Engenho Matapiruma /Assassinato em Escada(zona da mata de Pernambuco), durante o regime militar brasileiro

Em 5 de outubro de 1972, um grupo de trabalhadores rurais, na realidade três irmãos,3
foi atacado
pelo vigia e por dois policiais da Secretaria de Segurança Pública, quando realizavam atividades agríco-
las no canavial do Engenho Matapiruma, localizado na área rural da cidade de Escada, em Pernambuco.4
Trabalhadores e moradores desse engenho, havia mais de uma década, eles tinham, em 1970, com o apoio
do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, movido uma ação trabalhista contra seu arrendatário, José Metó-
dio Pereira, na Junta de Conciliação e Julgamento (JCJ) de Escada. Na ação trabalhista participavam mais
sessenta e oito trabalhadores. Reivindicavam 13os
salários e férias não pagas, relativas ao ano de 1969.
Na época, nenhum dos principais jornais de Recife (o Jornal do Commercio, ou o Diário de Pernam-
buco) publicou qualquer notícia sobre o ataque e o assassinato de um dos três irmãos (José Inocêncio
Barreto) ou tampouco registrou a morte do vigia. Também dois agentes da polícia de Recife ficaram
feridos no embate com os três irmãos. Além de José Inocêncio Barreto, que faleceu no local, baleado
pelo vigia e pelos agentes policiais, o segundo irmão, João Inocêncio Barreto, levou oito tiros e foi trans-
ferido para o hospital, em Recife. O terceiro irmão, Luís Inocêncio Barreto, atingido na mão, conse

guiu escapar correndo no meio do canavial, como fizeram também vinte trabalhadores que cortavam e
amarravam cana naquela área do Engenho Matapiruma.
Quatro dias depois, na segunda-feira, 9 de outubro de 1972, surpreendentemente, o jornal O
Estado de São Paulo publicou uma reportagem com o título “Mortes num engenho em Pernambuco”.
Além de a matéria apresentar um relato detalhado em que responsabilizava pelo ocorrido, tanto o arren-
datário do engenho, José Metódio Pereira, quanto o vigia, denominado de “capanga do engenho”, cita
nominalmente os dois investigadores da polícia, José Timóteo e Pedro Vieira, que, junto com outros 12
capangas, teriam atacado os trabalhadores. O jornal publicou também duas fotos:5
uma da mãe com
os dez filhos menores, agora órfãos do trabalhador assassinado, e outra da única pessoa do engenho,
segundo o jornal, que se dispôs a narrar o ocorrido, o filho de 11 anos de João Inocêncio Barreto. As
duas fotos publicadas compondo a matéria “Mortes num engenho de Pernambuco”, além de dar um
suporte de realidade e veracidade ao texto jornalístico é capaz de produzir, até hoje, fortes emoções de
dor e tristeza.6
As ressonâncias, e mesmo a reação da censura e dos órgãos de repressão a essa reporta-
gem, se constitui em outra possibilidade de pesquisa.7
O texto jornalístico ainda destaca como reinava um clima de medo no engenho, pois embora o ata-
que sofrido pelos três irmãos tenha ocorrido a apenas 200 metros de um grupo de casas, ninguém se dis-
pôs a comentar o ocorrido. O jornal assinala, ainda, que o assassinato de José Inocêncio Bezerra, assim
como as tentativas de que foram alvos seus irmãos Luís e João, eram o resultado de um processo que
moviam na Justiça do Trabalho contra o arrendatário do engenho; informa, também, que os diretores
do Sindicato passaram a sofrer ameaças, fazendo com que se retirassem da questão. Os irmãos, ainda de
acordo com a matéria, teriam sido aconselhados pelo pároco da cidade, Padre Melo, a procurar as auto-
ridades militares em Recife e contar o que vinha ocorrendo no engenho.

Fonte:

Ação trabalhista, repressão policial e assassinato
em tempos de regime militar


Antonio Torres Montenegro

Saiba mais aqui

Autor: luislins

Pernambucano, Casado, quatro filhos, Servidor Público.

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