses quadros, porém, existem outras telas, emolduradas em talhas douradas, que merecem ser apreciadas. Há duas fileiras de assentos, inclusive, que foram produzidos e trabalhados em jacarandá.

O claustro do convento está dividido em duas partes distintas, sendo a inferior a de maior riqueza artística, comportando arcos romanos, um piso original, e uma bonita capela, contendo uma porta torneada, que faz rememorar a austeridade da clausura franciscana.

Nas paredes claustrais, encontram-se 27 quadros de azulejos que mostram vários episódios do Gênese, a criação do mundo. Esses azulejos, que foram trazidos de Lisboa e afixados no ano de 1704, formam uma barra ao longo da parte baixa do interior do templo. São assinados por Antônio Pereira.

A Capela Dourada apresenta, ainda, dezenas de painéis de diverso (a)s santo (a)s: São Pedro, São Jerônimo, Santa Joana de Cruz, Santa Adriana, São Luís, Santa Margarida de Cortona, Santa Lusia Danúrcia, Santa Veridiana, São Torrelo, São Ricardo, entre outros. Também foram retratados em painéis a Fé, a Esperança, a Caridade e a Constância.
Na sacristia, está presente todo um mobiliário (cômodas e repositórios) em jacarandá, feito em 1762, além de uma mesa de mármore e de um lavabo que foram importados da cidade portuguesa de Estremoz. 

 Recife, 30 de setembro de 2003.
(Texto atualizado em 28 de setembro de 2007).
(Atualizado em 14 de dezembro de 2016).


 
FONTES CONSULTADAS:




BARBOSA, Antônio. Relíquias de Pernambuco: guia aos monumentos históricos de Olinda e Recife. São Paulo: Fundo Educativo Brasileiro, 1983.


CAPELA Dourada. [Foto neste texto]. Disponível em:<http://www.capeladourada.com.br/capeladourada.html>. Acesso em: 14 dez. 2016.  



FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.


SILVA, Leonardo Dantas. Pernambuco preservado: histórico dos bens tombados no Estado de Pernambuco. Recife: Ed. do Autor, 2002.

 
COMO CITAR ESTE TEXTO:



Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Capela Dourada. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

A Culinária Nordestina


De tempero forte, essa gastronomia é reflexo da extensão litorânea da região

Na culinária do litoral quem manda são os peixes, e os mais utilizados são o robalo a tainha e o cação, além de frutos do mar e dos crustáceos, notadamente a lagosta e o carangueijo.

A culinária nordestina foi diretamente influenciada pelos fatores socioeconômicos da região. Os pratos possuem características da culinária portuguesa, conhecida durante o período colonial; da cultura africana, absorvida na época da escravidão; e da comida indígena, herança da população nativa. As receitas levam, em geral, vegetais, carne bovina e caprina, peixes e frutos do mar. Devido ao bioma da caatinga, os pratos adquiriram um sabor forte, apimentado e com alto teor calórico. Já no litoral, receberam um sabor carregado, além de uma variedade de ingredientes e cores.

Ingredientes

Além da imensa variedade de frutas nativas da região, como goiaba, caju, banana, manga, jaca, araçá, mangaba, sapoti, umbu, cajá e graviola, a culinária nordestina incluiu em seu cardápio novidades apresentadas por estrangeiros, como o azeite de dendê e a pimenta malagueta, trazidas pelos africanos. Já o coco, bastante utilizado nas receitas, como no bobó de camarão, foi trazido da Índia pelos portugueses. 
Influenciada pela geografia e pela grande extensão litorânea, são utilizados largamente muitos peixes, moluscos e crustáceos na cozinha local. Outros ingredientes muito utilizados nesta culinária são o queijo de coalho, produto típico do sertão nordestino fabricado artesanalmente; o milho, consumido de inúmeras maneiras, em pratos doces ou salgados, cozido ou assado, servindo de base para o preparo de canjica, bolos, sorvetes, pamonha, curau, entre outras receitas; a mandioca, cuja farinha é usada como acompanhamento e pode até ser consumida no café da manhã; e a carne bovina. É típico encontrar a carne já seca ao sol (a carne de sol) ou seca ao ar e conservada com sal (a carne seca). Pode ser servida em porções ou ser usada como ingrediente de pratos da região.

Influências Multiculturais

As formas de preparo variam de estado para estado, mas carregam traços em comum e ingredientes típicos da região. Na Bahia e no Pernambuco, os pratos africanos fazem sucesso. No estado baiano, as escravas africanas produziam as comidas típicas e pratos sagrados com alto significado religioso. Exemplo dessa mistura cultural são o acarajé e o vatapá. Os elementos principais da cozinha baiana são o azeite de dendê, o coco, a pimenta e o quiabo. 
Em Alagoas, prevalecem os pratos com frutos do mar. Já o Maranhão, com uma forte contribuição dos portugueses, tem uma comida com temperos picantes. Um exemplo é a galinha ao molho pardo, feito com o sangue da ave, que deu origem a famosa galinha de cabidela. Outros pratos lusitanos são o sarapatel e a buchada.  Já no sertão, devido ao clima, a carne-de-sol, feijão, milho, rapadura e pratos elaborados com raízes, como a mandioca, são os mais populares. 

Pratos Típicos

Moqueca

Um ensopado feito à base de peixes ou frutos do mar, preparado com pimentões, azeite de dendê e outros condimentos. Seu preparo é diferente em cada um dos estados da região.

Caruru

É um prato produzido com quiabo, camarão, azeite de dendê e temperos que são misturados à farinha de mandioca e caldo. Assim como o vatapá, este prato caiu no gosto do paraense e também é servido por lá, com algumas modificações. 

Arroz de Cuxá

Esse tipo de arroz não pode faltar nas festas típicas do Maranhão. Ele é feito com o cuxá, um molho feito com vinagreira, camarão, pimenta de cheiro, gengibre e farinha.

Baião de Dois

Quando o povo nordestino passava por problemas devido à seca na região, a comida era escassa e era preciso guardar o necessário, sem que houvesse desperdício. Por isso, surgiu, no Ceará, o Baião de Dois, uma mistura de arroz, feijão, carne seca e queijo coalho. 

Sarapatel

Com receitas variadas em cada estado, o sarapatel é um ensopado feito com vísceras de porco, carneiro ou bode, engrossado com o sangue do animal. É servido com farinha e pimenta.

Caldo de Mocotó

A sopa servida quente é feita com patas de boi, de onde sai o tradicional caldo.

Acarajé

Uma das iguarias mais famosas, o Acarajé, preparado tipicamente pelas baianas, é um bolinho de feijão branco e cebola frito no azeite de dendê. Pode ser recheado com vatapá, caruru e molho de pimenta.

Sururu

Esse molusco é muito apreciado na culinária nordestina como um caldo feito com sururu, leite de coco e dendê.

Cuscuz

Prato de origem africana, tem diversas receitas que podem levar flocos de milho, sardinha, ovo e molho de bacalhau.

Dobradinha

Alimento feito com o bucho de algum animal, principalmente o boi, cortado e temperado. É um prato tradicional em Portugal.

Carne de Sol com Queijo Coalho

A carne de sol geralmente é consumida no nordeste com pirão – feito de coalhada, leite, manteiga de garrafa, farinha de mandioca – e queijo coalho.

Paçoca com Carne Seca

É uma farofa criada com a mistura da farinha de mandioca, cebola e carne seca moída. Consumida, geralmente, com banana e baião de dois.

Buchada

Prato que consiste nas tripas ou estômago do bode lavado e recheado com suas vísceras temperadas com sal, pimenta-do-reino, alho, cebola, cheiro verde, louro, cominho e coentro, servido com um molho bem apimentado. 

Galinha à Cabidela

Prato típico português que também é chamado no Brasil de frango ao molho pardo. Ele é cozido juntamente com o sangue do próprio animal recolhido durante o abate.

Festa Junina

No interior, uma das tradições são as festas juninas, que contribuíram com a produção de diversos pratos. A festa, que homenageia os santos católicos Santo Antônio, São João e São Pedro, é o resultado da união dos fes¬tejos cristãos com os indígenas, formando algo próximo do que ocorre hoje. É uma das manifestações mais tradicionais do Nordeste e acontece em todos os estados, que frequentemente disputam o título da maior comemoração. Além das danças, mú¬sica típica e brincadeiras, um dos maiores atrativos são os doces típicos servidos. 
Os alimentos usados na festa são aqueles cultivados pelos indígenas, como a mandioca, o milho e o amendoim. Entre os pratos típicos de festa junina estão a pa¬monha, que, consumida doce ou salgada, é feita com milho ralado e leite; a canjica, feita com milho, açúcar, leite, leite condensado, leite de coco, coco ralado ou amendoim; o pé de moleque – espécie de bolo feito com massa de mandioca, castanhas e uma calda feita de açúcar e manteiga; a cocada, doce de origem angolana feito com coco, leite condensado e leite de coco; e o curau, doce pastoso que tem, como principais ingredientes, creme de milho verde, leite de vaca ou de coco, açúcar e canela.


Outros doces comumente encontrados no nordeste são o arroz doce, sobremesa conhecida no Brasil todo, mas que se popularizou mais na região, feito com arroz, leite ou leite condensado,servido com cravo e canela; o bolo de rolo, doce que leva um fino pão de ló enrolado com camadas de goiabada, coberto com açúcar; e a rapadura, que, por incrível que pareça, não foi surgiu no Brasil e sim nas Ilhas Canárias, a partir das sobras durante a fabricação de açúcar. Durante o Brasil Colonial, a rapadura era utilizada como alimento dos escravos por ter um alto valor nutricional e se tornou um ícone entre as sobremesas brasileiras.

Fonte: Food Magazine

Breve resumo da riqueza Nordestina


Os estados que compõem a região Nordeste são: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Esse complexo regional apresenta grande diversidade cultural, composta por manifestações diversificadas. Portanto, serão abordados alguns dos vários elementos culturais da região em destaque:

O carnaval é o evento popular mais famoso do Nordeste, especialmente em Salvador, Olinda e Recife. Milhares de turistas são atraídos para o carnaval nordestino, que se caracteriza pela riqueza musical e alegria dos foliões.

Carnaval de Olinda

O coco também é conhecido por bambelô ou zamba. É um estilo de dança muito praticado nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A dança é uma expressão do desabafo da alma popular, da gente mais sofrida do Nordeste brasileiro. É uma dança de roda ou de fileiras mistas, de conjunto, de pares, que vão ao centro e desenvolvem movimentos ritmados.

O maracatu é originário de Recife, capital de Pernambuco, surgiu durante as procissões em louvor a Nossa Senhora do Rosário dos Negros, que batiam o xangô, (candomblé) o ano inteiro. O maracatu é um cortejo simples, inicialmente tinha um cunho altamente religioso, hoje é uma mistura de música primitiva e teatro. Ficou bastante conhecido no Brasil a partir da década de 1990, com o movimento manguebeat, liderado por Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, entre outros.

O Reisado, ou Folia de Reis, é uma manifestação cultural introduzida no Brasil colonial, trazida pelos colonizadores portugueses. É um espetáculo popular das festas de natal e reis, cujo palco é a praça pública, a rua. No Nordeste, a partir do dia 24 de dezembro, saem os vários Reisados, cada bairro com o seu, cantando e dançando. Os participantes dos Reisados acreditam ser continuadores dos Reis Magos que vieram do Oriente para visitar o Menino Jesus, em Belém.

As festas juninas representam um dos elementos culturais do povo nordestino. Essa festa é composta por música caipira, apresentações de quadrilhas, comidas e bebidas típicas, além de muita alegria. Consiste numa homenagem a três santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro. As principias festas juninas da região Nordeste ocorrem em Caruaru (PE) e Campina Grande (PB).

Festa junina em Campina Grande (PB)

Bumba meu boi é um festejo que apresenta um pequeno drama. O dono do boi, um homem branco, presencia um homem negro roubando o seu animal para alimentar a esposa grávida que estava com vontade de comer língua de boi. Matam o boi, mas depois é preciso ressuscitá-lo. O espetáculo é representado por um boi construído em uma armação de madeira coberta de pano colorido. Ao final, o boi é morto e em seguida ressuscitado.

O frevo surgiu através da capoeira, pois o capoeirista sai dançando o frevo à frente dos cordões, das bandas de música. É uma criação de compositores de música ligeira, especialmente para o carnaval. Com o passar do tempo, o estilo ganhou um gingado composto por passos soltos e acrobáticos.

Quilombo é um folguedo tradicional alagoano, tema puramente brasileiro, revivendo a época do Brasil Colônia. Dramatiza a fuga dos escravos que foram buscar um local seguro para se esconder na serra da Barriga, formando o Quilombo dos Palmares.

A capoeira foi introduzida no Brasil pelos escravos africanos e é considerada uma modalidade de luta e também de dança. Rapidamente adquiriu adeptos nos estados nordestinos, principalmente na Bahia e Pernambuco. O instrumento utilizado durante as apresentações de capoeira é o berimbau, constituído de arco, cabaça cortada, caxixi (cestinha com sementes), vareta e dobrão (moeda).

Roda de Capoeira

A festa de Iemanjá é um agradecimento à Rainha do Mar. A maior festa de Iemanjá ocorre na Bahia, no Rio Vermelho, dia 2 de fevereiro. Todas as pessoas que têm “obrigação” com a Rainha do Mar se dirigem para a praia. Nesse evento cultural há o encontro de todos os candomblés da Bahia. Levam flores e presentes, principalmente espelhos, pentes, joias e perfumes.

Lavagem do Bonfim é uma das maiores festas religiosas populares da Bahia. É realizada numa quinta-feira do mês de janeiro. Milhares de romeiros chegam ao Santuário do Senhor do Bonfim, considerado como o Oxalá africano. Existem também promessas católicas de “lavagens de igrejas”, nas quais os fiéis lavam as escadarias da igreja com água e flores.

O Candomblé consiste num culto dos orixás que representam as forças que controlam a natureza e seus fenômenos, como a água, o vento, as florestas, os raios, etc. É de origem africana e foi introduzido no país pelos escravos negros, na época do Brasil colonial. Na Bahia, esse culto é chamado de candomblé, em Pernambuco, nomeia-se xangô, no Maranhão, tambor de menina.

Candomblé

A Literatura de Cordel é uma das principais manifestações culturais nordestinas, consiste na elaboração de pequenos livros contendo histórias escritas em prosa ou verso, sobre os mais variados assuntos: desafios, histórias ligadas à religião, política, ritos ou cerimônias. É o estilo literário com o maior número de exemplares no mundo. Para os nordestinos, a Literatura de Cordel representa a expressão dos costumes regionais.

A culinária do Nordeste é bem diversificada e destaca-se pelos temperos fortes e comidas apimentadas. Os pratos típicos são: carne de sol, buchada de bode, sarapatel, acarajé, vatapá, cururu, feijão-verde, canjica, tapioca, peixes, frutos do mar, etc. As frutas também são comuns, como por exemplo: manga, araçá, graviola, ciriguela, umbu, buriti, cajá e macaúba.

O artesanato da região Nordeste é muito variado, destacam-se as redes tecidas, rendas, crivo, produtos de couro, cerâmica, madeira, argila, as garrafas com imagens produzidas de areia colorida, os objetos feitos a partir da fibra do buriti, entre outros.

Fonte: Mundo Educação

Josué de Castro / Geografia da Fome, um breve comentário


GEOGRAFIA DA FOME – O LIVRO

Capa do livro Geografia da Fome

Aos 38 anos de idade, Josué de Castro publica sua obra de maior repercussão, Geografia da fome, que veio a ser traduzida em mais de 25 idiomas. Este livro, de 1946, é uma referência fundamental no estudo do tema, e logo foi reconhecido com o Prêmio Pandiá Calógeras, da Associação Brasileira dos Escritores e com o Prêmio José Veríssimo, da Academia Brasileira de Letras. Assim, Josué explica o objetivo de seu trabalho:

“Neste nosso ensaio de natureza ecológica tentaremos, pois, analisar os hábitos alimentares dos diferentes grupos humanos, ligados a determinadas áreas geográficas, procurando, de um lado, descobrir as causas naturais e as causas sociais que condicionaram o seu tipo de alimentação, com suas falhas e defeitos característicos, e, de outro lado, procurando verificar até onde esses defeitos influenciam a estrutura econômico-social dos diferentes grupos estudados. Assim fazendo, acreditamos poder trazer alguma luz explicativa a inúmeros fenômenos de natureza social até hoje mal compreendidos por não terem sido levados na devida conta os seus fundamentos biológicos”.

Família vive em condição sub-humana no Nordeste

O mapeamento do Brasil a partir de suas características alimentares deixou clara a trágica situação da fome no país, que não poderia mais ser atribuída a fenômenos naturais, mas a sistemas econômicos e sociais que poderiam ser transformados para o benefício da população.
A área do sertão nordestino é caracterizada pelas secasperiódicas que quando ocorrem levam seus habitantes ao limite da inanição. Esta área é denominada por Josué como área de fome epidêmica. Mais do que o clima, o maior problema é a falta de recursos, de meios de transporte e de políticas públicas para a região. Já na região da zona da mata nordestina e em grande parte do território brasileiro, a maior parte da população sofre de uma fome permanente, sofrendo carências na alimentação cotidiana. Denominando este tipo de fome como fome endêmica, Josué também demonstra como ela se manifesta ocultada por outras doenças que se instalam facilmente em organismos enfraquecidos. Ela se faz sentir nas doenças carenciais, tais como beribéri, a pelagra, o raquitismo, de modo muito mais sutil, por insuficiência de proteínas, minerais e vitaminas, que apenas se revelam por lassidão, irritabilidade, nervosismo ou falta de apetite. Se a falta total de alimentos constitui uma causa importante da mortalidade, o número é diminuto comparado às debilidades que o regime alimentar defeituoso provoca.

Cidadãos brasileiros em frente ao Posto de Leite no Nordeste

Para explicar o quadro de um país de fome como o nosso e buscar ações para reverter este quadro, não é possível deixar de considerar o desequilíbrio causado pelo modelo de crescimento industrial exclusivo sem alterações na estrutura arcaica da agricultura, e pelo tipo de economia voltado para interesses estrangeiros desde a época do colonialismo até o atual neo-colonialismo do capital                                                       internacional.

“É mesmo esta a característica essencial do desenvolvimento econômico do tipo colonialista, bem diferente do desenvolvimento econômico autêntico de tipo nacionalista. O colonialismo promoveu pelo mundo um certa forma de progresso, mas sempre a serviço dos seus lucros exclusivos, ou quando muito associado a um pequeno número de nacionais privilegiados que se desinteressavam pelo futuro da nacionalidade, pelas aspirações políticas, sociais e culturais da maioria. Daí o desenvolvimento anômalo, setorial, limitado a certos setores mais rendosos, de maior atrativo para o capital especulativo, deixando no abandono outros setores básicos, indispensáveis ao verdadeiro progresso social”.

Josué em seu escritório na FAO, em Roma, Itália

Com este importante trabalho, Josué de Castro demonstrou que era possível construir uma ciência que teria por objeto de estudo problemas específicos de países subdesenvolvidos e que fosse capaz de explicar a situação destes países sem recorrer aos mitos de inferioridade racial, de fatalismo ou de determinismo geográfico. E já apontava para a necessidade de transformar a estrutura agrária para aumentar a oferta de alimentos e fortalecer o mercado interno.

Fonte: Projeto Memória

Clima Frio / Quem disse que você precisa sair do Nordeste pra tomar chocolate quente?


Alguns lugares incríveis para você aproveitar o inverno no Nordeste

A primeira coisa que vem em mente quando pensamos no Nordeste com certeza são as altas temperaturas, praias e dunas. É o destino ideal para quem gosta de curtir o calor por todo o ano, sem dúvidas! Mas engana-se quem acredita que a região se resume somente a isso. O inverno no Nordeste existe, e algumas cidades e lindas regiões possuem altas atitudes suficientes para fazer qualquer viajante tirar o casaco da mala durante o friozinho e ainda curtir um chocolate quente e um bom vinho. Quer saber quais são elas?

1. Guaramiranga – Ceará

TRIVAGO

A 800 metros acima do nível do mar, precisamente na Serra de Baturité, a Suíça do Ceará pode atingir temperaturas aproximadas a 12°C no inverno. A cidade é pequena, mas conta com uma infraestrutura bem deliciosa para receber os visitantes, com restaurantes e barres com música ao vivo no centrinho, pousadas aconchegantes e hotéis luxuosos, trilhas na serra, parques e uma paisagem encantadora.

2. Garanhuns – Pernambuco

O inverno em Garanhuns já é tão popular que a cidade recebe o tradicional Festival de Inverno. As temperaturas chegam a marcar 16°C, ideal para visitar o Castelo de João Capão, o Relógio das Flores, o Parque Ruber Van Der Linden, entre outros pontos turísticos.

3. Martins – Rio Grande do Norte

Considerada a Campos de Jordão do nordeste, Martins bate os 15°C Cultural em meados de agosto. A região ainda conta com alguns pontos turísticos como o Mirante da Carranca e a Casa de Pedra.

4. Areia – Paraíba

A colorida Areia costuma ter temperaturas amenas o ano inteiro, mas é no inverno que os termômetros batem os 12°C. Os viajantes encontram pousadas acolhedoras, museus, teatro, restaurantes com comida típicas e uma arquitetura antiga da época dos engenhos de cana de açúcar.

5. Chapada Diamantina – Bahia

A conhecida e movimentada Chapada Diamantina fica ainda mais charmosa no inverno, com temperaturas mínimas entre 8°C a 15°C de manhãzinha e também a noite. E para curtir este friozinho, os inúmeros restaurantes com comidas regionais e também de outras partes do mundo, regadas a um bom vinho ou cerveja artesanal garantem uma estadia bem prazerosa na região.

6. Vitória da Conquista – Bahia

Em alguns dias do ano, os termômetros nesta cidade baiana chegam a marcar 10°C por conta dos seus 900 metros de altitude. Em Agosto acontece o Festival de Inverno Bahia, que reúne alguns nomes conhecidos da música popular brasileira e os pontos turísticos mais conhecidos do local são: o Cristo de Mário Cravo, uma escultura de Jesus crucificado com traços nordestinos, e também o Memorial Casa Régis Pacheco, um casarão considerado patrimônio arquitetônico da cidade, que narra a história política da região.

7. Triunfo – Pernambuco

HISTÓRIAS E CENÁRIOS NORDESTINOS

A cidade mais alta de Pernambuco fica no meio do sertão nordestino, mas ainda sim atinge temperaturas de 11°C no inverno. Você pode curtir a programação cultural do Cine Teatro Guarani, andar de pedalinho ou teleférico no Lago João Barbosa Sintonio, visitar o Museu da Cachaça no Engenho São Pedro, e marcar presença em outros pontos turísticos. Em agosto acontece o Festival de Cinema de Triunfo.

8. Gravatá

Gravatá faz parte do Circuito do Frio de Pernambuco, juntamente com Triunfo e Garanhuns, e não é para menos: o outono e inverno da cidade costumam ser bem rigorosos. Não deixe de visitar a Rua Duarte Coelho, o Famoso Polo Moveleiro da cidade, que conta também com algumas lojas renomadas, cafés e trabalhos de artistas plásticos.

Fonte: viajali.com.br

A fome e seu processo histórico no Brasil


A fome é resultado da falta de alimentos e atinge um número muito alto de pessoas, tanto no Brasil, quanto no mundo. Embora o país avance em termos econômicos, sociais e tecnológicos, a alta concentração de renda na mão de poucos gera uma má distribuição de comida que afeta toda a população.

A situação de fome e pobreza no Brasil não é algo recente. Esse problema tem suas raízes no processo histórico e político da formação do país. A partir do momento em que os europeus colonizaram o Brasil, a concentração da riqueza das colônias nas mãos de poucos proprietários se mostrou visível junto com o trabalho escravo. Diante deste quadro, os nativos perderam suas terras e foram obrigados a trabalhar muito para ganhar pouco, ou muitas vezes nada para sua subsistência. Nesse sentido, as pessoas se viram em uma situação em que não tinham terra para plantar alimento nem meios financeiros para obtê-lo.

“Tivemos aqui uma ocupação européia que se deparou com um povo que tinha uma forma de vida própria. Esses povos até hoje vivem dizendo que não entendem a forma como os colonizadores invadiram o país e modificaram tudo que se construiu aqui a partir da colonização”, afirma Ivo Poletto, assessor externo da Cáritas Brasileira. Do ponto de vista desses povos, tudo o que os europeus fizeram foi uma agressão à natureza, feita em benefício dos próprios. “Nós temos como consequência disso um mundo que passa por revoluções constantes na capacidade de produzir, mas ao mesmo tempo concentra cada vez mais aquilo que é produzido. E essa concentração tem como resultado a existência de pobreza e miséria e, inclusive, de morte por fome”, enfatiza Poletto.

A concentração de renda na mão de poucos faz com que os proprietários já não saibam mais o que fazer gerando crises na humanidade inteira devido à especulação de negócios. Tudo isso resulta no aumento do preço dos alimentos e em mais pessoas que não tem condições de acessar os bens necessários para sobreviver. É importante, diante deste quadro, que haja um avanço no reconhecimento dos direitos humanos, definindo e colocando em prática o direito à alimentação, bem como os direitos à moradia e ao trabalho de modo que sejam criadas condições para que as pessoas possam cultivar seu próprio alimento ou ter meios para garanti-lo.

A fome e a pobreza foram produzidas e estão sendo alimentadas pelo próprio sistema. Entretanto, temos em nosso país, condições de mudanças e transformações que sejam estruturais, de modo que abra oportunidades para todas as pessoas, seja no acesso a terra, a um trabalho digno e remunerado, ou na diminuição do custo de vida para os mais pobres. “Desta forma, o Estado se tornaria indutor, de fato, da distribuição da produção geral de comida, e não um aliado à concentração da riqueza na mão de poucos”, finaliza.

por Tanara Adriano, da assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira | Secretariado Nacional

Estado Mínimo / Agora que estão cortando verbas públicas até de remédio, vale saber o que é.


Concepção fundada nos pressupostos da reação conservadora que deu origem ao neoliberalismo. A idéia de Estado Mínimo pressupõe um deslocamento das atribuições do Estado perante a economia e a sociedade. Preconiza-se a não-intervenção, e este afastamento em prol da liberdade individual e da competição entre os agentes econômicos, segundo o neoliberalismo, é o pressuposto da prosperidade econômica. A única forma de regulação econômica, portanto, deve ser feita pelas forças do mercado, as mais racionais e eficientes possíveis. Ao Estado Mínimo cabe garantir a ordem, a legalidade e concentrar seu papel executivo naqueles serviços mínimos necessários para tanto: policiamento, forças armadas, poderes executivo, legislativo e judiciário etc. Abrindo mão, portanto, de toda e qualquer forma de atuação econômica direta, como é o caso das empresas estatais. A concepção de Estado mínimo surge como reação ao padrão de acumulação vigente durante grande parte do século XX, em que o Estado financiava não só a acumulação do capital, mas também a reprodução da força de trabalho, via políticas sociais. Na medida em que este Estado deixa de financiar esta última, torna-se, ele próprio, “máximo” para o capital. O suporte do fundo público (estatal) ao capital não só não deixa de ser aporte necessário ao processo de acumulação, como também ele se maximiza diante das necessidades cada vez mais exigentes do capital financeiro internacional.

Para o seu estudo é fundamental a consulta às obras de István Mészaros, Para além do capital (2002); Francisco de Oliveira, Os direitos do antivalor (1998).

Sobre o impacto da concepção de Estado mínimo nas políticas educacionais no Brasil, ver Pablo Gentili e Tomaz Tadeu da Silva (orgs.) Neoliberalismo, qualidade total e educação (1994)Escola S.A.: quem ganha e quem perde no mercado educacional do neoliberalismo (1996); Pablo Gentili (Org.), Pedagogia da exclusão: o neoliberalismo e a crise da escola pública (1995)Universidades na penumbra: neoliberalismo e reestruturação universitária (2001); Marilena Chauí, Escritos sobre a universidade (2001); João dos Reis Silva Jr., Reforma do Estado e da educação no Brasil de FHC (2002).


[1]Verbete elaborado por Lalo Watanabe Minto