Nazismo no Brasil

As atividades nazistas no Sul do Brasil

As atividades nazistas no Brasil foram coordenadas pela embaixada alemã no Rio de Janeiro e pelos consulados, especialmente os de Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. Os agentes do partido tiveram à sua disposição diversos organismos e associações criados pelo NSDAP, que permitiram uma propaganda intensa e a infiltração de pessoas nas principais sociedades recreativas e culturais e nas escolas teuto-brasileiras. Nas cidades maiores, foram estabelecidos diretórios do partido (chamados Ortsgruppe — grupos locais) para coordenar a propaganda, que se fez em três níveis: a) diretamente, através dos diretórios, das associações patrocinadas pelo governo alemão, e das instituições teuto-brasileiras sob controle nazista. Entre estas últimas, destacaram-se principalmente as Schützenvereine (sociedades de tiro). Entre as associações criadas pelos nazistas, se destacaram: o Círculo da Juventude Teuto-brasileira (o equivalente da Juventude Hitlerista), a Frente Alemã do Trabalho e a Associação de Beneficência e Caridade; b) através de anúncios e artigos publicados nos principais jornais teuto-brasileiros, e c) através de publicações periódicas controladas pelos nazistas, das quais o almanaque Volkund Heimat, editado em São Paulo de 1936 a 1938, e jornal Blumenauer Zeitung, editado em Blumenau entre 1886 e 1939, são dois bons exemplos.

Deve ser observado que uma parte da imprensa teuto-brasileira não tinha qualquer ligação com grupos nazistas, e chegavam mesmo a combatê-los. Foi o caso do jornal Der Kompass, de Curitiba, um dos mais importantes da década de 1930. Apesar da intensidade da propaganda, nem todos os teuto-brasileiros aderiram ao nazismo, embora a maioria se conservasse fiel à idéia de unidade étnica. O nazismo encontrou adeptos sobretudo nas classes médias urbanas e na classe empresarial; não teve nenhuma expressão nas zonas rurais.

O Estado Novo e o fim das atividades nazistas no Brasil

Com o estabelecimento do Estado Novo, mudou o comportamento do governo brasileiro em relação à ação nazista no Sul, até então tolerada: agora ela era vista como um perigo à estabilidade política do país. Uma série de medidas de caráter geral, tomadas no âmbito da campanha de nacionalização, e visando principalmente ao nazismo, aniquilaram as bases que suportavam a atividade política do NSDAP.

Em 1937 foram tomadas as primeiras providências para extinguir as escolas “alemãs”. O Decreto-Lei nº 383, de 19 de abril de 1938, proibiu a atividade política de estrangeiros no Brasil. A língua alemã foi proibida em 1939 e, em 1941, foi extinta a imprensa teuto-brasileira. Sem a infra-estrutura associativa e de propaganda que fora montada nos três estados meridionais, o nazismo não poderia sobreviver.

Giralda Seyferthcolaboração especial

FONTES: DULLES, J. Vargas; LOEWENSTEIN, K. Brazil; PY, A. Quinta; SEYFERTH, G. Nacionalismo.

Publicado por luislins

Pernambucano, Casado, quatro filhos, Servidor Público.

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